Diabetes no consultório farmacêutico: O que você precisa saber

Diabetes no consultório farmacêutico: O que você precisa saber

No Brasil, existem 15,7 milhões de pessoas com diabetes e cerca de 3 mil endocrinologistas, sendo que nem todos são especialistas em diabetes, ou seja, falta médico para a quantidade de pacientes que necessitam de atendimento especializado. Aos farmacêuticos, enquanto profissionais de saúde mais acessíveis à maioria da população, cabe estar preparados para receber perguntas e respondê-las com assertividade, em linguagem fácil para ampliar a adesão ao tratamento de qual seja a enfermidade.

A professora do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, educadora em diabetes e desenvolvedora do Método DX Revolution - desenvolvimento de profissionais de saúde para atendimento a pessoas com diabetes, Monica Lenzi, fala que em um mercado com milhões de pessoas mal assistidas, que precisam de conhecimento, o farmacêutico faz a diferença.

“O maior gargalo hoje no tratamento de diabetes é a educação. Nós, como farmacêuticos, somos educadores em saúde. De cada dez adultos, entre 20 e 79 anos, um tem diabetes. No mundo, são 537 milhões de pessoas com diabetes. Um em cada dois adultos não tem diagnóstico, ou seja, 50% das pessoas não sabem que têm [a doença]”, ressalta Monica.

De acordo com o Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF 2021), mundialmente, o diabetes se tornou um sério problema de saúde pública, cujas previsões vêm sendo superadas a cada nova triagem. Em 2030, estima-se que 11,3% da população (643 milhões), e em 2045, 12,2% (783 milhões) tenham diabetes. “Em 2003, quando iniciou o Atlas, havia uma projeção de aumento muito menor do que foi a prevalência naquele ano, contudo ela só está aumentando. Tem muita gente para ser atendida e tratada”, atesta a professora.

A crescente prevalência em todo o mundo é impulsionada por uma complexa interação de fatores socioeconômicos, demográficos, ambientais e genéticos. O aumento contínuo se deve, na maioria, ao aumento do diabetes tipo 2 e dos fatores de risco relacionados, que incluem níveis crescentes de obesidade, dietas não saudáveis ​​e falta de atividade física. No entanto, os níveis de diabetes tipo 1, com início na infância, também estão aumentando.

“Nós [farmacêuticos] estamos na linha de frente, com a faca e o queijo na mão para fazer esse rastreamento [dos pacientes com diabetes], para encaminhar essa pessoa para o médico fazer um diagnóstico precoce e assim evitar complicações ao longo do tempo”, frisa Monica.

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Segundo a professora, um em cada nove adultos apresenta tolerância à glicose diminuída, isso é, 541 milhões de pessoas podem estar com diabetes ou pré-diabetes. A cada 18 pessoas, uma tem alteração da glicemia de jejum, por isso, nesse contexto, é fundamental se lembrar de que a maioria delas já possui diabetes tipo 2, podendo não apresentar alteração da glicemia de jejum, mas da glicemia pré-prandial. “Elas não sabem que têm diabetes porque normalmente fazem o teste em jejum e não fazem o teste no pós-prandial, duas horas após a refeição”, reforça.

Outro dado interessante, conforme Monica, é que um a cada seis nascidos vivos foi afetado pela hiperglicemia na gravidez e 80% dessas mães tiveram diabetes gestacional e não foram diagnosticadas. A professora chama a atenção para bebês macrossômicos, aqueles que nascem com grande peso e tamanho, visto que neles a glicose ultrapassou a barreira placentária, fazendo com que a criança se alimente da glicose que ultrapassou a barreira somada à glicose recebida pelo cordão umbilical.

Esses bebês possuem o pâncreas estimulado e quando nascem devem ser monitorados, porque com esse alto fornecimento de glicose podem ter uma hipoglicemia, que pode ocasionar transtornos neurológicos, retardo mental e morte.

A professora lembra ainda que um em cada dois milhões de crianças e adolescentes menores de 20 anos tem diabetes tipo 1, excluindo aqueles que já desenvolveram diabetes tipo 2.

“Se pararmos para pensar, o diabetes não mata, você morre das comorbidades. A diabetes não vem sozinha, ela ocasiona transtornos neurológicos, pode levar a uma cardiopatia. O que mais mata quem tem diabetes são os eventos cardiovasculares. Pacientes com diabetes têm duas vezes mais chances de ter um evento cardiovascular. Essas mortes por diabetes às vezes são subnotificadas justamente porque a pessoa não morre pela doença, mas sim por uma nefropatia, cardiopatia etc.”, explica Monica.

