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União Química aponta falta de competência administrativa do Butantan e Fiocruz

Van Martins   28 Abril 2021   4242   Indústria Farmacêutica
União Química aponta falta de competência administrativa do Butantan e Fiocruz

À espera de autorização sanitária para lançar a vacina Sputnik V no Brasil, o presidente e dono da farmacêutica União Química, Fernando de Castro Marques, disparou contra o Instituto Butantan e a Fundação Fiocruz.

Em entrevista concedida ao portal NeoFeed, Marques criticou as entidades, afirmando que nelas não “existe competência administrativa profissional”. Além disso, ele falou sobre a aprovação da vacina, considerando que há “excesso de zelo” das autoridades.

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Marques afirmou que a discussão das vacinas foi “totalmente politizada”, e isso é uma defesa dos interesses das duas empresas estatais que mantêm esse monopólio junto ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), pois, antes, achavam que iriam dar conta da produção e isso não ocorreu. Em seguida, ele criticou a gestão das entidades e foi categórico ao afirmar que não existe competência administrativa nelas.

“Temos excelentes cientistas na Fiocruz e no Butantan, mas os administradores são tecnocratas despreparados e politizados. Não são pessoas que poderiam estar fazendo uma administração competente dentro de grandes organizações.”

Quanto à Anvisa, Marques citou que a União Química já entregou 18 mil páginas do processo de aprovação da Sputnik e que, semanalmente, os técnicos da empresa se reúnem com a entidade. Ele pontua que há muito rigor, e assim que deve ser, mas, questiona se o mesmo ocorreu com as vacinas que já obtiveram aprovação de uso no País.

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Trâmites da Sputnik no Brasil

É importante recordar que a União Química está em trâmite para conseguir aprovar a vacina russa Sputnik V no Brasil. Aliás, desde janeiro a farmacêutica busca importar 10 milhões de doses do imunizante.

No entanto, nesta segunda-feira (26/04), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou, por unanimidade, o pedido de importação da vacina russa por considerar que há falta de dados e risco de doenças por falha em fabricação.

Além da tentativa de importação, a União Química investiu R$ 100 milhões para fabricar a vacina no Brasil e, deve, a partir de junho, conseguir produzir 8 milhões de doses por mês.

Grande parte dessa produção será vendida aos Estados do Norte e Nordeste, que já encomendaram cerca de 60 milhões de doses. Além disso, independentemente da aprovação, a empresa vai exportar a vacina para países como Argentina, Uruguai, Peru, Bolívia, entre outros que já tem aprovação do imunizante.

O que impede a aprovação da Sputnik?

Na reunião sobre a aprovação da Sputnik que ocorreu ontem (26/04), o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, pontou que embora os resultados dos estudos clínicos que atestavam a segurança e eficácia da Sputnik V foram publicados na The Lancet, revista científica de renome, isso não é uma garantia de aprovação por uma autoridade sanitária, conforme destacou o portal a BBC Brasil.

"Uma avaliação sanitária é diferente da que é feita por uma revista científica. Uma revista científica não tem por objetivo recomendar ou não o uso de uma vacina, nem tem o compromisso de verificar boas práticas clínicas ou tem como pressuposto o acesso a todos os dados brutos e laudos", destacou Mendes.

Mendes, que também é professor da pós-graduação de Assuntos Regulatórios do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, indagou:

"Como, por exemplo, vamos ter confiança nos dados de eficácia se não temos acesso ao diagnóstico das pessoas (que participaram do estudo) que tiveram Covid-19?"

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