A venda da Medley, unidade de genéricos da farmacêutica francesa Sanofi, entrou na etapa decisiva, com prazo de 13 de março de 2026 para a apresentação de propostas vinculantes. No mercado, a transação é tratada como um teste de força entre grandes grupos nacionais e um player global, com impacto direto sobre participação em genéricos, capilaridade no varejo e capacidade industrial.
Segundo apurações publicadas nas últimas semanas, avançaram para a fase final Aché Laboratórios Farmacêuticos, Biolab Farmacêutica, EMS, Hypera Pharma, Sun Pharmaceutical Industries (Sun Pharma) e um fundo ligado à Vinci Compass. Neste ponto, um rumor específico entrou no radar: a possibilidade de Aché e Eurofarma avaliarem uma articulação conjunta para disputar o ativo, hipótese que, até aqui, aparece como bastidor.
A leitura concorrencial é central porque o caso tende a passar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e o apetite do órgão por restrições aumenta conforme crescem as sobreposições de portfólio e canal. O próprio Cade reforça que, no rito sumário, o prazo máximo para análise é de 30 dias, enquanto operações mais complexas seguem outra dinâmica de instrução e decisão.
Há ainda um precedente que o setor não ignora. Em 3 de junho de 2009, o Cade concedeu medida cautelar na operação de aquisição da Medley pela Sanofi-Aventis, com objetivo de preservar a reversibilidade do negócio durante a análise do ato de concentração. O histórico reforça que, quando o ativo envolve relevância em genéricos, o regulador tende a olhar além do discurso e ir direto ao desenho de mercado.
A régua da Sanofi sobe na reta final
Na fase atual, a Sanofi elevou exigências para reduzir risco operacional e aumentar previsibilidade do pós-venda. Entre os pontos reportados, estão a manutenção, por um ano, de aproximadamente 850 colaboradores e a permanência da diretora-geral, Lucia Rossato, no período inicial, além de um piso de US$ 500 milhões para as propostas, com expectativa de prêmio sobre rodadas anteriores.
Esse pacote de condições não é perfumaria contratual. Ele limita sinergias imediatas, amarra prazos de integração e reduz o espaço para reestruturações agressivas enquanto o processo concorrencial tramita. Na prática, quem comprar precisa ter caixa, fôlego e governança para sustentar a operação “em modo estabilidade” antes de acelerar ganhos.
Favoritismo, risco regulatório e o fator Sun Pharma
No noticiário setorial, EMS e Sun Pharma aparecem com frequência como as mais bem posicionadas. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) publicou conteúdo atribuído ao jornal Valor Econômico apontando as duas como favoritas, com Aché, Biolab, Hypera e uma gestora ligada à Vinci também no páreo.
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A lógica é objetiva. No caso da EMS, pesa a escala e a presença no segmento, o que aumenta a probabilidade de capturar valor em distribuição e portfólio. No caso da Sun Pharma, o principal atrativo é a menor sobreposição doméstica em genéricos, o que tende a reduzir o atrito concorrencial com o Cade, ainda que o órgão avalie o impacto por classes terapêuticas e canais.
No próprio portal do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, a entrada da Sun Pharma já havia sido apontada como um elemento que altera o tabuleiro ao introduzir uma lógica global de custo e suprimento, somada a operações no Brasil em frentes de varejo, hospitais e setor público.
Por que o rumor Aché–Eurofarma é sensível
A hipótese de articulação entre Aché e Eurofarma chama atenção por um motivo: escala muda poder de barganha com distribuidores e redes, e também muda a narrativa de consolidação nacional em um ativo cobiçado. Com base em dados da Close-Up International, uma eventual soma de vendas de Aché e Eurofarma atingiria R$ 32,8 bilhões, acima do Grupo NC, controlador da EMS.
O fato é que rumor não é estrutura jurídica pronta. A mesma apuração na imprensa afirma que a Eurofarma não teria avançado na disputa formal, o que faz essa hipótese depender de engenharia societária e de timing que nem sempre cabem no calendário de proposta vinculante.
Mercado de genéricos cresce e aumenta o prêmio do ativo
A briga pela Medley acontece com genéricos em trajetória de expansão. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) divulgou que o Brasil comercializou 2.360.857.706 unidades de genéricos em 2025, alta de 8,33% sobre 2024, com base em levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos) e dados da IQVIA.
Esse crescimento explica por que a Medley é tratada como ativo estratégico: quem compra não adquire apenas marca e fábrica. Compra acesso a volume recorrente, negociação com canal, capacidade de lançamento e presença de prateleira em um segmento que segue capturando demanda por preço e confiança terapêutica.
Capacitação Farmacêutica
Disputas como a da Medley mostram como estratégia industrial, dinâmica concorrencial e regulação caminham juntas. Para o farmacêutico que atua em indústria, gestão, assuntos regulatórios, qualidade ou inteligência de mercado, entender o papel do Cade e os efeitos da consolidação deixa de ser tema corporativo e se torna competência técnica.
Nesse contexto, a pós-graduação em Gestão de Negócios Farmacêuticos do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico ajuda a estruturar repertório de planejamento estratégico, gestão por processos, qualidade, compliance e ferramentas de gestão aplicadas ao negócio farmacêutico, exatamente o tipo de base que sustenta mudanças operacionais como a adoção do 5x2 com menos improviso e mais governança.
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