Farmacêuticos listam cuidados com efeitos colaterais das vacinas

Farmacêuticos listam cuidados com efeitos colaterais das vacinas

A vacinação é uma das principais medidas de prevenção e proteção contra diversas enfermidades. Com a pandemia da Covid-19, a necessidade de uma vacina contra a doença se tornou imperativa. E ela veio em tempo recorde. Mas como qualquer medicamento, ela possui efeitos adversos, assim como ocorre com o imunizante da gripe. O Portal do ICTQ ouviu especialistas para saber como se proteger e orientar pacientes, no caso dos farmacêuticos.

Quem não se vacina coloca em risco não apenas a própria saúde, mas a de seus familiares, amigos e toda a comunidade, além de contribuir para aumentar a circulação de doenças, conforme atestam os cientistas. Graças à vacinação, ao longo das últimas décadas houve uma queda drástica na incidência de doenças que costumavam afetar milhares de pessoas todos os anos até a metade do século passado como coqueluche, sarampo, poliomielite e rubéola.

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Mas assim como qualquer droga, as vacinas apresentam efeitos colaterais, sendo que algumas pessoas sentem mais do que outras. Na maioria das vezes, o manejo das reações com medicamentos ou repouso é o suficiente. São raros os casos de efeitos graves e também de contraindicações ao imunizante.

Para sanar dúvidas sobre duas das vacinas que têm sido muito importantes – da gripe e da Covid-19 –, a equipe do Portal do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico ouviu dois farmacêuticos professores do ICTQ: Gustavo Mendes, gerente-geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e professor da pós-graduação de Assuntos Regulatórios, e Rafael Poloni, professor da pós-graduação de Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica.

Vacina da Gripe

Produzida com fragmentos do vírus influenza dos tipos A e B, a vacina contra a gripe está disponível todos os anos nos postos de saúde de todo o País. Ela age estimulando o sistema imunológico a produzir uma resposta de defesa contra diversas variantes do vírus da gripe, capazes de atacar e eliminar o vírus do organismo.

“As vacinas que temos contra a influenza dos tipos A e B são produzidas por meio da fragmentação e inativação do próprio vírus da gripe. É assim que ele consegue gerar os anticorpos e preparar o organismo para quando o vírus vier”, explica Gustavo Mendes. Além disso, o vírus da gripe é bastante mutável, fazendo circular cepas distintas com muita frequência”.

“O imunizante da gripe consegue oferecer proteção por um período de seis meses, porém é necessário que a reformule anualmente”, acrescenta Rafael Poloni. Segundo ele, sua formulação apresenta proteínas de diferentes cepas do vírus influenza que são definidas ano após ano, de acordo com a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que faz a vigilância nos hemisférios Norte e Sul. “Ao divulgar as novas cepas, as vacinas são atualizadas, ou seja, novas vacinas são fabricadas a partir dos de vírus que foram identificados pela OMS”, adiciona Mendes.

“Essas cepas vacinais são cultivadas em ovos embrionados de galinha e, por isso, as vacinas contêm traços de proteínas do ovo. Dessa maneira, existe vacina trivalente, com duas cepas de vírus A e uma cepa de vírus B, e vacina quadrivalente, com duas cepas de vírus A e duas cepas de vírus B”, completa Poloni.

As recomendações do Ministério da Saúde, segundo Poloni, são para que as pessoas se imunizem contra a gripe comum. “É uma excelente forma de proteger idosos, profissionais da saúde e pessoas com doenças crônicas a evitar infecções respiratórias causadas pelos vírus influenza”, diz.

Efeitos colaterais

Segundo os professores, os efeitos colaterais mais comuns da vacina da gripe incluem dor, vermelhidão e endurecimento no local da aplicação, que ocorrem em 15% a 20% dos indivíduos vacinados. Porém, essas reações costumam ser brandas e somem em até 48 horas. Do mesmo modo, existem outras alterações, denominadas de sistêmicas que também são benignas e breves, como febre, mal-estar, cefaléia, sintomas gastrointestinais e dor muscular, que afetam de 1% a 2% dos vacinados. Elas aparecem de seis a 12 horas após a vacinação e persistem por um a dois dias, sendo mais comuns na primeira vez em que se toma a vacina. Reações anafiláticas são bem raras. Além disso, vale ressaltar que não há diferença em relação a faixa etária para a manifestação dos efeitos colaterais citados.

