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Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos traz alerta sobre automedicação

Marcelo de Valécio   05 Mai 2021   3221   Farmácia Clínica
Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos traz alerta sobre automedicação

O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, celebrado nesta quarta-feira (5/5), destaca um assunto muito pertinente para os tempos atuais no País – a automedicação. Segundo pesquisa do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, realizada em 2020, 81% dos brasileiros indicam consumir medicamentos por conta própria.

No primeiro ano do estudo, 2014, os pesquisadores do ICTQ constataram que 76% da população declaravam se automedicar sem qualquer reserva. Em 2016, esse índice variou para 72%. Já em 2018 cresceu para 79%, e no ano passado subiu mais 2%.

De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), cerca de um quarto da população possui o hábito de se automedicar ao menos uma vez por semana e quase metade (47%) dos brasileiros faz uso de medicação sem prescrição médica, no mínimo, uma vez no mês, revelou o portal Gaúcha ZH.

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Fazer uso de medicamentos de forma irracional significa, entre outras coisas, consumir essas substâncias sem necessidade. Segundo a integrante do Conselho Nacional de Saúde Debora Raymundo Melecchi, medicamentos são insumos de proteção à vida, mas requerem uma racionalidade de uso. Seguindo prescrição médica e respeitando o tratamento, reduz-se os riscos de efeitos adversos, disse ela ao portal.

O fundador do ICTQ, Marcus Vinicius Andrade, destaca que a questão da automedicação vai além do aspecto cultural do brasileiro, como se convencionou dizer. “Pode até ser (cultural), em parte. Afinal, como diz o ditado: de médico e louco todos nós temos um pouco. Mas a automedicação não é só uma cultura. É também o resultado de como o nosso sistema de saúde se organiza e controla a comercialização de medicamentos”.

Andrade lembra que até alguns anos atrás, o autoconsumo de antibióticos – que causam resistência bacteriana – era alarmante no Brasil. Para barrar o consumo desenfreado e puramente comercial, a Anvisa estabeleceu sistema de controle e retenção de receitas, conforme estabelecido na RDC 20/11. “O fato é que hoje, no País, apenas 11% declaram consumir antibióticos sem prescrição e orientação médica. Quer uma outra constatação de que o controle funciona? Apenas 4% da população declaram consumir ansiolíticos, tarja preta, por conta própria”, diz o fundador do ICTQ.

Vale observar que todos os medicamentos podem desencadear efeitos adversos nos seres humanos e intoxicação. Os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), de 2017, apontam que cerca de 27% das ocorrências de intoxicação no Brasil são causadas por uso indevido de medicamentos – sendo que 2% correspondem à automedicação, conforme revelou ao Gaúcha ZH o presidente do Sindicato das Empresas do Complexo Industrial da Saúde do RS, Thomaz Nunnenkamp –, número que representa praticamente o dobro dos casos de picadas de animais peçonhentos, que ocupam a segunda posição.

Um exemplo recente de automedicação – sugerida por algumas autoridades, inclusive – é o chamado ‘kit covid’, como ficou conhecido o ineficaz tratamento precoce à doença com medicamentos como cloroquina e azitromicina, que têm sido utilizados sem comprovação de eficácia durante o período da pandemia. Por causa do uso dessas substâncias – que são importantes para o tratamento de outras doenças –, tem se observado nos pacientes danos no fígado e mais propensão às complicações do novo coronavírus.

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De acordo com os especialistas, a forma correta de agir, em primeiro lugar, é evitar a automedicação. Ao sentir algum problema de saúde, deve-se procurar atendimento profissional, que indicará o melhor tratamento, sendo medicamentoso ou não. Ao receber prescrição para utilização de medicamentos, deve-se seguir as instruções e, em caso de dúvidas, a recomendação é que se consulte um médico ou farmacêutico. Também não se deve indicar o uso de medicamentos a amigos, vizinhos e familiares.

“No Brasil existe uma falácia de que a consulta e prescrição médica são obrigatórias se você não quer se automedicar. E isso é uma fake news! O profissional de saúde que mais conhece de medicamentos, desde a pesquisa clínica (desenvolvimento) até as reações adversas observadas no pós-consumo (farmacovigilância), é o farmacêutico – e esse profissional pode ser acessado em qualquer horário de funcionamento das farmácias que não são clandestinas”, frisa Marcus Vinicius Andrade.

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