Cuidados farmacêuticos no tratamento de dermatite seborreica

Cuidados farmacêuticos no tratamento de dermatite seborreica

Segundo estudos internacionais, a dermatite seborreica atinge um quinto da população mundial. Ela é uma doença que provoca irritação, inflamação e descamação da pele, podendo ser agravada por estresse emocional. Dependendo do quadro, ela pode ser tratada com produtos dermatológicos prescritos pelo farmacêutico.

Dermatite seborreica é uma doença dermatológica crônica, de caráter familiar e pode aparecer em qualquer idade, inclusive em recém-nascidos, que costumam ser acometidos no couro cabeludo (conhecida como crosta láctea).

O couro cabeludo, aliás, é o local mais comum de aparecer a enfermidade em adultos e adolescentes. Ela atinge também áreas da pele ricas em glândulas sebáceas, como a face, orelhas, pescoço e o tórax, além de regiões úmidas como a virilha.

“A dermatite seborreica atinge 20% da população do planeta. Estima-se que mais de 70% das pessoas terá, ao menos, um episódio leve ou moderado da doença ao longo da vida”, afirma em artigo para o site Beleza na Web a farmacêutica bioquímica, Marcela Buchaim, especialista em tricologia e terapia capilar.

A seborreica é um dos principais tipos de dermatites que incluem também as atópicas, de contato, de estase, eczema numular e disidrótico e neurodermatite. Embora suas causas sejam ainda pouco claras, acredita-se que a dermatite seborréia seja provocada por fatores genéticos, emocionais e ambientais. Diferente do que algumas pessoas pensam, ela não é causada por falta de higiene em geral. O diagnóstico é feito com base nos sintomas.

“A dermatite seborreica geralmente tem fundo emocional, que é agravado por estresse, clima e lavagem infrequente dos cabelos”, revela o farmacêutico e professor da pós-graduação em Atenção Farmacêutica em Doenças Dermatológicas no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Alípio Carmo.

Entre os fatores de risco para a doença estão a imunodeficiência, doença de Parkinson, epilepsia e síndrome de Down. “Pacientes portadores de HIV têm mais facilidade de ser acometidos pela dermatite seborreica”, salienta Carmo. A condição pode agravar-se durante o inverno. Segundo Marcela, o excesso de água quente no banho é um dos fatores que pioram o quadro da enfermidade.

De acordo com Carmo, a doença causa eritema, descamação (escamas graxentas), geralmente acompanhada de prurido. “Saem pedaços da pele, que muitos confundem como uma caspa”, diz o professor. Ela pode estar associada também a um fungo que compromete o couro cabeludo.

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“Na maioria das vezes, a dermatite seborreica compromete o couro cabeludo – o paciente pensa que é uma coisa simples, mas vai piorando, toma conta do couro cabeludo e pode migrar para o tórax, tanto parte anterior quanto posterior, geralmente próximo de onde tem pelo, e para região do rosto”, diz Carmo.

“A doença cria uma região inflamatória importante, fazendo a pele ficar muito comprometida. E pode avançar mais, até a virilha e demais áreas úmidas. Isso ocorre porque geralmente não foi tratada a doença de base, que era o estresse do paciente”, completa o professor, lembrando que as regiões mais próximas do couro cabeludo, como a testa, são as mais suscetíveis a ter o alastramento inicial da dermatite seborreica.

Tratamento e controle das crises de dermatite seborreica

O tratamento para os quadros mais graves de dermatite seborreica devem ser acompanhados por dermatologistas, que geralmente prescrevem corticoides de baixa potência, antifúngicos e imunomoduladores.

Se a dermatite seborreica for fúngica, vai precisar de medicamento tópico e oral, explica Marcela Buchaim. Caso seja atópica, pode melhorar com mudança de hábitos, como usar produtos de acordo com o tipo de couro cabeludo e banho rápido. “Trate de lavar os cabelos com água morna e não demore. Depois, os deixe secar. Se eles não tiverem tempo de secar e você ainda os prende molhados, isso pode causar uma caspa fúngica. Os cremes de tratamento para nutrição também são indicados”, aconselha.

Há também os tratamentos com produtos não sujeitos a receita médica, mas que resultam em bons resultados e envolvem o uso de tônicos capilares e para pele, cremes, loções, géis e pomadas.

“Existem várias substâncias vendidas no mercado de diversas marcas com intuito de tratar a dermatite seborreica como o coaltar, um derivado do alcatrão, com aroma e cor característicos que pode não ser bem tolerado, mas é extremamente eficaz. Loções de ácido salicílico e zinco, que estão em vários xampus e tratamentos para o couro cabeludo, e o selenium, hoje são mais difíceis de serem encontrados em xampus vendidos no mercado, mas é possível encomendar na farmácia de manipulação”, esclarece Carmo.

Ele lembra também do uso do óleo de melaleuca, que está crescendo dentro da área dermatológica para o controle das dermatites, tanto da área humana como para animais. “São bem eficientes”, diz.

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De acordo com Marcela, há procedimentos, como o uso de fórmulas esfoliantes, que ajudam a livrar o couro cabeludo das células mortas da pele e o acúmulo de produtos. “Se você tiver um couro cabeludo normal ou oleoso pode fazer a cada 15 dias. Agora, se tiver um couro cabeludo sensível não pode, pois corre o risco de provocar outras lesões”, frisa a farmacêutica.

O professor do ICTQ destaca que a atuação do farmacêutico é essencial para auxiliar os pacientes com problemas dermatológicos, promovendo o uso racional de medicamentos e produtos para a pele e couro cabeludo. “Para realizar a atenção farmacêutica em paciente que tenham problemas de pele é básico o conhecimento das patologias. Por exemplo, existem muitas dúvidas para identificar e diferenciar micoses e alergias”.

“No caso da dermatite seborreica, é preciso conversar com o paciente, achar a origem do que está acontecendo e recomendar a ele uma boa higienização da pele e do couro cabeludo para que se possa neutralizar ou melhorar a doença. Lembrando que, muitas vezes, utilizam-se corticoides, sendo que o problema é de fundo emocional. Então, isso não vai resolver", diz Carmo.

O professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ, Rafael Poloni, vai na mesma linha. “O uso de cremes, loções, pomadas com corticoesteroides não é recomendado, a não ser que seja por um prazo curto. Além disso, o farmacêutico deve orientar o paciente acerca da importância do tratamento precoce e das medidas preventivas das escoriações, principalmente do couro cabeludo”.

Para o tratamento, Poloni aconselha o uso de xampu com maior frequência, descontinuação de spray ou pomada de cabelo e uso de xampu contendo ácido salicílico, alcatrão, selênio, enxofre ou zinco. “O farmacêutico pode avaliar os sinais e sintomas do paciente, bem como prescrever formulações dermatológicas, por exemplo, para alívio. Entretanto, o médico deverá ser consultado”, adverte.

Saiba mais sobre os tratamentos para pele

Para os farmacêuticos interessados em desenvolver competências que permitam exercer a atenção farmacêutica de pacientes acometidos de doenças dermatológicas, o ICTQ oferece o curso Atenção Farmacêutica em Doenças Dermatológicas, ministrado pelo professor Alípio Carmo.

Carmo tem graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Paulista e mestrado em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) pela Universidade Federal de São Paulo. Atualmente é professor adjunto dos cursos de Farmácia, de especialização em Análises Clínicas e Farmácia Clínica e Hospitalar.

Confira abaixo um trecho das vídeo-aulas que fazem parte do curso oferecido pelo ICTQ.

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