Presidente da Anvisa critica postura de Bolsonaro na pandemia

Presidente da Anvisa critica postura de Bolsonaro na pandemia

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, ontem (11/5), o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, disse a senadores ser contrário ao comportamento e frases do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia e às vacinas, revelou O Globo. “Eu entendo que não ajuda”, afirmou.

Torres chegou a dizer, conforme o jornal, que a população não deve seguir as condutas adotadas por Bolsonaro. “Apesar da amizade entre eu o presidente, a conduta do presidente difere da minha nesse sentido”, disse o dirigente sobre o uso de máscaras, tratamento precoce e isolamento social. “As manifestações que faço têm sido todas no sentido do que recomenda a ciência”, completou.

O presidente da Anvisa também se manifestou contrário à politização das vacinas. Sobre as críticas de Bolsonaro à Coronavac, ele assinalou que “é ruim a situação onde a ciência acaba se misturando com a área política”. E acrescentou: “Eu entendo que não ajuda. Eu coloco esse tipo de declaração numa verdadeira guerra política numa área que deveria ficar eminentemente na área da ciência”.

Criticar vacinas é algo que inclusive não tem razoabilidade histórica, acrescentou o presidente da Anvisa, segundo a BBC News Brasil. “Se estamos todos sentados aqui nessa sala é porque um dia o pai ou mãe nos pegou pela mão e levou para vacinar”.

Outra crítica de Torres está relacionada ao tratamento precoce com cloroquina para conter a infecção causada pelo novo coronavírus, que ele diz ser contrário. “Até o presente momento, no mundo todo, os estudos apontam a não eficácia comprovada em estudos ortodoxamente regulados, ou seja, placebos controlados, duplo-cego e randomizados”.

Ele também confirmou na CPI o que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta havia contado antes aos senadores sobre a sugestão de mudança da bula da hidroxicloroquina para que fosse incluído o tratamento da Covid-19. Isso ocorreu, segundo Torres, em uma reunião no Planalto da qual participaram, além dele e de Mandetta, o então ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, e a médica Nise Yamaguchi.

Defendido por Nise, esse documento “provocou uma reação talvez deseducada, deselegante minha. Porque, talvez vossa senhoria não saiba, mas aquilo não poderia ser, porque só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas desde que solicitado pelo laboratório. Isso me causou uma reação mais brusca de que ‘isso não tem cabimento, não pode’”, salientou Torres aos senadores.

Segundo a BBC, Nise Yamaguchi disse em nota que está à disposição da CPI para dar seu depoimento e afirmou que as declarações do presidente da Anvisa “não representam a realidade”.

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Apesar dessa reunião ‘fora dos padrões’, Torres insistiu que não houve nenhum tipo de ingerência do Governo sobre a atuação do órgão regulador sobre cloroquina e não recebeu demandas para facilitar seu uso. Ele frisou que a Agência não se deixa influenciar pelo lobby de empresas farmacêuticas interessadas na liberação de medicamentos e vacinas contra a Covid-19.

“A única pressão sobre a Anvisa são os 410 mil mortos”, afirmou o presidente da Anvisa, em referência às vítimas fatais da pandemia no Brasil. Torres ressaltou ainda que “não há possibilidade de que um diretor exerça poder sobre as pessoas” na Anvisa, porque os técnicos servidores usam seus próprios CPFs para fazer as autorizações. “Seria preciso um poder sobrenatural para que toda uma coletividade de técnicos se convencesse de mudar de opinião (comprometendo os próprios CPFs)”, conforme a BBC.

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Cloroquina não funciona

Estudos científicos já demonstraram que a cloroquina e sua derivada hidroxicloroquina não trazem qualquer benefício contra a Covid-19. Em março, a OMS foi definitiva contra o uso da substância no tratamento da Covid-19. Após revisar seis ensaios clínicos com 6.000 pessoas, os especialistas da entidade concluíram que a hidroxicloroquina não influencia nas taxas de infecção e, provavelmente, aumenta o risco de efeitos adversos, como problemas cardíacos. “A hidroxicloroquina não é mais uma prioridade de pesquisa”, concluíram os especialistas.

Os próprios fabricantes não recomendam o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Quatro indústrias farmacêuticas que fabricam esses medicamentos no Brasil vetaram seu uso para tratar a doença.

PhD em Farmacologia, Thiago de Melo, professor de pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, aponta os riscos da utilização da hidroxicloroquina na terapia dos pacientes infectados pelo novo coronavírus.

“Recentemente, a literatura tem apresentado os problemas de arritmia cardíaca pela associação (de medicamentos). Então, quando se fala em hidroxicloroquina é importante lembrar que esses indivíduos não estão somente tomando essa substância. Esse que é o verdadeiro problema que, inclusive, tem sido pouco comentado na mídia. A hidroxicloroquina é um medicamento arritmogênico, mas o problema principal é a sua associação com a azitromicina que também é”, explica Melo.

“Essas duas drogas juntas representam uma outra conversa. Nesse caso, estamos diante de uma interação medicamentosa. E detalhe, há pouca discussão sobre isso, como não é uma associação comum, ao longo da história, muitas pessoas que apresentam quadro de parada cardíaca devido a essa associação podem cair na conta das mortes por Covid-19”, salienta o professor.

A ser questionado no fim do depoimento à CPI se tinha usado cloroquina quando teve Covid-19, Torres limitou-se a dizer que não, segundo apurou a BBC.

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