Os cuidados a serem adotados são aqueles para manejo da reação e incluem compressas frias que aliviam a reação no local da aplicação. Em casos de dor mais intensa ou febre, é recomendado o uso de analgésicos e antitérmicos, além de repouso. 

Contraindicações

A contraindicação geral é para o indivíduo que tem hipersensibilidade a qualquer um dos componentes da fórmula do imunizante. “Isso significa se uma pessoa tiver alguma reação alérgica a algum componente da vacina ela não deve tomá-la”, frisa Mendes. “E se tiver a reação após a tomada da vacina deve-se fazer o seu manejo para evitar qualquer problema”, completa.

“Pode haver contraindicação para pessoas com alergia grave (anafilaxia) a algum componente da vacina, ou a dose anterior, o que ainda é considerado um fenômeno raro”, esclarece Poloni. “Em relação à proteína do ovo, existem atualmente numerosos estudos que demonstram que a vacina da gripe cultivada em ovos é segura, mesmo se aplicada em indivíduos com alergia ao ovo, uma vez que só possui traços desse componente”.

Mito da infecção pela vacina

Um fator associado à vacina da gripe é que ela pode causar a doença. Os especialistas frisam que isso não passa de mito. “Pelo fato de ser inativada, ou seja, não possuir o vírus vivo, não existe possibilidade de a vacina da gripe causar a própria doença”, assinala Poloni. A impressão está associada a alguns efeitos adversos da vacina, como febre, mal-estar e dor muscular, que acometem 1% a 2% dos vacinados, mas que persistem por apenas um a dois dias. “Esse mito existe porque as reações adversas da vacina são parecidas com os sintomas da gripe. As pessoas acham então que com gripe, mas na verdade estão tendo uma reação da vacina”, salienta Mendes.

Vacina da Covid-19

Diversas tecnologias estão sendo adotadas nas vacinas contra a Covid-19, desde as clássicas – como as vacinas de vírus inteiros inativados e atenuados, sub-unitárias proteicas, recombinantes – até as novas plataformas, de ácidos nucleicos (DNA e mRNA) e vetores virais. O principal alvo dos imunizantes é a proteína S (spike), responsável pela ligação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) com as células humanas. “Apesar das diferentes abordagens e tecnologias, em termos de ação, as vacinas em geral buscam promover a geração de anticorpos e também a resposta celular, que seria produzir células de defesa contra o vírus quando ele efetivamente vier”, diz Mendes.

As vacinas de vírus inteiros inativados são formuladas com base no SARS-CoV-2 inativado. Essa inativação é feita por substâncias químicas que destroem o material genético do vírus, impedindo a sua replicação e evitando o desenvolvimento da doença. “Ainda assim, a cápsula do vírus é mantida na íntegra, onde está a proteína S, que é responsável pela ligação e penetração em nossas células. Como exemplo podemos citar a vacina do Instituto Butantan/Sinovac, a Coronavac”, revela Poloni.

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Já as vacinas de vetores virais não replicantes são produzidas a partir da inserção do gene que codifica a produção de proteína S, responsável pela ligação do novo coronavírus com as células do organismo, dentro de outro vírus que não causa doença nas pessoas. E este ainda é modificado para que seja incapaz de se replicar dentro do organismo e causar alteração no genoma das células. De acordo com Poloni, esse é considerado apenas um vetor da informação genética para que as células humanas passem a fabricar a proteína S. Como exemplos pode-se citar a vacina da Fiocruz/Oxford/Astrazeneca, que utiliza adenovírus de chimpanzé, assim como a da Janssen/J&J, que utiliza adenovírus humano 26 (Ad26).

