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MPF questiona Sociedade de Infectologia por não recomendar tratamento precoce contra Covid-19

Marcelo de Valécio   11 Dezembro 2020   5687   Política Farmacêutica
MPF questiona Sociedade de Infectologia por não recomendar tratamento precoce contra Covid-19

O procurador do Ministério Público Federal de Goiás, Ailton Benedito, autodeclarado conservador, questionou a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) após a entidade divulgar diretrizes não recomendando o tratamento precoce de Covid-19, revelaram O Globo e Carta Capital.

Segundo a SBI, estudos existentes até o momento não mostram benefício com medicação precoce com cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, ao contrário das orientações dadas pelo Ministério da Saúde. Na lista, a entidade também mencionou outras terapias não indicadas como azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal e dióxido de cloro.

“Os estudos clínicos randomizados com grupos de controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns desses medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19”, pontuou a instituição.

A SBI sustenta que a orientação está alinhada com sociedades científicas e médicas internacionais, como o Instituto Nacional de Saúde e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em suas orientações, a SBI também alerta que a reinfecção parece ser incomum. “A maioria das pessoas que tiveram infecção assintomática ou a doença Covid-19 provavelmente estarão imunes por, pelo menos, três a cinco meses. Estudos em andamento e futuros responderão por quanto tempo o paciente ficará imune com mais precisão”, diz o texto, segundo O Globo. A entidade reforça que as pessoas que já tiveram a doença devem continuar com as medidas de prevenção.

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Após divulgação das recomendações da SBI, o MPF-GO pediu explicações à entidade e uma declaração de que não existe conflito de interesse com empresas farmacêuticas. Na requisição, o procurador Ailton Benedito solicita cópias dos documentos oficiais que sustentam a atribuição de posicionamento da SBI a diversos órgãos.

Segundo o MPF, o objetivo é “conhecer os estudos clínicos que embasaram as ‘recomendações’ divulgadas pela entidade”, revelou a Carta Capital. Benedito também pede que a instituição informe se tem conhecimento das orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde – que desde agosto estabeleceu diretrizes para o tratamento precoce da Covid-19 – e que esclareça se os estudos científicos que embasam as orientações do Governo não têm valor científico para a SBI. A entidade tem prazo de cinco dias para enviar as informações solicitadas, informou O Globo.

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