Medicamento da Johnson & Johnson reduz risco de metástase e morte no câncer de próstata

A Johnson & Johnson divulgou novos resultados do Erleada, medicamento à base de apalutamida, em pacientes com câncer de próstata localizado de alto risco ou localmente avançado. Os dados, apresentados no encontro anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago, mostraram redução no risco de disseminação da doença ou morte quando o medicamento foi associado à terapia de privação androgênica antes e depois da cirurgia.

          O câncer de próstata é um dos tumores mais desafiadores para a saúde masculina. Essa é uma realidade comum ao farmacêutico oncológico, aparece na rotina de cuidado, acompanhamento e manejo de terapias antineoplásicas, especialmente quando o paciente enfrenta doença de maior risco, tratamentos prolongados, eventos adversos e necessidade de decisões terapêuticas individualizadas.

          Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a doença registra cerca de 71.730 novos casos por ano e aproximadamente 47 mortes diárias no Brasil. Embora muitos tumores possam ser controlados quando diagnosticados cedo, os casos de alto risco ainda representam grande preocupação, porque apresentam maior chance de recidiva, progressão e disseminação.

          Por isso os resultados do estudo ganharam repercussão internacional. Em um cenário no qual cirurgia e radioterapia continuam sendo pilares do tratamento, a possibilidade de intensificar a terapia no período perioperatório abre uma nova perspectiva para homens com maior risco de retorno da doença.

Estudo avaliou apalutamida antes e depois da cirurgia

          Os dados fazem parte do estudo PROTEUS, publicado no artigo “Perioperative Apalutamide in High-Risk Localized Prostate Cancer”, no The New England Journal of Medicine. O ensaio clínico avaliou a combinação de apalutamida com terapia de privação androgênica em pacientes recém-diagnosticados com câncer de próstata localizado de alto risco ou localmente avançado.

          O estudo foi de fase 3, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e multicêntrico. Ao todo, 2.109 pacientes foram distribuídos em dois grupos: 1.057 receberam terapia de privação androgênica associada à apalutamida, enquanto 1.052 receberam terapia de privação androgênica associada a placebo.

          O tratamento foi administrado em seis ciclos antes e seis ciclos depois da prostatectomia radical com dissecção de linfonodos pélvicos. Cada ciclo teve duração de 28 dias, e a dose de apalutamida utilizada foi de 240 mg ao dia.

          Os principais desfechos avaliados foram resposta patológica completa ou doença residual mínima e sobrevida livre de metástase. Em outras palavras, os pesquisadores buscaram saber se a associação reduzia a presença tumoral no momento da cirurgia e se retardava ou evitava a disseminação da doença.

Estudo mostrou redução no risco de metástase ou morte

          O estudo mostrou que a combinação de apalutamida com terapia de privação androgênica trouxe benefício em dois desfechos importantes: resposta patológica no momento da cirurgia e sobrevida livre de metástase.

          No momento da prostatectomia radical, 8,9% dos pacientes tratados com apalutamida associada à terapia de privação androgênica apresentaram resposta patológica completa ou doença residual mínima, contra 1% no grupo que recebeu terapia de privação androgênica com placebo.

          Isso significa que os pacientes tratados com o esquema envolvendo Erleada tiveram maior chance de apresentar pouca ou nenhuma doença detectável na próstata no momento da cirurgia, um dado relevante em tumores localizados de alto risco.

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          Além disso, o estudo mostrou melhora na sobrevida livre de metástase. A probabilidade de permanecer sem metástase em cinco anos foi de 78,2% no grupo da apalutamida, contra 73,5% no grupo placebo. O resultado correspondeu a uma redução de 20% no risco de metástase distante ou morte.

Medicamento atua bloqueando sinais que alimentam o tumor

          O Erleada, nome comercial da apalutamida, pertence à classe dos inibidores da via do receptor androgênico. Esses medicamentos atuam bloqueando sinais hormonais que estimulam o crescimento de células do câncer de próstata.

