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Brasil deve iniciar produção de vacina russa contra Covid-19 em novembro

Marcelo de Valécio   20 Outubro 2020   5057   Farmácia Clínica
Brasil deve iniciar produção de vacina russa contra Covid-19 em novembro

Autoridades russas anunciaram à imprensa nesta segunda-feira (19/10) que acordo entre o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e o laboratório União Química permitirá que a vacina Sputinik V seja produzida no Brasil já a partir da segunda quinzena de novembro, informou a Agência Brasil. As primeiras doses devem chegar à população em janeiro.

Na coletiva de imprensa, o diretor executivo do fundo russo, Kirill Dmitriev, destacou que o processo de transferência de tecnologia já começou. A produção deve ser feita em larga escala com previsão de as primeiras doses estarem disponíveis no Brasil no início de 2021.

O presidente da União Química, Fernando de Castro Marques, confirmou ao Estadão o acordo com os russos e a estimativa de disponibilidade da vacina. “Faltam algumas etapas legais a serem cumpridas, como a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, disse. “Mas estamos fazendo todo o esforço para resolver tudo no menor espaço de tempo possível. Tenho esperança de que em janeiro já haja algo disponível sim; não será ainda uma grande produção, mas parte da vacina”.

Em setembro, técnicos brasileiros estiveram no Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da vacina na Rússia. Além da liberação da Anvisa, eles aguardam a chegada de especialistas russos para acompanhar o início da produção da Sputnik V.

Segundo as autoridades russas, a produção da vacina também deve ocorrer na Coréia do Sul, China e Índia, país em que os lotes também devem começar a ficar prontos neste ano. Na América Latina, Dmitriev revelou que o Brasil é um parceiro confiável e com um mercado importante e antecipou que novos acordos devem ser anunciados com o Peru e a Argentina.

Dmitriev contou que a Rússia pretende produzir 1,2 bilhão de doses, sendo 200 milhões somente para a América Latina. O executivo disse ainda que os países devem buscar construir um portfólio próprio com mais de uma opção de vacina e defendeu que a tecnologia utilizada pelos russos esteja entre elas.

A União Química produzirá vacinas também para outros países da América Latina, de acordo com o contrato firmado com os russos, apurou o Estadão. O número de doses do imunizante que pretende produzir e os valores que serão cobrados não foram informados pela empresa.

“Não temos contrato firmado ainda, mas estamos presentes no País inteiro e pretendemos disponibilizar a vacina para o sistema particular e público, para quem tenha interesse de comprar”, explicou o presidente do laboratório ao jornal. “Não sabemos o preço que será cobrado ainda, mas será algo acessível, nada absurdo”. Ele revelou que a União Química tem uma planta biotecnológica pronta para a produção em larga escala do imunizante e que, se a demanda for crescente, pretende investir na expansão.

Vacina é a única a usar dois tipos de adenovírus

A Sputnik V utiliza a tecnologia de vetor viral, em que outro tipo de vírus é modificado e utilizado para transportar informações genéticas do novo coronavírus. Também funcionam dessa forma as vacinas da AstraZeneca/Oxford, da Johnson & Johnson e da CanSino. Contudo, a Sputnik V é a única entre elas a usar dois tipos diferentes de adenovírus humano como vetores virais, um em cada uma das duas doses previstas, apurou a Agência Brasil.

As demais vacinas desse tipo utilizam apenas um tipo de adenovírus, humano ou de chimpanzé, para carregar informações genéticas do novo coronavírus e desencadear a resposta imunológica do organismo. Na entrevista à imprensa, diretor do Instituto Gamaleya, Denis Logunov, explicou que a estratégia de usar dois adenovírus diferentes busca produzir uma imunidade mais duradoura.

Logunov também afirmou que os testes clínicos na Rússia não precisaram ser interrompidos por qualquer ocorrência de efeitos adversos graves. Até agora, segundo ele, os principais efeitos reportados foram febre, dor no local da aplicação e mal estar leve. Ainda segundo o diretor do Gamaleya, a capacidade da vacina de induzir a produção de anticorpos seria de 100%. A imunidade perduraria por até dois anos.

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Em setembro, os primeiros resultados das fases 1 e 2 de ensaios clínicos foram publicados na revista científica The Lancet, mostrando que a vacina é capaz de induzir resposta imune e é segura. Atualmente a fase 3 está em teste na Rússia. A Anvisa informou que, até o momento, não recebeu pedido de registro para a Sputnik V, revelou o Estadão.

O governo do Paraná também firmou acordo para a produção da vacina, com transferência de tecnologia. Ainda não há informações sobre se o governo federal irá firmar algum acordo com a Rússia para disponibilizar o imunizante pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além da transferência de tecnologia para produção local, a Rússia também vai vender doses da vacina diretamente para vários países. O governo da Bahia anunciou a compra de 50 milhões de doses diretamente dos russos, apurou o jornal.

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