Novos medicamentos oncológicos: O que podemos esperar do futuro? Com o Prof° Leonardo Daniel

Novos medicamentos oncológicos: O que podemos esperar do futuro? Com o Prof° Leonardo Daniel

A Farmácia Clínica em Oncologia é uma das áreas mais promissoras e almejadas pelos farmacêuticos na atualidade. Cabe a eles a atuação na farmacoterapia de pacientes com câncer, como apontado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), ao estabelecer a competência do profissional em avaliar a medicação presente na prescrição médica de acordo com a quantidade, qualidade, estabilidade, interações e padronização dos componentes necessários no preparo dos medicamentos antineoplásicos. A formação e atualização constantes são indispensáveis para quem escolher seguir essa trajetória.

Segundo o farmacêutico, mestre em Farmacologia, especialista em Oncologia e Abordagem Multidisciplinar e professor do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Leonardo Daniel Mendes, trata-se de uma área que exige muito estudo, conhecimento e amor ao próximo.

“Primeiro espera-se que o profissional ame a profissão. Precisamos valorizar a profissão e o ser humano. É uma área que integra outras três: práticas humanísticas, ensino e pesquisa e assistencialismo. São três pilares que não podem, de maneira nenhuma, caminhar separados”, diz o professor.

Para ele, o futuro dos medicamentos para tratamento oncológico também é uma curiosidade, visto que, cada vez mais, surgem novas fórmulas, com frequência muito relevante, modernas, que aumentam a qualidade de vida, diminuem dor, reações e efeitos colaterais, e o mais importante: curam.

O professor fala que a farmacologia em oncologia é muito atuante e funciona de maneira visível, pois se vê, dia a dia, a melhora do paciente. Embora seja um segmento com diversos momentos tristes, não se pode esquecer o quão prazeroso é assistir a cura de uma pessoa, sabendo que se é parte do processo.

“É complicado eu falar de um futuro muito distante, porque eu também estou muito ansioso pelo que ainda vamos ver com o câncer. Há muito tempo ele era, praticamente, uma chance muito alta de óbito. Existem pessoas que nem gostam de falar o que era o câncer, porque acham que é uma doença que vai matar e fazer sofrer, e na prática estamos caminhando para uma oncologia mais robusta”, destaca o professor sobre a mudança de paradigma que já se vivencia. 

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A realidade já mostra o câncer deixando de ser uma doença aguda, com evolução rápida. “O que espero para o futuro é que os meus pacientes tenham qualidade de vida e dignidade, não tenham dor nem reações. É isso o que eu espero do futuro da oncologia”, complementa Mendes.

Desenvolvimento de novas terapias

O professor ressalta que no passado recente o câncer era tratado com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, práticas ainda utilizadas e que não estão sendo substituídas por nenhuma outra, contudo já se tem uma evolução de tratamentos considerável. O surgimento da chamada terapia alvo é o principal avanço.

A quimioterapia clássica age diretamente nas células. Quando foi criada, os estudiosos perceberam que as células cancerígenas possuem uma divisão acelerada, logo era necessário um medicamento que parasse essas células, no entanto acaba-se atingindo também células saudáveis, mas que se dividem rapidamente também, o que justifica a quantidade de efeitos adversos que o paciente apresenta quando está em tratamento quimioterápico. Assim são explicados vômito, náusea, queda de cabelo, mucosite, problemas gastrointestinais, entre outros.

“Apesar da quimioterapia ser extremamente válida, ela tem uma série de efeitos colaterais embutidos. Esse é um ponto muito intrigante para se pensar como eu posso melhorar para o meu paciente, como eu posso melhorar para ele ter menos efeitos colaterais, menos internações, menos infecções, para morrer menos de sepse”, indaga Mendes.

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Foram esses questionamentos que levaram ao desenvolvimento de novas terapias, que vêm garantindo, principalmente, uma maior sobrevida de pacientes. Antigamente, de acordo com o professor, a cada dez casos de câncer, sete resultavam em óbito. Hoje, o cenário é completamente diferente.

“Vamos pegar o câncer de mama: antigamente morriam 90% das mulheres, hoje dados do INCA - Instituto Nacional do Câncer dizem que 30% das mulheres, às vezes, acabam indo a óbito. Estou falando de uma taxa de sobrevivência de 60% e mesmo que fosse 5%, em se tratando de vida, seria algo grandioso, mas estou falando de 60% de melhoria de qualidade de vida”, celebra o professor.

