Profissionais de saúde do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação após consumirem café em uma área interna da unidade. O caso, apurado pelos portais Metrópoles e g1, mobilizou a direção do hospital, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal.
Segundo as informações divulgadas, pelo menos 11 profissionais, entre técnicos de enfermagem e um enfermeiro, relataram mal-estar. Inicialmente, a suspeita levantada era de intoxicação por psicotrópicos, mas o próprio IgesDF informou posteriormente que essa hipótese perdeu força diante do quadro clínico apresentado pelos trabalhadores, que não evoluíram com sintomas graves e receberam alta.
A investigação ainda busca identificar o que provocou os sintomas. De acordo com o g1, a Polícia Civil apreendeu a garrafa térmica, a chaleira e o pote de café utilizados pela equipe. Os objetos serão periciados, e os profissionais foram encaminhados ao Instituto Médico Legal para exames toxicológicos.
Sintomas relatados e investigação em curso
Os profissionais relataram náuseas, tremedeiras, calafrios, tontura, dormência, sonolência e taquicardia, conforme informações divulgadas nas apurações. Alguns trabalhadores também afirmaram ter percebido gosto diferente na bebida antes do início do mal-estar.
Ao g1, o delegado-chefe da 33ª Delegacia de Polícia, Alexsander Traback, afirmou que, até o momento, o café é o único ponto em comum identificado entre os profissionais que passaram mal.
A apuração também verificou que o responsável por preparar a bebida consumiu o café e apresentou sintomas, o que reduz, segundo a investigação, a força da hipótese de envenenamento proposital.
Uma 12ª profissional que também tomou o café, mas não apresentou sintomas, foi chamada para realizar exame toxicológico, que poderá servir de comparação com os demais trabalhadores. A previsão informada é de que os resultados fiquem prontos em cerca de 30 dias.
Classes medicamentosas podem produzir sinais distintos
Embora a suspeita inicial de psicotrópicos tenha sido afastada pelo IgesDF como hipótese mais provável, o caso chama atenção para a leitura clínica e toxicológica de eventos compatíveis com exposição a substâncias de ação no sistema nervoso central.
Medicamentos com ação psicotrópica podem atuar por diferentes mecanismos, como modulação de receptores GABAérgicos, serotonérgicos, dopaminérgicos, noradrenérgicos ou histaminérgicos.
Dependendo da classe, da dose, da associação com outras substâncias e da condição clínica da pessoa exposta, os sinais podem variar de sonolência e confusão mental a agitação, alterações autonômicas, depressão respiratória, arritmias, náuseas, vômitos e alterações do nível de consciência.
Entre as classes que exigem atenção em suspeitas toxicológicas estão benzodiazepínicos e hipnóticos, antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores do humor, estimulantes do sistema nervoso central e alguns medicamentos com efeito anticolinérgico ou sedativo relevante.
A diferenciação depende de história clínica, avaliação dos sinais vitais, exame neurológico, evolução temporal dos sintomas, análise laboratorial e, quando disponível, exame toxicológico.
Farmacêutico hospitalar é peça estratégica na segurança institucional
Episódios como esse reforçam a importância dos sistemas de segurança relacionados a medicamentos e substâncias de risco dentro das instituições de saúde. É necessário compreender que a farmácia hospitalar ocupa uma posição estratégica na prevenção, rastreabilidade, controle e resposta a eventos suspeitos.
A atuação farmacêutica inclui gestão de estoque, controle de acesso, acompanhamento de medicamentos sujeitos a controle especial, padronização de processos, análise de riscos, farmacovigilância, orientação às equipes e apoio técnico em situações que envolvem suspeita de intoxicação ou exposição indevida.
Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente
Em ambiente hospitalar, a segurança medicamentosa depende de barreiras sucessivas. Protocolos de armazenamento, dispensação, devolução, segregação, identificação e registro reduzem vulnerabilidades e ajudam a proteger trabalhadores, pacientes e a própria instituição.
Resposta rápida preservou assistência e investigação
Segundo o IgesDF, a área relacionada ao episódio foi isolada para preservação do local, houve coleta de materiais para análise e registro de boletim de ocorrência na 33ª Delegacia de Polícia. A unidade também reorganizou escalas para manter o atendimento aos pacientes.
A presidente do IgesDF, Eliane Abreu, afirmou ao Metrópoles que a hipótese de intoxicação por psicotrópicos foi afastada pela ausência de sintomatologia mais expressiva e de sinais clínicos mais facilmente identificáveis. Ainda assim, os exames toxicológicos e as perícias serão fundamentais para esclarecer a origem do mal-estar.
O episódio mostra como eventos aparentemente restritos a uma rotina interna podem acionar uma cadeia complexa de vigilância, assistência, investigação e gestão de risco.
A leitura principal está na necessidade de fortalecer processos que sustentem a segurança hospitalar antes, durante e depois de qualquer ocorrência suspeita.
Nota do IgesDF
“O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) informa que está apurando a ocorrência registrada na manhã desta terça-feira (21) no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), após um grupo de colaboradores de um mesmo setor apresentar sintomas compatíveis com um quadro de intoxicação.
Assim que a situação foi identificada, a direção da unidade acionou imediatamente as equipes assistenciais, garantindo o atendimento aos colaboradores, o acolhimento necessário e a comunicação aos familiares.
Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias
Até o momento, 10 técnicos de enfermagem foram avaliados e permanecem em observação no Pronto-Socorro do próprio hospital. Todos os colaboradores encontram-se conscientes, orientados, hemodinamicamente estáveis e com saturação adequada em ar ambiente. Nenhum apresenta quadro grave.
Como medida imediata, a área foi isolada para preservação do local, foi realizada a coleta de materiais para análise e registrado Boletim de Ocorrência na 33° Delegacia a fim de subsidiar a investigação dos fatos pela Polícia Civil.
O IgesDF esclarece que a assistência aos pacientes do Hospital Regional de Santa Maria segue normalmente. As escalas de trabalho foram reorganizadas para garantir a continuidade dos atendimentos, sem qualquer prejuízo à assistência prestada à população.
O Instituto acompanhará a evolução clínica dos colaboradores, prestará toda a assistência necessária e permanecerá colaborando integralmente com as investigações para o completo esclarecimento da ocorrência.
O IgesDF reafirma seu compromisso com a transparência institucional, com a segurança de seus colaboradores e pacientes e com a oferta de uma assistência pública humanizada e de qualidade.”
Capacitação farmacêutica
Para o farmacêutico que deseja se capacitar e atuar em Farmácia Hospitalar ou Oncologia, o ICTQ oferece programas de pós-graduação alinhados às exigências atuais do mercado:
- Farmácia Hospitalar e Clínica
- Farmácia Clínica em Unidade de Terapia Intensiva
- Farmácia Hospitalar e Acompanhamento Oncológico
Utilize o cupom HOSPITALAROFF, para receber um desconto exclusivo
Fale com nosso time comercial e conheça mais sobre os cursos de pós-graduação do ICTQ, clicando aqui.




