Skip to main content

Corticoide com resultados positivos contra Covid-19 no Reino Unido também é testado no Brasil

Marcelo de Valécio   17 Junho 2020   8430   Farmácia Clínica
Corticoide com resultados positivos contra Covid-19 no Reino Unido também é testado no Brasil

O corticoide dexametasona, que apresentou resultados positivos na redução da mortalidade dos casos graves de Covid-19 no Reino Unido, também vem sendo objeto de estudo clínico no Brasil. Os testes por aqui devem ter resultados até agosto.

A Coalizão Covid Brasil, iniciativa coordenada pelos hospitais Sírio Libanês, Albert Einstein, HCor, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa de São Paulo e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), para testar diversas drogas candidatas, está recrutando voluntários no País para testar a dexametasona em um estudo randomizado e com grupo de controle também com pacientes com quadro severo da infecção pelo novo coronavírus, conforme revelou o Estadão.  

Segundo o jornal, o recrutamento deve continuar até o fim do mês e, assim como no estudo britânico, haverá acompanhamento dos pacientes por 28 dias. De acordo com o médico intensivista Luciano Azevedo, do Sírio, que é o principal investigador do estudo, ainda estão sendo recrutados pacientes e o plano é chegar a 350.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Azevedo explicou que a droga foi escolhida para a investigação por já ter demonstrado bons resultados em outros tipos de síndrome respiratória aguda grave causadas por outros vírus e bactérias. “Em pacientes sem Covid, a dexametasona já tinha mostrado benefícios na diminuição do tempo em que os pacientes passam no ventilador e na chance de morrer”, revelou ao Estadão.

O médico ressalva, porém, o risco do uso indiscriminado do medicamento e alerta que o estudo Recovery não é indicativo para uma corrida às farmácias. O ensaio clínico no Reino Unido mostrou que a dexametasona só reduziu a taxa de mortalidade de pacientes graves de Covid-19, que dependam de ventilação ou estejam com oxigenação baixa.

Luciano Azevedo teme a prescrição para pacientes que não tenham as condições demonstradas com benefício no estudo. Houve redução de 33% do risco de morte para pacientes graves, submetidos à ventilação, e de 20% para pacientes que precisavam de oxigênio. Não houve benefício para casos leves. “Quando o estudo for publicado, se o benefício ficar claro, será para usar o medicamento em hospital. Não é para todos, nem para prevenção”, afirmou.

Por também temer uma corrida às farmácias, o infectologista e coordenador do centro de combate à doença no Governo do Estado de São Paulo, David Uip, solicitou aos líderes da Câmara dos Deputados que avaliem a possibilidade de restringir a dispensação do medicamento à retenção de receita de controle especial.

Quem produz o medicamento de referência da dexametasona no Brasil (Decadron) é o laboratório Aché, que doou o produto para o estudo. O mecanismo de ação do corticoide é de anti-inflamatório. “Apesar de o coronavírus ter como alvo o pulmão e a vias aéreas superiores, está cada vez mais claro que é uma doença sistêmica, que acaba sendo gatilho para uma resposta inflamatória importante”, salientou ao Estadão o diretor-médico do Aché Stevin Zung.

Publicidade

Sendo assim, a proposta não é usar o medicamento na fase inicial da doença, quando ainda há replicação viral forte, mas nas etapas posteriores, quando o processo inflamatório é mais pronunciado. Zung lembra que no início da pandemia havia o temor que corticoides poderiam acelerar a replicação viral se aplicados na fase inicial da doença, mas estudos não foram conclusivos. Seja como for, a proposta é de uso com o quadro já grave.

 

Nesse sentido, a médica pneumologista, Roberta Santis Santiago, endossa que caso a droga seja administrada em pacientes sem sintomas severos, ou que não possuam uma inflamação sistêmica, seu uso não apresenta efeitos e ainda pode piorar o quadro da infecção.

“As duas principais frentes de tentativa para tratar a Covid-19 ou estão ligadas à resposta inflamatória, ou para matar o próprio vírus. Caso você tenha um quadro leve da doença, mas está sem uma resposta inflamatória grave, se usar o corticoide nesse momento, aumenta a replicação do vírus, e piora a situação. Agora, se chegar uma hora que a inflamação é muito intensa, então o corticoide pode ter uma resposta mais positiva”, disse Roberta, em matéria publicada no portal Sempre Família.

O diretor do Ache alerta também sobre os riscos de utilização indevida do medicamento. “O uso indiscriminado, de maneira crônica e não adequada de corticoides, pode causar hipertensão, hiperglicemia, pode gerar descontrole da diabetes. Além de trazer alterações no sistema endócrino, osteoporose e trombose venosa”, explicou ao Estadão.

Vale destacar, ainda, que um dos efeitos colaterais da dexametasona é a imunossupressão, por isso, nos casos em que o paciente apresente sintomas mais leves da doença, a substância pode atrapalhar as reações imunológicas do organismo contra a infecção. Por isso, principalmente em pacientes com Covid-19, a automedicação com essa substância pode ser perigosa. Sua administração deve ser realizada com prescrição médica e orientação do farmacêutico.

Participe também: Grupo para receber notícias farmacêuticas diariamente

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Urgente: tomar aspirina em excesso pode causar câncer, sugere estudo

Estudo publicado no Journal of the National Cancer Institute, em 11 de agosto d…

OpenAI lança ChatGPT Health para responder questões de saúde e realizar leitura de exames

A OpenAI lançou nesta quarta-feira (7) o ChatGPT Health, onde a IA se propõe a…

Dependência sob prescrição o Brasil e a escalada dos medicamentos para dormir e relaxar

O aumento expressivo do consumo de medicamentos ansiolíticos e hipnóticos — com…

Farmacêutica é presa por envolvimento em esquema de receitas falsas

O tribunal de São João Novo, no Porto, em Portugal, condenou, na  segunda-…

Mpox atinge novos estados e Brasil soma 90 confirmações

O estado com maior número de ocorrências é São Paulo, com 63 casos. Em seguida…

Em período eleitoral, prefeituras antecipam oferta de canetas emagrecedoras antes de diretriz nacional do SUS

Municípios brasileiros começaram a oferecer ou discutir a oferta de medicamento…

Anvisa contabiliza 65 m0rtes suspeitas relacionadas a canetas emagrecedoras

O crescimento do uso de medicamentos à base de análogos de GLP-1 no Brasil tamb…

Infarto antes dos 40: atuação do Farmacêutico Clínico reduz riscos ligados ao uso de vape, termogênicos e esteroides

O infarto deixou de ser um evento raro entre adultos jovens, e isso muda a resp…

Filme vai contar a história do medicamento Viagra

Famoso por produzir filmes que falam sobre a experiência de ser negro nos Estad…

Mulher que usou caneta emagrecedora é diagnosticada com Guillain-Barré

A mulher de 42 anos que foi internada em um hospital de Belo Horizonte em estad…