Mendes reitera que o desenvolvimento de novas terapias para tratamento do câncer requer muita pesquisa e investimento da indústria farmacêutica, o que acaba onerando o preço desses medicamentos. Quanto mais moderno, mais caro se torna. Alguns são implementados pelos convênios de saúde, mas infelizmente o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro ainda caminha a passos lentos nesse âmbito.

“Eu tenho, sim, uma diferença gritante [entre SUS e Convênio] e eu espero que isso incomode vocês da forma que me incomoda saber que eu não tenho a chance de cura para os meus pacientes de maneira igualitária. O Brasil está começando agora a dar passos mais modernos no sentido de imunoterapia”, fala Mendes.

Tratamentos aliados

De acordo com o professor, embora a imunoterapia apresente menos efeitos colaterais do que a quimioterapia convencional, uma não anula a outra, na verdade são aliadas no tratamento. A quimioterapia ainda é o que se tem de mais seguro ao paciente, afinal já é estudada há décadas e permite um conhecimento avançado de todos os efeitos adversos, diferentemente dos medicamentos que vão surgindo e ainda não se sabe o que esperar deles a longo prazo.

Segundo Mendes, quando se fala de terapias alvo é preciso se discorrer sobre dois pontos de avanços muito importantes. O primeiro é que são medicamentos inovadores que vão surgindo com novas terapias - terapia gênica, de modulação, todo o mundo está querendo descobrir algo que melhore a sobrevida desses pacientes, inclusive o investimento pesado das indústrias para lucrar em cima desses novos medicamentos, ou mesmo apostando alto em pesquisas científicas. 

“E o segundo é a humanização do cuidado. Não adianta evoluir com quimioterapia, com os melhores medicamentos do mundo, se não houver qualidade de vida e humanização de cuidado para o meu paciente. Não tem como você dar o melhor medicamento, tratando de forma ruim. Óbvio que você vai cuidar da doença, mas o câncer envolve uma série de fatores, não é só fisiologia, tem psicológico, emocional familiar. É momento do profissional ser humano e isso falta um pouquinho ainda na classe hospitalar, olhar para o paciente como a gente olha para o próximo”, sentencia o professor.

A terapia alvo baseia-se na ação dos medicamentos exclusivamente ou quase exclusivamente direcionados às moléculas específicas das células tumorais, reduzindo as principais atividades sobre as células saudáveis e os efeitos colaterais.

As três premissas básicas de uma terapia alvo é biologia molecular, você tem de fato novas perspectivas de tratamento, locais de ação melhores, com menos efeitos colaterais; uma segurança embutida no processo; e uma terapêutica muito mais específica.

“Uma vantagem dessas pesquisas também é que existem vários medicamentos que são [administrados] via oral, então eu não preciso colocar um cateter no meu paciente, porque o cateter tem risco de flebite, de contaminar, pegar uma bactéria”, atesta Mendes.

O professor, no entanto, faz um alerta aos farmacêuticos clínicos, de que os efeitos colaterais do tratamento oral são os mesmos da via endovenosa, ou seja, também traz riscos consigo e precisa de acompanhamento mesmo que o paciente esteja em casa e não no ambulatório.

Segundo ele, existem, sim, efeitos colaterais gravíssimos do tratamento com imunoterapia, podendo ocasionar diversas “ites”, como miocardite, retocolite, hepatite, tiroidite, etc. Com esse tratamento se está super ativando o sistema imune do paciente, o que, obviamente, pode causar uma série de complicações, afinal tudo que foge do balanço é prejudicial. Essa superexpressão pode causar risco à vida do paciente, o que pode impossibilitar o tratamento de ir adiante.

“Para onde nós estamos indo hoje quando a gente pensa no futuro da imunoterapia? Estamos indo para um tratamento que é muito benéfico para os nossos pacientes, que é muito positivo em termos de efeitos colaterais, que é muito positivo em progressão, mas também possui desvantagens, [a principal] é que não é para todo mundo; aqui no país não é todo mundo que se beneficia, que tem acesso essa medicação”, instiga o professor.

Assista agora mesmo a webaula Novos Medicamentos Oncológicos: O que podemos esperar do futuro?, com o professor do ICTQ, Leonardo Daniel Mendes.

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