A trajetória da farmacêutica Raquel Carvalho à frente da Labotrat sintetiza um movimento cada vez mais evidente no mercado farmacêutico brasileiro: o avanço de profissionais que ultrapassam a atuação técnica e assumem posições estratégicas na construção de negócios de grande escala.
O que começou, em 2012, como um laboratório de 35 metros quadrados em Fortaleza se transformou em uma indústria com faturamento anual de R$ 230 milhões, produção diária de cerca de 200 mil unidades e presença em aproximadamente 100 mil pontos de venda no país. A meta agora é alcançar R$ 1 bilhão até 2030.
O crescimento que nasce da visão farmacêutica
A expansão da Labotrat não ocorreu apenas pela qualidade dos produtos, mas pela combinação entre conhecimento técnico e visão de negócio. A fundadora construiu sua base profissional dentro da indústria farmacêutica, atuando com desenvolvimento, validação, escalonamento industrial e processos regulatórios.
Esse histórico influenciou diretamente o modelo da empresa, que adotou padrões de qualidade típicos do setor farmacêutico na produção de dermocosméticos. O chamado “DNA Farma”, como a própria empresária define, não se limitou à formulação, mas se estendeu à estrutura produtiva, ao controle de processos e à estratégia de crescimento.
Ao mesmo tempo, a experiência no varejo permitiu compreender o comportamento do consumidor e transformar demanda em portfólio. Antes de consolidar a indústria, Raquel Carvalho passou uma década à frente de uma loja física, onde desenvolveu leitura de mercado, negociação e posicionamento de produtos.
Esse cruzamento entre ciência e gestão foi determinante para que a empresa crescesse com consistência e alcançasse escala nacional e internacional.
Expansão exige estratégia, não apenas conhecimento técnico
O avanço da Labotrat para o ambiente digital, a consolidação no canal farma e a entrada em mercados internacionais mostram um cenário cada vez mais competitivo e estruturado. A empresa passou a operar com estratégias omnichannel, integração de canais de venda e presença simultânea em varejo físico, e-commerce e marketplaces.
A expansão para a América Latina e o início das operações na Europa indicam um novo patamar de complexidade, que envolve não apenas produção, mas logística, regulação internacional, marketing e gestão financeira.
Esse tipo de crescimento exige decisões baseadas em análise de mercado, planejamento e governança. Não se trata apenas de desenvolver bons produtos, mas de posicioná-los corretamente, escalar operações e sustentar o negócio no longo prazo.
A lacuna silenciosa no mercado farmacêutico
O caso da Labotrat evidencia um ponto que ainda recebe pouca atenção: o mercado farmacêutico brasileiro possui oportunidades claras na área de gestão, mas enfrenta escassez de profissionais farmacêuticos preparados para ocupá-las.
Indústrias, distribuidoras, redes de farmácia e empresas do setor cosmético demandam profissionais capazes de atuar em áreas como estratégia, expansão, gestão comercial, desenvolvimento de portfólio e posicionamento de mercado. No entanto, muitos desses cargos acabam sendo ocupados por profissionais de outras áreas, justamente pela ausência de farmacêuticos com formação voltada à gestão de negócios.
Na prática, isso cria um descompasso. O setor cresce, os produtos se tornam mais complexos, o mercado se expande, mas a formação tradicional ainda está muito concentrada na dimensão técnica, deixando lacunas na preparação para funções estratégicas.
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O farmacêutico como gestor de negócios em saúde
A indústria farmacêutica, o varejo e o segmento de dermocosméticos operam hoje em um ambiente que exige integração entre ciência, mercado e gestão. O farmacêutico que compreende essa dinâmica passa a atuar não apenas na formulação ou na dispensação, mas na construção de negócios que impactam diretamente o acesso da população a produtos de saúde.
Gestão de portfólio, definição de estratégias comerciais, análise de comportamento do consumidor e expansão de mercado fazem parte da rotina de empresas que operam nesse setor. Nesse contexto, a presença de um farmacêutico com visão de negócio contribui para decisões mais alinhadas à realidade técnica dos produtos e às necessidades do mercado.
O crescimento de empresas como a Labotrat não é um caso isolado, mas um indicativo de que o setor está se transformando e abrindo espaço para profissionais com esse perfil híbrido.
Qualificação como resposta a um mercado em transformação
Diante desse cenário, a formação voltada exclusivamente para a área técnica já não acompanha todas as demandas do mercado farmacêutico. A atuação em posições estratégicas exige preparo em gestão, visão de mercado e capacidade de tomada de decisão.
A Pós-Graduação em Gestão de Negócios Farmacêuticos do ICTQ surge como uma resposta a essa lacuna, preparando o farmacêutico para atuar em funções que vão além da prática tradicional. O curso aborda desde planejamento estratégico até gestão comercial e expansão de negócios, alinhando o conhecimento técnico à lógica do mercado.
Hoje, existem vagas abertas em diferentes segmentos do setor farmacêutico que demandam esse tipo de perfil. O desafio não está na falta de oportunidades, mas na ausência de profissionais farmacêuticos qualificados para ocupá-las.
Em um mercado que cresce, se profissionaliza e amplia sua complexidade, desenvolver competências em gestão deixa de ser uma alternativa e passa a ser um caminho concreto para quem busca protagonismo na indústria e nos negócios que levam saúde e cuidado à população.
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