Empurroterapia: matéria do Fantástico confunde sobre genéricos e papel do farmacêutico

Empurroterapia: matéria do Fantástico confunde sobre genéricos e papel do farmacêutico

O Fantástico, da TV Globo, exibiu ontem (16/5) reportagem sobre a chamada ‘empurroterapia’, que consiste na prática, feita por balconistas das farmácias, de indicar medicamentos a clientes em troca de comissões. Entidades e profissionais dizem que a matéria confunde o público sobre eficácia dos genéricos e o papel do farmacêutico.

A reportagem do Fantástico mostrou que os laboratórios – que faturaram R$ 76,9 bilhões em 2020, conforme dados da consultoria IQVIA – pagam comissões de até 30% e dão viagens internacionais para que balconistas de farmácias indiquem medicamentos e vitaminas aos clientes desses estabelecimentos. Segundo os especialistas, o pagamento de comissões pode estimular o consumo excessivo de medicamentos e fazer mal à saúde. Apesar de criticada, a prática não é tipificada como crime, segundo o G1.

Durante um ano, uma equipe da RBS TV, que produziu a matéria do Fantástico, examinou 12 mil páginas de processos e localizou balconistas e ex-gerentes que confirmaram a prática em Brasília, Rondônia, Pernambuco, Rio de janeiro e cidades do Rio Grande do Sul e interior de São Paulo, apurou o G1. O ponto de partida da investigação foi uma pesquisa em 48 ações trabalhistas de oito tribunais do trabalho nos quais os vendedores descrevem os esquemas.

Os pagamentos podem ser na forma de bonificação aos funcionários ou por cartão de débito, viagens internacionais ou até em vales-compra e eletrodomésticos. “O critério de pagamento da bonificação é individual, ou seja, [pago] pelas vendas realizadas, inclusive o subgerente e o farmacêutico”, declarou um vendedor em depoimento à Justiça do Trabalho, em Porto Alegre, segundo a reportagem da TV.

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O Fantástico destacou que haveria um sistema de comissão em cima da venda de vitaminas e de genéricos, com maior margem de lucro pela comercialização desta categoria de medicamento. O presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas (Sindusfarma), Nelson Mussolini, disse que foi pego de surpresa com a informação sobre o pagamento de comissões, mas condenou a prática. Já a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) afirmou desconhecer o pagamento de comissões, segundo a TV Globo.

A presidente da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos e Farmácias Comunitárias (SBFFC), Sueza Abadia de Souza Oliveira, lamentou o teor da reportagem apresentada na TV. Para ela, o programa deu margem para dúvidas sobre a qualidade de genéricos e similares, em um momento que esse segmento pode ter um grande impulso, tendo em vista a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu pelo fim da extensão de patentes dos produtos de saúde.

“Com os medicamentos genéricos e a ampliação da produção de medicamentos nacionais (similares), a população passou a ter acesso aos produtos, por um valor mais justo e com qualidade e segurança”, afirmou Sueza em nota.

A presidente da SBFFC destacou ainda a seriedade da maioria dos profissionais das farmácias. “É necessário reconhecer a importância do papel do farmacêutico como autoridade técnica na farmácia, na coordenação dos processos de trabalho e orientação à população, na perspectiva da promoção da saúde. A chamada ‘empurroterapia’ é uma prática condenada, pelo farmacêutico e pelos colaboradores sérios, que são maioria nas mais de 85 mil farmácias no Brasil”.

Em entrevista ao programa, o farmacêutico e professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Eduardo Abreu, esclareceu que o problema não é indicar a substituição de um produto por outro genérico.

“Apontar um produto, conversar com o cliente, não está errado. O errado está em forçar a barra ou usar técnicas de persuasão para manipular a decisão do cliente, em proveito próprio, para gerar mais benefício para si, em vez de gerar mais saúde ao paciente”, afirmou Abreu.

O professor acrescentou ao que disse ao Fantástico, lembrando da importância do farmacêutico. “As pessoas têm médico de confiança, manicure e mecânico de confiança, mas quando vão comprar medicamentos procuram muito pelo preço. Foram acostumadas assim, por conta dessa guerra financeira que existe no mercado, e o ciclo vicioso permanece. Dessa forma, elas ficam mais vulneráveis a essas práticas. Quando for na farmácia, procure um farmacêutico de confiança”, aconselha Abreu.

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Nas redes sociais, muitos farmacêuticos mostraram-se indignados com a forma com que foram retratados na reportagem da TV Globo. “A matéria foi bastante superficial e atrapalha o nosso trabalho como profissional que batalha dia a dia para contribuir com a saúde da população”, apontou @rafaellaevelyn. “Agora todo mundo vai achar que queremos ‘empurrar’, quando na verdade estamos dando a orientação correta”, completou.

“Em 90% desses casos, quem está fazendo a ‘empurroterapia’ é o balconista. E detalhe: essas campanhas são empurradas aos funcionários com ameaças veladas de demissão”, salientou @pamelafnascimento. “Só faltou mostrar o outro lado da moeda nessa reportagem. A ‘empurroterapia’ não ocorre só nas farmácias, a quase totalidade dos médicos praticam isso no dia a dia indicando medicamentos ou terapia que lhes traz mais benefícios”, adicionou @ leonel_ferreiraa.

“Incluir na reportagem a troca legal de medicamentos de marca por genéricos foi um desserviço. Um retrocesso”, ponderou @taisakarlaaraujo. “Medicamentos genéricos são bem mais em conta do que os de referência prescritos pelos médicos e fazem o mesmo efeito farmacológico”, acrescentou @ pedrorr3henrique.

“Uma reportagem sobre o uso irracional de medicamentos, mas que em momento nenhum ressalta a importância do farmacêutico ou incentiva a população a procurar pelo profissional verdadeiramente habilitado no momento de atendimento em uma farmácia”, destacou @ keyllags.

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