Farmacêutico aponta necessidade de investir na produção interna de insumos

Farmacêutico aponta necessidade de investir na produção interna de insumos

Em entrevista à revista Encontro, o farmacêutico Renato Alves da Silva (foto), presidente da Hipolabor Farmacêutica, destaca que “a ausência de uma política pública nacional independente que invista recursos na indústria farmoquímica evidenciou uma grande falha”, que ficou evidenciada com a pandemia, com a falta de insumos provocada pela restrição de mercados como a China e a Índia.

Com a crise sanitária mundial provocada pelo novo coronavírus, alguns gargalos do mercado farmacêutico se tornaram mais evidentes. A questão dos insumos farmacêuticos foi um deles. Desde meados do ano passado, a indústria farmacêutica vem sofrendo com a importação de matérias-primas da China. O país iniciou um programa de melhoria nas condições ambientais para reduzir a imensa poluição que assola grande parte do seu território.

Algumas unidades que poluíam demais acabaram fechadas. Isso impactou na produção e no preço dos insumos farmacêuticos ativos (IFA). Quando produção chinesa começava a se regularizar, as fábricas conseguiram se adequar às novas exigências ambientais, surgiu a Covid-19, que colocou de cabeça para baixo o mercado novamente. Outro grande produtor, a Índia, também foi abalada pela pandemia.

“Atualmente, Índia e China dominam a produção de ingredientes ativos e, obviamente, não podemos depender de outros países para a produção desses insumos”, destaca Renato Alves da Silva. “O mundo todo consome os farmoquímicos desses dois países e com isso sofremos um abalo gigante na cadeia de suprimentos. Precisamos criar, urgentemente, uma política nacional para investir na indústria de base”.

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Silva lembra que logo no começo da pandemia a indústria farmacêutica informou ao governo que poderia ocorrer a falta de medicamentos importantes. “Em abril já era possível analisar o que estava ocorrendo na Ásia, onde a pandemia teve início, e sua consequente propagação para a Europa. No final de maio e início de junho houve uma falta absurda de sedativos nesses países”. Segundo a revista Encontro, representantes da indústria chegaram a avisar o Ministério da Saúde da possibilidade de desabastecimento.

“No início de abril tentamos manter diálogo com os órgãos competentes, alertando sobre essa realidade. Contudo, não tivemos muita receptividade. Naquele momento o governo afirmava que estava preparado, o que infelizmente não condizia com a realidade. Era tudo muito novo e outras prioridades estavam em foco, tais como a falta de leitos de UTI e de álcool gel”, revela o farmacêutico.

Segundo ele, a indústria brasileira é extremamente desenvolvida e competitiva e soube dar a resposta. “Trabalhamos com tecnologia de ponta e somos um dos poucos países do mundo na corrida para produção da vacina”. Para o farmacêutico, esse potencial da indústria foi importante para que o País começasse a enfrentar a pandemia. “De modo geral, o setor farmacêutico tem protagonizado iniciativas essenciais no combate e tratamento do novo coronavírus. Parcerias realizadas com governos e organizações de saúde têm auxiliado muito na contenção do vírus. Graças às frentes de trabalho realizadas em conjunto, o nível de desabastecimento de medicamentos vem sendo reduzindo e milhares de vidas têm sido salvas”.

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Outro ponto positivo apontado por Silva diz respeito à curva de aprendizado provocada pela Covid-19. “Tudo tem ocorrido em uma velocidade que ainda não tínhamos visto na história da humanidade. O desenvolvimento da vacina em tempo recorde é um grande exemplo. Penso que isso se deve, em grande parte, à evolução de tecnologia de comunicação”.

Apesar de destacar a agilidade no desenvolvimento das vacinas, o farmacêutico enfatiza a importância de não pular fase para sua conclusão. “A vacina ideal é aquela desenvolvida cumprindo todas as etapas necessárias. O que não podemos afirmar sobre a vacina produzida na Rússia que, para mim, será a nova roleta russa do mundo moderno, literalmente. Isso porque requisitos mínimos de segurança foram descartados. Chega a ser irresponsável”, adverte.

Já a vacina do Instituto Butantan, em parceira com a Sinovac, ele acredita que deve ser a primeira a entrar em circulação. “Prometeram para dezembro deste ano, mas acho muito rápido. A expectativa real é que comece a circular em fevereiro de 2021, em uma média de 60 milhões de doses. O que atenderia apenas um quarto da população. Mas a distribuição só ocorrerá uma vez que a eficácia da vacina for comprovada e houver o registro”.

Outro aspecto analisado pelo farmacêutico diz respeito ao uso de medicamentos sem comprovação científica, como tem ocorrido com a pandemia. Para ele, essa corrida às farmácias é temerário. “O uso correto de drogas que, de fato, ajudam o paciente a se recuperar, entre elas os anti-inflamatórios, anticoagulantes e antibióticos que têm sido fundamentais na luta contra esse vírus. Mas, enfatizo, não existe medicamento preventivo para a Covid-19”.

“Como farmacêutico, acho absurdo divulgar profilaxias que não tenham comprovação científica de sua eficácia. Sou totalmente contra a automedicação. Nada justifica um indivíduo saudável fazer uso de medicamento como forma preventiva por acreditar que estará protegido. O efeito rebote disso é o relaxamento das medidas efetivas de higiene e de prevenção como uso de máscara e álcool gel”, finaliza.

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