Senado aprova projeto que estimula indústria nacional a produzir IFA

Senado aprova projeto que estimula indústria nacional a produzir IFA

O Senado aprovou, por unanimidade, nesta quinta (06/04) um projeto que visa estimular a indústria brasileira a sintetizar o insumo farmacêutico ativo (IFA), ou seja, ter controle de todas as etapas de produção de medicamentos, desde a matéria-prima até o produto final. A proposta foi aprovada por unanimidade e vai à Câmara dos Deputados.

Conforme publicado pelo Valor Econômico, a proposta faz com que todo medicamento com IFA produzido no Brasil seja enquadrado na categoria de precedência prioritária nos processos de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

publicidade inserida(https://www.ictq.com.br/pos-graduacao)

A aprovação do texto chega em um momento em que o Brasil sofre para acelerar o ritmo de produção de vacinas contra a Covid-19, isso em decorrência da falta de produção de IFA em território nacional. O País depende da importação da China.

Contudo, o projeto aprovado vem antes da pandemia. Na verdade, ele é de 2019. Porém, de acordo com os senadores, o que acelerou o projeto foi a possibilidade de, no futuro, auxiliar o Brasil a se tornar autossuficiente na produção de medicamentos e vacinas.

O relator da proposta, o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), apontou essa dependência e suas consequências à indústria nacional

“Possuir a capacidade técnica apenas sobre a execução das etapas subsequentes à fabricação do IFA não permite um controle efetivo de todo o processo. Isso torna a indústria nacional dependente da importação de insumos e, portanto, vulnerável a desabastecimentos por parte de fornecedores”.

Receba nossas notícias por e-mailCadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Ele apontou, ainda, que essa situação ganhou evidência “por causa da total dependência do Brasil em relação aos IFAs importados principalmente da China, produtos imprescindíveis para a fabricação das duas vacinas contra a Covid-19 até então disponíveis em território nacional”.

A justificação do projeto citou um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta a grande necessidade de reativar a produção nacional de IFA de vários tipos de fármacos. Em especial, os antibióticos e os medicamentos para doenças neurológicas, cardiovasculares e as negligenciadas.

De acordo com os dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), o mercado farmacêutico no Brasil é o maior da América Latina. Entretanto, produz pequena porcentagem de IFA.

Dependência da China e da Índia

Para muitos especialistas do setor farmacêutico essas medidas já deveriam ter sido tomadas para reduzir a grande dependência que o Brasil tem da China e da Índia - ao todo, quase 90% de todos os medicamentos acabados e princípios ativos de genéricos são trazidos desses países.

Em entrevista recente à equipe de jornalismo do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, o fundador da entidade, Marcus Vinícius de Andrade, pontuou que  pandemia seria um divisor de águas nessa dependência, que ele vê como “vergonhosa”.

“É fato que a nossa geração está vivendo, ou melhor, sobrevivendo, a um capítulo da história da humanidade, que será um marco de antes e depois na saúde pública e em diversos outros aspectos comportamentais e sociais. A vergonhosa dependência, principalmente, da China e da Índia, não é um problema exclusivo do sistema de saúde brasileiro. No mundo pós-Covid será imperativo aos governos de cada país repensar seus sistemas”.

Enquanto isso, o diretor do Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP), João Batista Calixto, defende que os medicamentos devem ser considerados como uma questão de segurança nacional.

"Se houver o prolongamento de uma crise como a atual pandemia, a saúde pública pode ser diretamente comprometida. China e Índia podem, sim, ter dificuldades na produção e exportação de medicamentos de uso contínuo, o que nos afetaria diretamente. A falta deles pode matar tanto quanto uma pandemia viral. Nenhum país domina todo o processo, mas não faz sentido ficar importando drogas desenvolvidas cem anos atrás, como a tão falada cloroquina, por exemplo", disse ele, em matéria publicada na coluna Viva Bem do UOL.

Razões para dependência asiática

Em live recente, realizada pelo ICTQ, o oncologista e cientista Drauzio Varella falou sobre o assunto.

Ele apontou que, entre os motivos para existir essa dependência externa, é o amplo portifólio de produtos que a China oferta. Além de variedade, há, ainda, os preços baixos.

“Para fazer os medicamentos, as empresas preferem comprar os insumos da China e da Índia, sai mais barato trazer de lá do que fabricar aqui. A mesma coisa com equipamentos de proteção individual (EPI). Uma máscara sai por 80 centavos a unidade. Para que vamos produzir isso aqui? Vai sair mais caro. A mesma coisa com os respiradores. Compra da China, muito mais fácil”, ironizou o oncologista.

Por fim, exemplificou: “Vai comprar respirador agora lá. No ano passado um respirador comprado pelo Sírio-Libanês custava US$ 10 mil. Hoje não se acha por menos de US$ 40 mil ou R$ 50 mil”.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente..

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Atendimento

Atendimento de segunda a quinta-feira das 08:00h às 18:00h e sexta-feira das 08:00h às 17:00h (Exceto Feriados).

Telefones:

  • 0800 602 6660
  • (62) 3937-7056
  • (62) 3937-7063

Whatsapp

Endereço

Escritório administrativo - Goiás

Rua Benjamin Constant, nº 1491, Centro, Anápolis - GO.

CEP: 75.024-020

Escritório administrativo - São Paulo

Rua: Haddock Lobo, n° 131, Sala: 911, Cerqueira César.

CEP: 01414-001 , São Paulo -SP.

Fale conosco

PÓS-GRADUAÇÃO - TURMAS ABERTAS