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Gripe aviária pode representar ameaça maior que a Covid segundo cientistas

Metrópoles   28 Novembro 2025   453   Farmácia Hospitalar
Gripe aviária pode representar ameaça maior que a Covid segundo cientistas

A circulação do vírus da gripe aviária entre aves selvagens, aves domésticas e mamíferos voltou a chamar atenção de especialistas pelo risco de novas adaptações.

Pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, afirmam que, se o patógeno sofrer alterações que permitam transmissão sustentada entre humanos, o impacto poderia superar o da Covid-19. Hoje, porém, as infecções em pessoas continuam raras e dependem quase sempre de contato próximo com animais doentes.

Entenda o que é a gripe aviária

Também conhecida como influenza aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves silvestres e domésticas, mas também pode acometer humanos com baixo risco. Por enquanto, não há transmissão entre humanos.

Entre os principais sintomas apresentados nas aves estão dificuldade respiratória, secreção nasal ou ocular, espirros, incoordenação motora, torcicolo, diarreia e alta mortalidade.

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Todas as suspeitas de gripe aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves, devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura por meio da Inspetoria de Defesa Agropecuária.

Segundo Marie-Anne Rameix-Welti, chefe do centro de infecções respiratórias do Instituto Pasteur, o principal temor é que o H5 se adapte aos mamíferos e passe a circular de forma eficiente entre humanos.

“Uma pandemia de gripe aviária provavelmente seria bastante grave, potencialmente até mais grave do que a pandemia que vivenciamos”, afirma, em entrevista à Reuters.

Ela lembra que, apesar de altamente patogênico, o vírus ainda não desenvolveu essa capacidade. Mesmo assim, o histórico recente preocupa, já que centenas de milhões de aves foram abatidas em surtos no mundo todo, o que afetou o abastecimento de alimentos e elevou preços.

A ausência de anticorpos e o potencial de gravidade

Um dos fatores que elevam a preocupação é que a população não possui anticorpos contra a variante H5. As pessoas já têm alguma imunidade às versões sazonais H1 e H3, mas não à gripe aviária, o que pode levar a quadros mais graves. Marie-Anne lembra que, diferentemente da Covid-19, os vírus influenza podem causar desfechos severos mesmo em indivíduos saudáveis, incluindo crianças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou quase mil casos humanos de infecções por H5 entre 2003 e 2025. A letalidade média, de 48%, reflete o perfil das ocorrências, geralmente relacionadas a pessoas que tiveram contato direto com aves infectadas.

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Neste mês, os Estados Unidos confirmaram o primeiro caso de H5N5 em humanos, em Washington. O paciente, que tinha outras doenças, morreu dias depois. Apesar disso, especialistas reforçam que a probabilidade de uma pandemia iniciar agora é baixa.

“Precisamos estar preparados para responder rapidamente, mas o risco atual é muito baixo”, afirma Gregorio Torres, da Organização Mundial de Saúde Animal. Ele ressalta que é seguro consumir frango e ovos ou circular em áreas rurais.

Pesquisas avançam para monitorar mutações e preparar respostas. Marie-Anne destaca que, ao contrário do cenário no início da Covid-19, hoje existem ferramentas específicas para agir caso a transmissão entre humanos se torne realidade.

Vacinas candidatas contra o H5 já estão prontas, e a tecnologia para produzir novos imunizantes rapidamente está consolidada. Além disso, antivirais eficazes contra esse tipo de influenza estão estocados.

Para os cientistas, o cenário exige vigilância contínua, mas sem alarmismo. O vírus segue circulando principalmente entre animais, e o salto evolutivo necessário para gerar uma pandemia ainda não ocorreu. A prioridade, segundo eles, é manter sistemas de monitoramento ativos e garantir capacidade de resposta caso mudanças relevantes surjam.

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