AFINAL, PODE BEBER DEPOIS DA VACINA?

AFINAL, PODE BEBER DEPOIS DA VACINA?

Frente a tantos casos de Covid-19 nos últimos tempos, parece até jocoso fazer a pergunta: “é possível beber depois da vacina?”...oras....o mais esperado seria a preocupação de que a pessoa já estaria ou não imunizada...a dúvida do álcool seria cômica se não fosse trágica!

O Brasil completou, em 17 de janeiro, um ano da primeira aplicação da vacina contra Covid-19. Já são mais de 148 milhões de pessoas com o esquema vacinal completo (69,4% da população). É possível que nunca tenha se falado tanto sobre vacina/vacinação na história, e no meio de tantas dúvidas, voltamos àquela que o brasileiro quer mesmo saber: “Posso beber depois de tomar a vacina?". A afirmação é de um levantamento do Google, obtido com exclusividade pelo Portal G1, sobre as buscas mais realizadas desde o início da campanha de imunização no País.

Segundo o levantamento, o interesse na questão foi tão grande que a frase foi 36% mais pesquisada que a segunda dúvida mais popular sobre o imunizante, que é “Qual a melhor vacina?”. Completam o top 10 das perguntas mais buscadas sobre vacina no Brasil nos últimos 12 meses:

  • “Onde tomar vacina?”; “Onde tem vacina?”;
  • “Quando vou ser vacinado?”;
  • “O que é logradouro?”;
  • “Qual a melhor vacina para Covid?”;
  • “O que são imunossuprimidos?”;
  • “O que é comorbidade?”; e
  • “Qual a vacina da Fiocruz?”.

Mas, afinal, pode ou não pode beber após tomar vacina? O professor do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, PhD em Farmacologia, Thiago de Melo, fala que é comum se observar uma certa preocupação com a saúde com relação ao álcool, porém o interessante é que não são os malefícios dele que mais chamam a atenção e, sim, curiosamente, as possíveis interações que existem entre medicamentos e álcool ou vacinas e álcool, justificando até a pergunta mais realizada no Google em relação à área de saúde. Segundo Melo, parece impressionante, mas as pessoas estavam mesmo preocupadas se podiam ingerir bebida alcoólica após o uso das vacinas.

“Não há nenhum trabalho, nenhum estudo, nenhuma evidência de que o álcool diminua a resposta vacinal, no entanto, como passamos por uma fase chamada de farmacovigilância, em que devemos observar os sinais e sintomas que os pacientes apresentam após a vacina, se ele fez ingestão de álcool e desenvolve um enjoo, nós não vamos conseguir saber se esse efeito colateral é da vacina ou do próprio álcool”, explica o professor.

Portanto, com relação à observação dos efeitos colaterais, não convém associar a vacina ao álcool. Além disso, uma chance de indisposição e desidratação podem ser aumentadas como o álcool, fazendo com que seu uso não seja sugerido. “Agora, respondendo de uma forma mais aguda, não existe comprometimento das respostas de imunidade nem celular ou humoral”, sentencia Melo.

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Álcool e medicamentos

O álcool é uma substância solúvel, o que o faz acessar rapidamente a corrente sanguínea, passando por vários órgãos e afetando, em especial, o fígado. De acordo com publicação do UOL/Viva Bem, os medicamentos, que são divididos por classes, como antibióticos, anti-inflamatórios e antidepressivos, por exemplo, quando chegam ao organismo são transformados em outras moléculas, que atuam no combate ao diagnóstico. Contudo, grande parte dos medicamentos sofre ação de enzimas no fígado, onde o álcool tem ação direta e é metabolizado. Assim, outras substâncias que dependem do fígado para funcionar, como alguns medicamentos, também sofrem alteração em seu metabolismo.

“Cada classe de medicamentos tem uma substância ativa, que tem uma realidade com o álcool. Existem situações em que o álcool não interfere em nada na resposta, e outras que podem potencializar, ou até diminuir efeitos dos medicamentos. Em relação a antibióticos, um chamado metronidazol, por exemplo, em caso de interação com bebida alcoólica, pode potencializar a ressaca”, destaca Melo.

Em geral, a sabedoria popular é categórica quando o assunto é álcool e antibióticos, principalmente. Se beber, o efeito do medicamento será cortado. O professor do ICTQ, ressalta, porém, que isso raramente acontece. “Na verdade, o que não queremos é somar os efeitos colaterais do álcool associados aos antibióticos”, afirma.

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Segundo o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), a interação de álcool com anti-hipertensivos deve ser evitada. A mistura de bebida alcoólica com substâncias, como o atenolol, pode ter efeitos aditivos em diminuir a pressão arterial. O indivíduo pode sentir dor de cabeça, tonturas, vertigens, desmaios e/ou alterações no pulso ou frequência cardíaca. Esses efeitos secundários são mais susceptíveis de serem vistos no início do tratamento, após um aumento da dose, ou quando o tratamento é reiniciado depois de uma interrupção.

“Em relação a anti-hipertensivos, o álcool pode aumentar ainda a chance de hipotensão - a chamada ‘pressão baixa’, podendo facilitar quedas, fraturas, principalmente de pacientes idosos”, alerta o professor.

Uma interação muito relevante é a potencialização do efeito depressor do sistema nervoso central (SNC) do álcool por ansiolíticos, hipnóticos e sedativos. A depressão resultante dessa interação pode causar até a morte por falência cardiovascular, depressão respiratória ou grave hipotermia.

“No caso de substâncias que deprimem o SNC, como o famoso rivotril, clonazepam, midazolam, elas podem ter os efeitos potencializados se interagirem com álcool e aumentar a chance de sonolência e até induzir a um quadro de anestesia geral de uma forma mais rápida, evoluindo, inclusive, para coma e depressão respiratória. Isso é o comum que o álcool promove em relação à potencialização de respostas”, conta Melo.

O professor lembrou da morte da cantora norte-americana Whitney Houston, resultado da combinação de álcool, Xanax e outras drogas de prescrição que ela vinha tomando. No Brasil, uma dose de uísque e um tranquilizante rivotril para dormir foi a mistura que levou o sertanejo Luciano - da dupla com Zezé Di Camargo, à internação na UTI, em 2011.

“Esses casos acontecem e, infelizmente, não são registrados como tal, dando uma ideia de que é um evento raro, mas precisamos ter uma cautela sobre a sucessão de álcool com medicamentos”, garante o professor.

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