Papel do farmacêutico no cuidado com o paciente com diabetes

Junto ao paciente com diabetes, Monica explica que o farmacêutico ajuda na educação e encaminhamento de indivíduos em risco de desenvolver a doença, tendo papel de oferecer educação direcionada; monitorar pressão arterial, peso e colesterol; lembrar os pacientes da importância de exames regulares; dar suporte ao monitoramento da glicemia; monitorar e promover a adesão do paciente; e identificar e resolver problemas relacionados a medicamentos.

A professora reforça que o farmacêutico não realiza diagnóstico, mas pode encaminhar os pacientes para o médico, para que este o faça e inicie o tratamento precocemente para o melhor desfecho.

Segundo o Atlas, a crescente urbanização e a mudança de hábitos de vida (por exemplo, maior ingestão de carboidratos e açúcares, aumento do consumo de alimentos processados, estilos de vida sedentários) são fatores que contribuem para o aumento da prevalência de diabetes tipo 2 ao nível social. Enquanto a prevalência global de diabetes nas áreas urbanas é de 10,8%, nas áreas rurais é menor, de 7,2%. No entanto, essa lacuna está diminuindo, com a prevalência rural aumentando.

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“90% das pessoas com diabetes tipo 2 estão com sobrepeso ou obesidade, e a gordura abdominal aumenta a resistência à insulina produzida pelo pâncreas e não consegue desempenhar o seu papel corretamente. A perda de peso e de gordura abdominal é fundamental. Podemos orientar esse paciente no consultório [farmacêutico] a melhorar a pressão arterial, o peso e também o colesterol dele e assim, consequentemente, melhorar os níveis de glicose no sangue”, revela Monica.

O objetivo do tratamento de diabetes é reduzir os níveis de glicose no sangue do paciente nos padrões normais de vida. Não se pode esquecer que o paciente precisa verificar a glicemia antes e após as refeições, e ele precisa ser orientado quanto a isso, inclusive. “Os objetivos do cuidado em diabetes são prevenir complicações e otimizar a qualidade de vida [do paciente]”, reforça ela.

São objetivos da intervenção farmacêutica no tratamento de diabetes:

  • Melhoria de marcadores clínicos (glicemia, hemoglobina glicada - HbA1c, pressão arterial peso etc.);
  • Melhoria na qualidade de vida do paciente;
  • Melhoria no conhecimento do paciente sobre a doença;
  • Satisfação do paciente com os serviços; e
  • Diminuição do custo total dos cuidados de saúde - hospitalizações, consultas de emergência e complicações do diabetes.

Quem precisa de insulina para viver?

Monica reitera que todas as pessoas precisam de insulina para viver. Trata-se de um hormônio secretado pelas células beta das ilhotas pancreáticas, conhecidas como ilhotas de Langerhans, que mantêm a normalidade dos níveis de glicose no sangue, além de facilitar a captação de glicose celular e regular o metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas. Quem tem diabetes tipo 1 não tem produção de insulina pelas células do pâncreas, logo precisa de aplicação (insulina exógena).

Diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não consegue mais produzir insulina ou quando o corpo não consegue fazer um bom uso da insulina que produz. Existem três tipos principais de diabetes.

  • Tipo 1: Diabetes causada por uma reação autoimune, na qual o sistema imunológico do corpo ataca as células beta produtoras de insulina do pâncreas. Como resultado produz pouca ou nenhuma insulina.
  • Tipo 2: Tipo mais comum de diabetes. Inicialmente, a hiperglicemia (níveis elevados de glicose no sangue) é o resultado da incapacidade das células do corpo em responder totalmente à insulina, uma situação denominada resistência à insulina.
  • Diabetes gestacional: Caracterizado por altos níveis de glicose no sangue durante a gravidez. Pode ocorrer a qualquer momento durante a gravidez, embora mais provavelmente após a 24ª semana e geralmente desaparece após a gravidez.

Segundo Monica, o uso de insulina não determina o tipo de diabetes. Quem não tem diabetes tem quantidade necessária de insulina diária, aquela produzida pelas células pancreáticas naturalmente (insulina endógena). O diabetes tipo 1 necessita de aplicações diárias de insulina exógena após o diagnóstico.

O tipo 2 pode ter necessidade de uso de insulina exógena com o tempo de diagnóstico e o diabetes gestacional pode necessitar de uso de insulina durante a gestação, sendo seguro seu uso tanto para a mãe quanto para o feto. O uso da insulina poderá ser suspenso após o parto, mas a glicemia deverá ser monitorada periodicamente. Essas parturientes podem desenvolver diabetes tipo 2 e necessitar de insulina ao longo da vida.

Quer saber mais sobre diabetes no consultório farmacêutico? Assista agora mesmo a webaula com a professora do ICTQ, Monica Lenzi.

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