Apesar da cloroquina, Trump pegou Covid-19

Apesar da cloroquina, Trump pegou Covid-19

Cerca de quatro meses antes de pegar Covid-19, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse tomar hidroxicloroquina para prevenir doença. Desde então, diversos estudos apontaram para ineficácia e efeitos negativos da substância contra o novo coronavírus. A droga não faz parte do tratamento de Trump agora.

“Eu tomo, muitos médicos tomam. Espero não precisar tomar, espero que encontrem alguma resposta (contra a Covid-19), mas acho que as pessoas devem ser autorizadas (a tomar)”, disse o presidente norte-americano, segundo a BBC News Brasil. A frase foi dita em 18 de maio a respeito da hidroxicloroquina, medicamento que Trump afirmou usar na época em caráter “preventivo”.

Se tomou mesmo a droga – não dá para saber – não adiantou nada. O presidente dos Estados Unidos é apontado pela imprensa do país como mentiroso contumaz – segundo levantamento feito pelo jornal Washington Post, na metade de julho, Trump já acumulava mais de 20 mil declarações não verdadeiras desde que assumiu a presidência, em janeiro de 2017, revelou o G1.

Outro entusiasta da cloroquina, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, também afirmou, em julho, que estava tomando hidroxicloroquina e azitromicina para tratar a Covid-19. Não se sabe também se tomou ou não. A única certeza é que ele se entusiasmou tanto que até foi fotografado mostrando uma caixa da droga para as emas do Palácio da Alvorada.

Sejam esses relatos verdade ou não, hoje a substância alardeada pelos presidentes norte-americano e brasileiro não faz parte do tratamento de Trump. Ele não está recebendo cloroquina ou hidroxicloroquina para a Covid-19, mas um coquetel de anticorpos monoclonais, uma terapia experimental desenvolvida pela Regeneron Pharmaceuticals, segundo informou o médico da Casa Branca, Sean Conley. Também estão incluídos no tratamento de Trump vitamina D, zinco, melatonina, aspirina e famotidina (um antiácido), apurou o jornal El País.

Os primeiros estudos sobre o tratamento com anticorpos monoclonais indicam que pode ajudar os pacientes a reduzir os níveis do coronavírus no corpo, principalmente quando ministrado na primeira etapa da infecção. Mas a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, não autorizou o uso generalizado desse coquetel, chamado de REGN-COV2, mas pode permitir o uso pontual. No caso do presidente, a FDA autorizou, segundo o jornal.

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Cloroquina cada vez mais distante

Mesmo na época, a declaração de Trump contrariava a recomendação de seu próprio governo: a FDA havia emitido em março uma autorização de ‘uso emergencial’ da hidroxicloroquina e da cloroquina, usadas para tratar lúpus e malária, no tratamento da Covid-19 apenas para um número limitado de casos hospitalares.

Conforme a BBC, um mês depois, no entanto, diante de estudos que apontavam um elo entre os medicamentos e a incidência de arritmia cardíaca em pacientes, a agência advertiu contra o uso deles fora de hospitais ou de testes clínicos — o que, na prática, era o caso de Trump.

Desde então, mais estudos e especialistas engrossaram as evidências contra o uso amplo da cloroquina e sua derivada em casos de Covid-19. Em 29 de julho, quando Trump voltou a defender a hidroxicloroquina, afirmando que o medicamento só havia sido criticado porque ele próprio o havia recomendado, foi contrariado pelo médico Anthony Fauci, que coordena a resposta do governo americano à pandemia.

“Sabemos que todos os bons estudos – e por bons estudos eu quero dizer estudos controlados randomizados nos quais os dados são contundentes e críveis – mostraram que a hidroxicloroquina não é eficiente no tratamento da covid-19”, disse Fauci à BBC.

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Uma das pesquisas mais recentes a demonstrar essa evidência foi divulgada no final de setembro. Cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, testaram se a cloroquina tinha efeito preventivo contra a covid-19, em um grupo de 125 profissionais de saúde.

Os participantes foram divididos em dois grupos: 64 receberam cloroquina e 61 receberam placebo, por oito semanas. Ao fim do estudo, foi constatado que não houve uma diferença significativa na proporção de pessoas que foram infectadas. Houve quatro casos em cada grupo, o que representou 6,3% dos voluntários que tomaram cloroquina e 6,6% daqueles que tomaram placebo.

“Com isso, não podemos recomendar o uso rotineiro da hidroxicloroquina entre profissionais de saúde para prevenir a Covid-19”, disseram os autores da pesquisa, que foi publicada no dia 30 de setembro no Jama Internal Medicine, periódico científico da Associação Médica Americana, segundo a BBC.

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