Por fim, as vacinas de RNA mensageiro (mRNA) são baseadas no desenvolvimento de um mRNA sintético, que será apresentado ao nosso organismo e o ensinará a fabricar a proteína S do SARS-CoV-2. Entre essas vacinas está a da Pfizer/Biontec.

Será necessária vacinação anual da Covid-19 como ocorre com a da gripe?

Essa é uma das questões acerca do imunizante da Covid-19 mais debatidas nos últimos meses entre cientistas do mundo inteiro. O governo do Estado de São Paulo se antecipou e disse que vai iniciar o ciclo de vacinação anual contra o novo coronavírus a partir de janeiro de 2022, assim como já acontece com o vírus H1N1. O anúncio foi realizado ontem (19/7) pelo secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Para Gustavo Mendes, ainda não dá para dizer se será necessário vacinar todos os anos. “Observamos que há algumas variantes importantes do novo coronavírus, mas ainda não está fechada essa necessidade. Até o momento, há algumas variantes importantes de interesse epidemiológico, mas não são todas. Na verdade, existem mais de 20 mil variantes do coronavírus. Só que é preciso que os dados sejam gerados para que possamos chegar à conclusão de que será necessário vacinar todo ano ou até mais de uma vez por ano”.

Rafael Poloni faz coro a Mendes. “Até o momento, as pesquisas seguem em andamento, com intuito de determinar a duração da imunidade conferida pelas vacinas contra a Covid-19. Só poderemos ter as respostas para essas e outras perguntas conforme mais estudos forem realizados nas populações vacinadas para determinar se a vacinação anual ou com periodicidade diferente será necessária”.

Efeitos colaterais

De acordo com os especialistas, tomando como base os efeitos adversos mais comuns da vacina da Covid-19, eles não são muito diferentes dos do imunizante da gripe. “São os efeitos colaterais comuns de todas as vacinas. Estão relacionadas à dor no local da picada, febre, mal-estar, cefaléia, enjoo. Dependendo da vacina e da tecnologia da vacina da Covid-19 temos associado mais ou menos sintomas. Eventos muito raros não devem ser considerados”, explica Mendes.

Poloni acrescenta que, no geral, algumas pessoas podem apresentar efeitos colaterais leves, como dor no local da injeção, dores musculares ou febre. “Essas alterações fazem parte da resposta do sistema imunológico à vacina. Porém elas não significam que você está com Covid-19”, diz o professor. “Por outro lado, não ter nenhum dos efeitos colaterais comuns depois de tomar a vacina não significa que ela não tenha gerado imunidade”, ressalva Poloni.

Quando ocorrem, as reações à vacina passam rapidamente, em questão de um a dois dias, segundo os especialistas. Nesse caso, assim como no caso da vacina da gripe, o paciente deve fazer o uso de analgésicos e antitérmicos para melhora do quadro de dor ou febre.

Contraindicações

Segundo os especialistas, a principal contraindicação em relação à vacina da Covid-19 diz respeito à hipersensibilidade ao princípio ativo ou qualquer excipiente da vacina. “É importante que pessoas com histórico de reação alérgica grave a qualquer componente da vacina consultem um profissional de saúde antes de se vacinarem contra a Covid-19. Já se a pessoa sofrer de alergias não relacionadas a algum componente das vacinas contra a Covid-19, não há contraindicação ao seu uso”, diz Poloni

“No caso específico da vacina da Astrazeneca, foi colocado na bula como contraindicação os pacientes que sofreram trombose venosa ou arterial importante em combinação com trombocitopenia após a vacinação com qualquer vacina usada para Covid-19. Então, somente na situação em que a gente sabe que a pessoa pode ter uma reação trombótica importante é colocada essa contraindicação na bula”, acrescenta Mendes.

“Os casos de trombose são raros e, de acordo com o Ministério da Saúde, os benefícios da vacina superam a possibilidade desse efeito adverso. De qualquer maneira, os pacientes devem ficar atentos a sintomas como falta de ar, dor no peito, inchaço ou dor nas pernas e dor abdominal”, finaliza Poloni.

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