Sanofi aumentou produção de cloroquina em 351%

Sanofi aumentou produção de cloroquina em 351%

Documento enviado ontem (22/6) à CPI da Covid revela que o laboratório Sanofi aumentou em 351% a produção de cloroquina de 2019 para 2020, revelou o portal Metrópoles. Defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e seu entorno, medicamento é ineficaz contra a Covid-19. A própria Sanofi e outros fabricantes não o recomendam contra a doença.

De acordo com o comunicado enviado à CPI, o medicamento Plaquinol, cujo princípio ativo é o sulfato de hidroxicloroquina, teve 33,2 mil caixas de 30 comprimidos produzidas em 2019, no ano anterior à pandemia. Em 2020, o número saltou para 149,9 mil.

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Ainda segundo o laboratório, a produção da caixa com três comprimidos de azitromicina di-hidratada – outro medicamento sem eficácia comprovada contra a Covid-19 – mais que dobrou no período. Foi de 319,2 mil, em 2019, para 669,2 mil em 2020.

As vendas de hidroxicloroquina bateram recorde em 2020 após se tornar o carro-chefe do Governo Federal para enfrentar a Covid-19. Só em farmácias foram comercializados 2 milhões de unidades, com pico de vendas em dezembro – alta de 113% no ano em comparação a 2019, segundo o Conselho Federal de Farmácia.

De acordo com o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), o faturamento das empresas com o medicamento no ano passado foi de R$ 91,6 milhões, ante R$ 55 milhões em 2019 – alta de 66%.

Cloroquina não funciona contra Covid-19

Os próprios fabricantes não recomendam o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, revelaram em março a ONG Repórter Brasil e a Folha. Das seis farmacêuticas que fabricam esses medicamentos no Brasil, quatro vetam seu uso para tratar a doença.

Apsen, Farmanguinhos/Fiocruz, EMS e a própria Sanofi divulgaram comunicados que recomendavam o fármaco apenas para doenças previstas em bula, ou seja, malária, lúpus e doenças reumáticas.

A Sanofi afirmou em março à Repórter Brasil que não há uso aprovado de seu produto para tratamento da Covid-19 em nenhum lugar do mundo, recomendando o medicamento somente para a indicação em bula.

Em 16/6, a empresa emitiu comunicado reafirmando esse posicionamento. “Até o momento, não existem evidências clínicas suficientes para tirar conclusões definitivas sobre a eficácia ou segurança clínica da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19”.

Ela reforça que “o Plaquinol (hidroxicloroquina) está registrado para o uso no tratamento de algumas doenças reumatológicas, como lúpus e artrite reumatoide, ou como tratamento profilático em doenças dermatológicas, como erupções sensíveis à luz, sendo também indicado no tratamento supressivo e crises agudas de malária”.

A empresa frisou que “qualquer uso deste medicamento no tratamento da Covid-19 é considerado como off label, ou seja, sem a autorização de comercialização para Covid-19, mesmo que a autoridade de saúde local recomende seu uso para essa indicação”.

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Em março, a organização Mundial de Saúde (OMS) foi definitiva contra o uso da substância no tratamento da Covid-19. Após revisar seis ensaios clínicos com 6.000 pessoas, os especialistas da entidade concluíram que a hidroxicloroquina não influencia as taxas de infecção e, provavelmente, aumenta o risco de efeitos adversos, como problemas cardíacos. “A hidroxicloroquina não é mais uma prioridade de pesquisa”, afirmaram os especialistas.

PhD em Farmacologia, Thiago de Melo, professor de Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica, do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, aponta os riscos da utilização da hidroxicloroquina na terapia dos pacientes infectados pelo novo coronavírus.

“Recentemente, a literatura tem apresentado os problemas de arritmia cardíaca pela associação (de medicamentos). Então, quando se fala em hidroxicloroquina é importante lembrar que esses indivíduos não estão somente tomando essa substância. Esse que é o verdadeiro problema. A hidroxicloroquina é um medicamento arritmogênico, mas o problema principal é a sua associação com a azitromicina que também é”, explica Melo.

“Essas duas drogas juntas representam uma outra conversa. Nesse caso, estamos diante de uma interação medicamentosa. E detalhe, há pouca discussão sobre isso, como não é uma associação comum ao longo da história, muitas pessoas que apresentam quadro de parada cardíaca devido a essa associação podem cair na conta das mortes por Covid-19”, salienta o professor.

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