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Uso prolongado de antidepressivos pode dobrar risco de morte súbita, aponta estudo

Metrópoles   31 Março 2025   1354   Farmácia Clínica
Uso prolongado de antidepressivos pode dobrar risco de morte súbita, aponta estudo

Uma pesquisa apresentada neste domingo (30/3) durante o Congresso Anual Europeu de Cardiologia revelou que o tratamento prolongado com antidepressivos afeta diretamente o risco de morte súbita cardíaca dos usuários.

O estudo indica que especialmente em adultos jovens o uso da medicação por mais de seis anos mais do que dobra o risco de morte súbita cardíaca ao ser comparado com alguém que nunca consumiu estes fármacos.

A investigação conduzida por pesquisadores do Hospital do Coração de Copenhagen, na Dinamarca, avaliou dados de saúde de 4,3 milhões de dinamarqueses. A morte súbita cardíaca se refere à morte inesperada de uma pessoa que ocorre menos de 24 horas depois do início dos sintomas.

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O que explica o risco?

Os resultados indicam que o risco médio de qualquer exposição a antidepressivos foi de 56%, mas quanto mais longo for o uso do remédio, maior parece ser o risco.

“Aqueles expostos por seis anos ou mais estavam em risco ainda maior do que aqueles expostos por um a cinco anos, quando comparados com pessoas que nunca usaram antidepressivos na população em geral”, afirmou a autora principal do estudo, a cardiologista Jasmin Mujkanovic, em comunicado à imprensa.

Cientistas destacam que a relação não implica causalidade direta. Antidepressivos podem alterar ritmos cardíacos ou mascarar sintomas de problemas cardiovasculares. Outra hipótese é que pacientes crônicos tenham menor acesso a cuidados preventivos.

“O risco aumentado de morte cardíaca súbita pode ser atribuído aos potenciais efeitos adversos dos antidepressivos”, especula a cardiologista. “No entanto, o tempo de exposição aos medicamentos também pode servir como um marcador para indicar a presença de doenças subjacentes mais graves e crônicas, inclusive o tabagismo. Além disso, o aumento pode ser influenciado por fatores comportamentais ou de estilo de vida associados à depressão, como busca tardia por assistência médica e os hábitos ruins de saúde, mas mais pesquisas são necessárias.”

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Impacto variou conforme a faixa etária

Indivíduos na casa dos 30 anos apresentaram os números mais alarmantes. Os dados apresentados mostram que em indivíduos com idade entre 30 e 39 anos, o perigo chega a ser cinco vezes maior para quem usou antidepressivos por mais de seis anos.

Com a idade, o risco diminui. Entre 50 e 59 anos, houve quatro vezes mais risco de morte cardíaca súbita no mesmo período de uso. Em idosos acima dos 70 anos, o risco foi duas vezes maior. A análise considerou prescrições repetidas ao longo de 12 anos.

O estudo não diferenciou classes de medicamentos. “São necessárias novas pesquisas para entender os mecanismos exatos de cada uma delas”, conclui a equipe. Enquanto isso, porém, os cientistas recomendam monitoramento cardiológico rigoroso durante tratamentos prolongados, especialmente para adultos jovens.

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