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Medicamento para úlcera mostra resultado promissor como antiviral contra Covid-19

Marcelo de Valécio   13 Outubro 2020   6037   Farmácia Clínica
Medicamento para úlcera mostra resultado promissor como antiviral contra Covid-19

Um antimicrobiano usado para tratar úlceras do estômago e infecções bacterianas apresentou resultados promissores contra o novo coronavírus, após testes realizados em animais, anunciaram cientistas de Hong Kong, informou a Agence France-Presse (AFP).

A pesquisa avaliou se alguns metalofármacos – compostos que contêm metais frequentemente usados contra bactérias – podem ter propriedades antivirais que permitam lutar contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Nos testes feitos em hamsters, os cientistas descobriram que uma das drogas dessa família, o citrato de bismuto ranitidina (RBC), era “um poderoso agente anti-SARS-CoV-2”. Segundo revelou na apresentação do estudo o pesquisador da Universidade de Hong Kong, Runming Wang, “o RBC pode reduzir a carga viral no pulmão do hamster infetado”.

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“A nossa descoberta mostra que o RBC é um possível antiviral contra a covid-19”, completou Wang. Contudo, ressalva, o fato dos resultados serem positivos em animais não significa que o medicamento também seja benéfico para o ser humano.

Mesmo assim, os cientistas de Hong Kong estão otimistas e disseram que o RBC é um medicamento habitualmente disponível, usado contra úlceras do estômago, com um perfil farmacológico seguro e abrangente. “É usado há décadas e é bastante seguro”, disse Wang.

Os pesquisadores acrescentaram que o estudo que realizaram, publicado na revista Nature Microbiology, sugeria que outros metalofármacos também poderiam ter sucesso contra o vírus e deveriam ser mais explorados.

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Em paralelo à corrida contra o tempo para encontrar uma vacina contra esse vírus, cientistas de todo o mundo analisam outros medicamentos já disponíveis que possam aliviar os sintomas da doença ou ajudar o organismo a combatê-la. Até agora, entre dezenas de medicamentos analisados, um deles se mostrou eficaz contra a mortalidade, mas apenas nos casos mais graves: o corticoide dexametasonsa.

Já o Remdesivir, um antiviral de amplo espetro, também foi identificado como tendo algum sucesso contra o vírus. Ele encurta ligeiramente a duração da convalescença dos pacientes, mas não foi comprovado se reduz a mortalidade, além de ser caro e difícil de encontrar.

Mesmo a dexametasona tem suas desvantagens, com efeitos de imunossupressão que são arriscados para todos, exceto para os casos mais graves. Ambos os medicamentos foram usados ​juntamente com outras drogas (inclusive experimentais) para tratar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois de ter sido infetado pelo novo coronavírus.

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