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Método usado para purificar sangue será testado com vacina antitumor

Metrópoles   06 Janeiro 2026   342   Farmácia Hospitalar
Método usado para purificar sangue será testado com vacina antitumor

Quando fazemos uma doação de sangue, este material orgânico passa por um tratamento com luz ultravioleta associada à riboflavina (a vitamina B2) para eliminar uma série de doenças do sangue. Este método de purificação, chamado de Mirasol, será adaptado para ser testado em humanos como uma “vacina” contra o câncer de ovário.

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A proposta dos cientistas do centro City of Hope, na Califórnia, envolve usar células tumorais retiradas durante cirurgias com o método e depois de inativá-las reintroduzi-las no organismo para tentar estimular a resposta imunológica contra a doença.

A estratégia já passou por testes em camundongos e cães e teve resultados positivos. Os testes em humanos foram autorizados nos Estados Unidos em julho de 2025 para começar em janeiro deste ano.

A expectativa dos pesquisadores é que a abordagem atue como vacina terapêutica personalizada. O objetivo principal consiste em avaliar segurança e capacidade de induzir resposta imunológica. A técnica parte de material do próprio tumor removido durante cirurgia e tratado antes da reaplicação.

“A esperança é que isso retarde ou impeça a recaída, em combinação com outras terapias”, afirmou em entrevista à Science o químico Ray Goodrich, que ajudou a desenvolver o Mirasol há mais de 20 anos e, em 2018, cofundou a empresa PhotonPharma para adaptar a tecnologia ao combate ao câncer.

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Estudo contra o câncer de ovário

O novo estudo começa neste mês no centro City of Hope, na Califórnia, com patrocínio da PhotonPharma. O ensaio de fase 1 pretende recrutar oito pacientes com câncer epitelial de ovário recorrente. Todas passarão por cirurgia para retirada de tumores.

Pesquisadores tratarão células tumorais com riboflavina e luz ultravioleta e as combinarão com adjuvante imunomodulador para produzir vacina personalizada. Cada participante receberá três doses, com monitoramento de efeitos colaterais e respostas imunológicas.

O objetivo é saber se a abordagem baseada em luz UV provocará resposta mais intensa, já que os resultados em animais, embora positivos, mostraram dados de benefícios muito modestos. O acompanhamento envolve coleta de sangue para medir resposta imune e carga da doença ao longo de semanas.

A conclusão primária do estudo está prevista para junho e o término para dezembro deste ano, quando os resultados finais devem ser demonstrados.

Do tratamento de sangue ao câncer

O Mirasol usa a vitamina B2 ativada com luzes ultravioletas para se ligar ao DNA e ao RNA de células, o que danifica o material genético de microrganismos, impedindo a reprodução de patógenos presentes no sangue tratado. O procedimento prejudica as plaquetas e as células doadas, por isso pacientes que recebem sangue tratado costumam precisar de bolsas adicionais.

Segundo Goodrich, a proposta aproveita a experiência acumulada em segurança transfusional para explorar possível benefício oncológico. A ideia é usar as células do tumor para desenvolver proteínas novas (neoantígenos) a partir do estímulo do Mirasol que ajudem o sistema imunológico a reconhecer melhor as células que não são saudáveis.

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