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Bronzeado sem sol viraliza nas redes com peptídeo ilegal e sem controle

Marcus Vinicius Andrade   10 Julho 2026   872   Farmácia Clínica
Bronzeado sem sol viraliza nas redes com peptídeo ilegal e sem controle

Sexta-feira, 10 de julho de 2026

Uma substância injetável conhecida como melanotan II tem ganhado visibilidade nas redes sociais, especialmente no TikTok, impulsionada por conteúdos que prometem um bronzeado mais intenso sem a necessidade de exposição prolongada ao sol. Apesar da popularidade, o produto é comercializado ilegalmente pela internet, não possui aprovação para uso estético e levanta preocupações entre especialistas devido aos potenciais efeitos adversos e à falta de controle sobre sua fabricação.

O melanotan II é um peptídeo sintético desenvolvido para imitar a ação do hormônio alfa-MSH, responsável por estimular os melanócitos, células encarregadas da produção de melanina. Com o aumento desse pigmento, a pele tende a escurecer. Em muitos casos, porém, usuários ainda recorrem à exposição solar para potencializar o efeito, ampliando os riscos relacionados à radiação ultravioleta.

Produto é vendido sem controle de qualidade

Além da ausência de aprovação para fins estéticos, outro fator preocupa as autoridades de saúde: a comercialização clandestina. Como o melanotan II é vendido fora dos canais regulados, não há garantia sobre a composição, concentração, pureza ou condições de fabricação do produto.

Essa falta de controle aumenta o risco de contaminações, dosagens inadequadas e reações adversas imprevisíveis, tornando o uso ainda mais perigoso.

Literatura científica registra complicações graves

Os riscos associados ao melanotan II também são descritos em publicações científicas. Um estudo divulgado em 2021 na revista Sexual Medicine relatou o caso de um homem de 55 anos que desenvolveu priapismo isquêmico, condição caracterizada por ereção dolorosa e prolongada, após utilizar a substância.

Segundo os pesquisadores Chase W. Mallory, Diana M. Lopategui e Billy H. Cordon, o paciente fazia uso do produto havia mais de seis anos para bronzear a pele antes do verão. O episódio durou cerca de 30 horas, exigiu intervenção cirúrgica e resultou em piora da função erétil após o tratamento.

Os autores também ressaltam que o melanotan II é comercializado ilegalmente pela internet, sem qualquer garantia de qualidade, pureza ou padronização da dose.

Agências reguladoras recomendam não utilizar a substância

Autoridades sanitárias internacionais alertam que o melanotan II não passou pelas avaliações necessárias para comprovar segurança e eficácia como bronzeador. Por esse motivo, o uso da substância não é recomendado.

Especialistas orientam que qualquer alteração em pintas, manchas na pele ou outros sintomas após a aplicação deve ser avaliada por um profissional de saúde o mais rapidamente possível.

Crescimento nas redes reforça necessidade de informação qualificada

A disseminação de conteúdos sobre produtos sem aprovação regulatória evidencia o impacto das redes sociais no comportamento dos consumidores e reforça a importância da orientação baseada em evidências científicas.

No caso do melanotan II, o apelo estético não elimina os riscos associados ao uso de uma substância ilegal, sem controle de qualidade e sem comprovação de segurança para a finalidade proposta. Para profissionais da saúde, acompanhar essas tendências é fundamental para orientar pacientes, combater a desinformação e promover o uso seguro de produtos relacionados à saúde e à estética.

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Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de  Marcus Vinicius Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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