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Tratamento inovador usa nanopartícula de sílica em vez de drogas para matar tumor

Marcelo de Valécio   25 Setembro 2020   4615   Farmácia Clínica
Tratamento inovador usa nanopartícula de sílica em vez de drogas para matar tumor

Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, desenvolveram uma nanopartícula que mata células cancerosas sem utilizar qualquer tipo de medicamento. O novo tratamento usa uma espécie de 'Cavalo de Troia' para invadir e eliminar tumores. A descoberta foi publicada na revista científica Small.

A exemplo do famoso cavalo de madeira gigante carregado de soltados, construído pelos gregos para entrar e conquistar a cidade de Troia, a técnica utilizada pelos cientistas singapurianos transforma nanopartículas em uma espécie de ‘Cavalo de Troia’, que entra nas células cancerosas e fazem com que elas se autodestruam, conforme revelou o site Olhar Digital.

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Segundo os cientistas, a técnica envolve revestir nanopartículas de sílica com um aminoácido específico (L-fenilalanina) do qual as células cancerosas dependem para sobreviver e crescer. ‘Famintos’ de aminoácidos, os tumores absorvem as substâncias disfarçadas e acabam se matando no processo, tornando o tratamento totalmente livre de drogas. Experimentos de laboratório feitos em ratos evidenciaram que o crescimento do tumor foi reduzido ou até evitado com a nova abordagem.

Batizada de Nanoscopic phenylalanine Porous Amino Acid Mimic (ou Nano-pPAAM), a nanopartícula terapêutica anticâncer possui um diâmetro de 30 nanômetros –aproximadamente 30 mil vezes menor do que um fio de cabelo humano. O composto matou cerca de 80% das células cancerosas da mama, da pele e do estômago, uma eficiência comparável a drogas quimioterápicas convencionais, como a cisplatina.

De acordo com principal autor do estudo, Dalton Tay, “as propriedades da Nano-pPAAM são intrínsecas e não precisam ser ativadas por nenhum estímulo externo. O aminoácido L-fenilalanina atua como um Cavalo de Troia – uma capa para mascarar o nanoterapêutico por dentro”, explicou o pesquisador. “Ao remover o componente do medicamento, simplificamos efetivamente a formulação da nanomedicina”, completou.

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No estudo, descobriu-se que o revestimento de aminoácido da Nano-pPAAM ajuda a nanopartícula a entrar nas células cancerosas por meio da molécula transportadora LAT1. Uma vez dentro do tumor, a Nano-pPAAM estimula a produção excessiva de espécies reativas de oxigênio, fazendo com que as células cancerosas se autodestruam, enquanto permanecem inofensivas para as células saudáveis.

“Com o tratamento atual com quimioterapia, um problema comum enfrentado é que o câncer se torna resistente ao medicamento. Nossa estratégia não envolve o uso de quaisquer medicamentos farmacológicos, mas depende das propriedades únicas das nanopartículas para liberar um nível catastrófico de espécies reativas de oxigênio para matar os tumores”, explicou o coautor do estudo, Tan Nguan Soon.

Agora os cientistas se preparam para refinar o design e a química da Nano-pPAAM para torná-la mais precisa na segmentação de tipos específicos de câncer, e assim alcançar maior eficácia terapêutica. Isso inclui a combinação do método com outras terapias, como a imunoterapia, que usa o sistema imunológico do organismo para combater o câncer.

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