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Influenciadora troca farmacêutico por IA ao escolher medicamentos e expõe risco da automedicação

Marcus Vinicius Andrade   09 Julho 2026   987   Farmácia Clínica
Influenciadora troca farmacêutico por IA ao escolher medicamentos e expõe risco da automedicação

Quinta-feira, 09 de julho de 2026

A decisão sobre qual medicamento utilizar não deve ser tomada apenas com base em respostas de inteligência artificial. O alerta ganhou força após a influenciadora digital Virginia Fonseca afirmar, em vídeos publicados nas redes sociais, que recorreu à IA para escolher produtos durante uma viagem aos Estados Unidos, onde teria gastado cerca de US$ 300, aproximadamente R$ 1,5 mil, para tratar sintomas de gripe.

O episódio chamou atenção para uma questão central na assistência à saúde: ferramentas digitais podem ampliar o acesso à informação, mas não substituem a avaliação individualizada feita por profissionais habilitados. Quando o assunto envolve medicamentos, doses, contraindicações, interações e sinais de alerta, a orientação farmacêutica continua sendo indispensável.

Informação digital não é avaliação clínica

A inteligência artificial pode organizar dados, explicar conceitos gerais e indicar possibilidades de forma ampla. No entanto, essas ferramentas não têm acesso completo ao histórico clínico do paciente, às doenças pré-existentes, alergias, medicamentos em uso, condições especiais de saúde ou riscos individuais.

Esse limite é especialmente importante em casos aparentemente simples, como sintomas gripais. Febre, dor no corpo, coriza, tosse e mal-estar podem estar associados a diferentes quadros, incluindo infecções virais, bacterianas ou condições que exigem avaliação médica. O uso inadequado de medicamentos pode mascarar sinais, aumentar riscos de eventos adversos ou levar à duplicidade de tratamento.

Farmácias devem contar com farmacêutico durante todo o funcionamento

No Brasil, a presença do farmacêutico durante todo o horário de funcionamento de farmácias e drogarias é obrigatória pela legislação sanitária. Esse profissional é responsável por orientar a população sobre o uso correto de medicamentos e contribuir para decisões mais seguras no momento da dispensação.

Na prática, a atuação farmacêutica envolve esclarecimento sobre dose, intervalo de uso, duração do tratamento, interações medicamentosas, contraindicações, efeitos adversos, conservação e cuidados específicos. Também cabe ao farmacêutico identificar situações que exigem encaminhamento ao médico, especialmente quando há sinais de gravidade ou persistência dos sintomas.

Automedicação orientada por IA pode ampliar riscos

A automedicação baseada apenas em pesquisas na internet ou em respostas geradas por sistemas de IA pode levar a escolhas inadequadas. Um mesmo sintoma pode ter causas diferentes, e um medicamento considerado comum pode ser contraindicado para determinados pacientes.

Pessoas com hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, doença renal, gestantes, idosos, crianças e pacientes que utilizam múltiplos medicamentos precisam de atenção ainda maior. Nesses casos, uma escolha aparentemente simples pode gerar interações, piora de condições pré-existentes ou efeitos adversos evitáveis.

Uso racional depende de orientação profissional

O farmacêutico tem papel estratégico no uso racional de medicamentos. Sua atuação ajuda a evitar desperdícios, duplicidade terapêutica, combinações inadequadas e uso incorreto de produtos. Mais do que indicar opções disponíveis, o profissional avalia a necessidade de orientação, os limites da automedicação responsável e os casos em que a conduta mais segura é procurar atendimento médico.

A tecnologia pode apoiar a educação em saúde, mas não deve ocupar o lugar da responsabilidade técnica. Em um mercado cada vez mais digitalizado, a presença do farmacêutico nas farmácias permanece essencial para proteger a população, qualificar a dispensação e reduzir riscos associados ao uso inadequado de medicamentos.

Tecnologia deve apoiar, não substituir

O avanço da inteligência artificial tende a mudar a forma como as pessoas buscam informações sobre saúde. Ainda assim, decisões envolvendo medicamentos exigem critério profissional, avaliação individualizada e responsabilidade sanitária.

A orientação farmacêutica segue como uma barreira de segurança entre a dúvida do paciente e o risco do uso inadequado. Em tempos de respostas rápidas, o cuidado qualificado continua sendo decisivo para transformar informação em proteção real à saúde.

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Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de  Marcus Vinicius Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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