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Descubra como o coronavírus entra no sistema nervoso central

Marcelo de Valécio   14 Agosto 2020   8444   Farmácia Clínica
Descubra como o coronavírus entra no sistema nervoso central

Pesquisadores italianos descobriram que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) entra no sistema nervoso central pelo nariz, mais especificamente, pelo bulbo olfativo. Esse seria um dos motivos pelo qual o vírus causa a perda de olfato em inúmeros pacientes.

A pesquisa foi publicado na revista científica norte-americana Journal of the American Medical Association (Jama) – Otolaryngology, Head & Neck Surgery e foca nas pesquisas clínicas lideradas pela pesquisadora Patrizia Morbini, da Universidade de Pavia, na Itália, conforme revelou a Agenzia Nazionale Stampa Associata (Ansa).

De acordo com Patrizia, os pesquisadores identificaram o vírus por meio de um microscópio eletrônico. “Conseguimos isolar o bulbo olfatório em dois pacientes e o estudo foca em um dos dois, que tinha uma forma grave da Covid-19. Neste paciente, nós pudemos demonstrar com a microscopia eletrônica a presença do vírus no bulbo olfatório, associado a uma grande inflamação”, contou a pesquisadora à Ansa.

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Conforme a cientista, esse aspecto sugere um dano direto do Sars-CoV-2 no bulbo, mas não foi possível identificar com precisão em quais tipos de células estavam presentes as partículas virais.

Além disso, diz Patrizia, “no que tange o nariz e, em particular, a mucosa olfativa que isolamos especificamente, também conseguimos identificar a presença abundante de partículas virais, associadas a inflamações, em ambos os pacientes estudados”.

Em que pese a observação clínica publicada ter sido focada em apenas uma pessoa, a pesquisadora da Universidade de Pavia frisa que ela é muito importante porque é a “primeira evidência de uma relação direta entre o bulbo olfatório e o Sars-CoV-2, que apoia os dados instrumentais dos danos nesta área em pacientes com a Covid-19 e a evidência clínica de comprometimento do olfato”.

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Sequelas do coronavírus no cérebro

Uma série de estudos divulgados nos últimos meses e a observação clínica dos profissionais que estão na linha de frente indicam as possíveis sequelas que a Covid-19 pode deixar. Já se sabe, por exemplo, que alguns sintomas podem persistir não apenas entre aqueles que tiveram casos mais graves da doença e que, além de danos nos pulmões, o Sars-CoV-2 pode afetar o coração, os rins, o intestino, o sistema vascular e o cérebro, revela a BBC News Brasil.

A ocorrência de uma série de sintomas neurológicos que vão de confusão mental e dificuldade cognitiva a delírio também tem sido documentada entre pacientes com Covid-19. No Brasil, uma força-tarefa do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (Inscer), vinculado à PUC-RS, investiga, entre outras frentes, quais sequelas podem ficar desses sintomas.

O neurologista Jaderson Costa da Costa, que coordena o grupo, contou à BBC que, entre os casos mais graves atendidos pela equipe no Hospital São Lucas, em Porto Alegre, têm sido observadas convulsões, casos de síndrome de Guillain-Barré (que ataca o sistema nervoso e causa fraqueza muscular) e de encefalite, a inflamação do parênquima do encéfalo.

Um estudo recente da University College London chamou atenção para um caso raro e grave de encefalite que tem acometido alguns pacientes com Covid-19 – a encefalomielite aguda disseminada.

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