Muito está sendo ventilado sobre uma suposta falta de qualidade e segurança atribuída às preparações magistrais estéreis de agonistas GLP-1. Boa parte das informações, falsas ou propositalmente distorcidas, atribuem a esses produtos carência de testes, controles e até ilegalidade, equiparando preparações magistrais a produtos contrabandeados. No fim, os representantes das farmácias de manipulação reclamam que todas essas informações não passam de falácias e calunias contra um setor extremamente estratégico e importante para a difusão do acesso ao medicamento.
Mito da clandestinidade e falta de segurança: o primeiro ponto a ser esclarecido é que preparações magistrais de agonistas GLP-1 são legais, com respaldo na RDC 67/2007, e as farmácias de manipulação que os produzem são devidamente fiscalizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Vigilância Sanitária (Visa), Polícia Federal, Polícia Civil e tantos outros órgãos do Estado.
Estabelecimentos com atividades fora dos padrões são prontamente interditados até devida regularização, conforme informações frequentes veiculadas na mídia. Informações que infelizmente não são divulgadas, são dos estabelecimentos que cumprem com todos os requisitos necessários para produção do agonista GLP-1, passaram pela inspeção de órgão sanitários e seguem produzindo medicamentos de alta qualidade, sob os critérios da Anvisa de Boas Práticas de Fabricação, e a preços acessíveis.
Mito da falta de qualidade: outro ponto sempre vinculado ao tema dos agonistas GLP-1 é uma suposta falta de qualidade dos insumos, processos e medicamentos produzidos pelas farmácias magistrais. Tais notícias; geralmente patrocinadas e influenciadas por interesses corporativos ou sindicatos e associações polarizadas, sustentadas pela indústria farmacêutica; raramente trazem dados claros e pontos objetivos, por isso, é fundamental buscar, junto a especialistas do setor, informações claras sobre as preparações magistrais.
Critérios de qualidade das magistrais são superiores aos da indústria
Todas as farmácias fiscalizadas pela Anvisa que seguem abertas usam tirzepatida de fornecedores que atendem a todos os requisitos exigidos. Isso inclui Drug Master File (DMF) ou documentação técnica do insumo farmacêutico ativo (IFA), com qualidade equivalente aos utilizados em registros de medicamentos das grandes indústrias farmacêuticas, pois os critérios de qualidade exigidos pela Nota Técnica 200/2025 para as farmácias magistrais chega a ser superior em relação aos requeridos para a indústria farmacêutica de análogos de GLP-1, a exemplo de critérios para caracterização de padrão analítico ou mesmo especificações de impurezas.
Além disso, 100% dos IFAs utilizados pelas farmácias magistrais que seguem abertas, passaram por mais de uma dezena de testes rigorosos em território nacional em laboratórios Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (Reblas), e a Anvisa auditou e confirmou todos os resultados antes da liberação do insumo para uso já no seu processo de importação. Das farmácias magistrais pesquisadas, mais de 15 solicitações de liberações de Agonistas GLP-1 foram realizadas à Anvisa somente em 2026, e todas foram aprovadas.
Importante ressaltar que boa parte das farmácias magistrais tem investido em automação e validações de seus processos de produção. Seguindo os melhores padrões produtivos de medicamentos do mundo, em níveis comparáveis aos de indústria farmacêutica, diversas empresas tem investido em Validações de Processo, Validação de Limpeza (onde se prova o gerenciamento do risco de contaminação por substâncias entre um lote e outro após limpeza dos equipamentos produtivos), Estudos de Estabilidade etc. Tudo isso para agregar ainda mais qualidade aos produtos magistrais.
Manipulação oferece segurança e qualidade igual aos medicamentos de referência
O fato é que os produtos magistrais apresentam segurança e qualidade equivalentes aos medicamentos de referência (a exemplo do Mounjaro). Conforme a NT 200/2025, para liberação em controle de qualidade de preparações magistrais de agonistas GLP-1, os produtos devem passar por diversos testes incluindo técnicas analíticas avançadas como Cromatografia Líquida de Alta Performance (do inglês HPLC) e Espectrometria de Massas (do inglês LCMS) equivalentes aos utilizados pelas grandes indústrias farmacêuticas e por laboratórios Reblas (os mesmos também utilizados pelas indústrias farmacêuticas).
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Dados do setor magistral nacional demonstram que das mais de 200 preparações magistrais analisadas conforme a NT 200/2025, um percentil superior a 95% apresentou resultados satisfatórios equiparáveis ao medicamento de referência, tanto em teor do ativo quando no perfil de impurezas.
E se existe um percentil de aprovação, isso mostra que existe critério antes do produto ser entregue ao paciente, que é justamente o contrário ao que tem sido ventilado por vias maliciosas.
Mitos a parte, a grande verdade é que preparações magistrais de agonistas GLP-1 apresentam qualidade igual à de medicamentos industrializados. Dados discutidos demonstram de forma clara o comprometimento com a qualidade e avanços do setor de magistrais na produção de medicamentos seguros e de qualidade, ampliando o acesso da população ao tratamento.
E contra fatos e dados não há argumentos. A farmácia magistral produz medicamentos com o nível de qualidade industrial, e de forma totalmente regular perante as normas da Anvisa. O que os players magistrais reclamam é que não se pode imprimir ao setor (e ao produto que dele provém) um rótulo malicioso, a fim de denegrir a imagem das farmácias de manipulação, ou seja, quando não se consegue competir com o talento de gerar acesso à saúde com custos mais acessíveis, se tenta manchar a sua imagem.
O que é consenso: o medicamento da farmácia magistral possui, com certeza, qualidade e segurança!
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