Skip to main content

Medicamento que modifica DNA paralisa progressão de tumores

Wandy Ribeiro   22 Outubro 2020   6069   Farmácia Clínica
Medicamento que modifica DNA paralisa progressão de tumores

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto do Câncer Infantil (ICI), do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital for Sick Children, de Toronto, Canadá, mostrou que pode ser possível "paralisar" a progressão de tumores que atingem crianças e adolescentes, por meio de um medicamento que provoca uma alteração na forma como o material genético se expressa nas células.

O estudo foi realizado em células de tumores no sistema nervoso central e publicado na revista Frontiers. Segundo informação divulgada por meio da coluna Viva Bem, do Uol, recentemente. foi descoberta a epigenética, que está acima da genética. Ela seria responsável por controlar a expressão do gene. Nesse sentido, a partir desse acontecimento se tornou possível regular o material genético, mesmo que haja mutação no DNA.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Ainda de acordo com a publicação, atualmente, existem alguns fármacos que são capazes de silenciar o DNA, fazendo com que a mutação não possa se expressar. Por isso, no estudo em questão, os cientistas utilizaram, de forma inédita, um desses medicamentos, que, inclusive, seria utilizado para o tratamento da esclerose múltipla.

A droga teria sido utilizada em células de um câncer de sistema nervoso central, que é considerado bastante agressivo e responsável por óbitos de diversas crianças. "Nós usamos essa medicação e vimos que ela tem mecanismos que vão além do que está recomendado. Usamos para fazer o silenciamento epigenético no gene que controla o crescimento do tumor. Isso foi feito em células, não em pacientes", explicou o oncologista e coordenador do Centro de Pesquisas do Instituto do Câncer Infantil, André Brunetto, em entrevista publicada na coluna.

Publicidade

Explicação

Em meio à existência do câncer, em muitos casos, pode haver mutações em níveis de DNA que provocam uma modificação no tumor. Alguns genes podem ter funções dentro das células, enquanto outros são controladores, esses seriam responsáveis pela manifestação ou não de outros integrantes do material genético.

Nesse sentido, toda vez que há uma alteração genética dentro da célula, acontece, paralelamente, um comando que vai no núcleo e faz com esse material celular desenvolva proteínas e dê sinais de crescimento, metástase, invasão, entre outras possíveis situações.

"Então, aquela célula recebe um sinal que é propagado para todo o corpo e o tumor começa a crescer e ir para outros lugares. E, invariavelmente, esse tumor não responde aos sinais que o corpo dá para ele parar, fica desregulado e essa célula fica autossuficiente, e acaba tomando conta e crescendo. Por isso que essas crianças vão a óbito", completa o cientista ao Uol.

Cautela

Apesar dos resultados positivos, o pesquisador lembra que essa análise ainda se encontra em fase inicial. Nesse sentido, não deve haver nenhuma associação com uma possível descoberta de cura, pois, a terapia contra o câncer pode depender de outros fatores, como: medicação, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia, entre outros.

"Um coquetel é feito para aumentar a chance de cura. Então, quando descubro uma nova forma de tratar o câncer, tenho que levar isso para os estudos clínicos para saber se a adição desse novo tratamento vai ou não aumentar as chances de cura", finaliza Brunetto.

Participe também: Grupo de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Em plena pandemia, bandidos colocam fogo em farmácia de UBS

Na madrugada desta sexta-feira (17), bandidos invadiram uma Unidade Básica de S…

Novo medicamento elimina 100% do coronavírus, afirma presidente

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem (25/10) que o Institu…

Amazon passa a vender GLP-1 com consulta, prescrição e farmácia integrada

Quarta-feira, 15 de julho de 2026 A Amazon One Medical lançou nos Estados Unid…

Dois medicamentos têm resultados promissores contra Covid-19

Estudo desenvolvido pela Universidade de Ciência de Tóquio (Japão) revelou que…

Ministério da Saúde emite alerta sobre o Vírus Nipah no Brasil

Um surto do vírus letal Nipah no estado de Bengala Ocidental tem deixado a Índi…

Farmacêutico danifica vacina contra Covid-19 e pode acabar preso nos EUA

Após se tornar o principal suspeito de danificar doses da vacina contra o novo…

Presidente do CRF-SP defende prescrição farmacêutica, desde que texto do PL seja ajustado

O Projeto de Lei (PL) 5443/19, do deputado federal, Eduardo Bismarck (PDT-CE)…

Por que o ibuprofeno voltou a ser testado contra a Covid-19

Equipes de pesquisadores da universidade King's College e dos hospitais Guy's e…

Covid-19: catástrofe se aproxima, preveem especialistas

Em carta aberta, divulgada em 03 de março, o grupo Observatório Covid-19 BR, qu…

Cientista cria sabonete que protege por 6h contra o coronavírus para venda em farmácias

A cientista brasileira, Fernanda Checchinato, criou um sabonete líquido que vis…