          A lógica do tratamento está ligada à biologia do tumor. Muitos cânceres de próstata dependem da sinalização androgênica para crescer e se manter ativos. A terapia de privação androgênica reduz a produção ou a ação desses hormônios. A apalutamida intensifica esse bloqueio ao atuar diretamente na via do receptor androgênico.

          No estudo, essa estratégia foi usada no período perioperatório, ou seja, antes e depois da cirurgia. A proposta é atacar a doença de forma mais intensa em um momento crítico, reduzindo a carga tumoral e o risco de disseminação futura.

          Atualmente, o Erleada já é usado em outros contextos do câncer de próstata associado à terapia hormonal. A novidade dos dados está na avaliação em pacientes com doença localizada de alto risco ou localmente avançada, antes de uma eventual aprovação específica para esse cenário.

Segurança também foi avaliada no estudo

          Além da eficácia, o estudo avaliou o perfil de segurança da combinação. Eventos adversos de grau 3 ou 4 ocorreram em 39,6% dos pacientes tratados com apalutamida e em 31% dos pacientes do grupo placebo.

          Segundo o artigo, a diferença foi impulsionada principalmente por maior incidência de rash no grupo tratado com apalutamida. A Johnson & Johnson informou que o perfil de segurança observado foi consistente com estudos anteriores do medicamento.

          Esse ponto é importante porque, em oncologia, benefício clínico precisa ser analisado junto ao risco de toxicidade. A melhora em desfechos como resposta patológica e sobrevida livre de metástase deve ser interpretada considerando eventos adversos, tolerabilidade, duração do tratamento e perfil do paciente.

          Para o farmacêutico oncológico, esses dados são especialmente relevantes. Novos esquemas terapêuticos exigem atenção a interações, eventos adversos, adesão, segurança, protocolos institucionais e acompanhamento do paciente ao longo do tratamento.

Câncer de próstata ainda impõe grandes desafios

          Apesar dos avanços, o câncer de próstata continua sendo uma das principais causas de adoecimento e morte entre homens. O desafio é ainda maior nos casos de alto risco, nos quais a chance de recidiva após tratamento local pode ser significativa.

          O próprio artigo publicado no The New England Journal of Medicine destaca que, mesmo com tratamento de intenção curativa, a recidiva pode ocorrer em até 50% dos pacientes dentro de cinco anos após a prostatectomia radical. Além disso, até 20% podem morrer em até dez anos em determinados grupos de alto risco.

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          Esses números ajudam a explicar por que a comunidade oncológica reagiu com tanta expectativa aos resultados. Reduzir metástases e adiar a progressão significa oferecer mais tempo, mais controle da doença e mais possibilidades terapêuticas para pacientes que antes teriam prognóstico mais limitado.

          Ainda assim, é preciso cautela. Os dados são promissores, mas a incorporação desse esquema em novas indicações depende de avaliação regulatória, protocolos clínicos e definição de quais pacientes podem se beneficiar de forma mais segura.

Avanço abre nova esperança para milhares de homens

          Os resultados do Erleada reacendem a esperança para pacientes com câncer de próstata de alto risco. Quando uma terapia mostra redução no risco de disseminação e morte em estudo de fase avançada, ela não muda apenas a conversa científica. Ela muda também a expectativa de pacientes, famílias e equipes de saúde.

          Para o farmacêutico que atua ou deseja atuar em oncologia, esse avanço reforça a necessidade de atualização constante. A área está cada vez mais marcada por terapias-alvo, tratamentos hormonais avançados, esquemas combinados, protocolos complexos e decisões orientadas por risco.

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          A atuação farmacêutica envolve avaliação de prescrições, preparo e acompanhamento de antineoplásicos e demais medicamentos em oncologia, análise de interações, monitoramento de eventos adversos, farmacovigilância, orientação e apoio à equipe multiprofissional.

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          O avanço apresentado pela Johnson & Johnson mostra que a oncologia segue em transformação. Para acompanhar essa evolução, o farmacêutico precisa dominar ciência, protocolos, segurança e cuidado, porque cada nova terapia aprovada pode representar uma nova oportunidade de vida para milhares de pacientes.

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