Planejamento financeiro e tributário para consultórios farmacêuticos

Planejamento financeiro e tributário para consultórios farmacêuticos

O planejamento financeiro é um ponto primordial para a administração dos recursos de investimentos em qualquer negócio. Ele é o primeiro passo para o sucesso, auxiliando o administrador na direção de ações coerentes ao objetivo da empresa e na criação de metas e projeções, servindo de subsídio para as decisões estratégicas seguras. Além disso, a realização de um planejamento tributário assertivo pode evitar problemas fiscais e ajudar a projetar a margem de lucro, além de ajudar a calcular melhor o preço dos produtos.

Primeiramente, a eficácia da gestão financeira para as pequenas empresas, por exemplo, é uma questão de sobrevivência. No centro de qualquer negócio estão os custos, e saber controlá-los é uma das garantias de longevidade. A gestão financeira é um conjunto de ações e procedimentos administrativos que envolvem planejamento, análise e controle das atividades da empresa, com objetivo de melhorar seu desempenho econômico.

No caso dos consultórios farmacêuticos, um planejamento de finanças adequado requer que o controle de gastos e as previsões de faturamento sejam bem discriminados, possibilitando a avaliação da saúde financeira do estabelecimento. A gestão financeira deve ser realizada da forma mais íntegra possível, para que o farmacêutico possa cuidar de todas as questões relacionadas à sua profissão.

“Quando um farmacêutico pensa em abrir um consultório, nós temos duas opções de mercado: um consultório independente e um consultório dentro de uma farmácia ou drogaria. Se falarmos em consultório independente, o farmacêutico tem que pensar em duas ações. A primeira delas é o suporte financeiro, ele precisa ter preparado um caixa para montar um negócio e depois se manter sem depender desse dinheiro de seis a 12 meses, para que haja tempo de o negócio adquirir estrutura”, fala o professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Ricardo Leite.

Se a opção for montar um consultório dentro de uma farmácia ou drogaria, Leite avalia como sendo o caminho mais curto, porque tanto a farmácia como a drogaria, por menor que sejam, já possuem um público-alvo. Logicamente, em um primeiro momento, o farmacêutico terá parte do lucro do que aquele estabelecimento já recebe.

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O professor conta que dá para o profissional fazer um reinvestimento para montar esse consultório, adaptando um espaço físico já existente e o adequando também para atender à legislação. E, claro, ter sempre em mente que a receita que virá do negócio, no começo, tende a ser pequena e crescerá com o tempo, ou seja, não dá para depender dela.

“Para ambos os casos, a minha sugestão é que o farmacêutico faça um plano de negócios. Ele pode fazer esse plano, pode realizar um curso para saber como fazê-lo ou buscar ajuda de órgãos como Sebrae, que fomentam o empreendedorismo no Brasil. Dentro do escopo do plano de negócios, o farmacêutico terá a previsão orçamentária e ali fará a simulação para ele ter o cenário de como isso vai ocorrer. Seja um consultório independente ou dentro de uma farmácia, ambos precisam de um plano de negócios”, reitera Leite.

Apoio do contador é fundamental

A professora do ICTQ, Giovanna Dimitrov, ressalta que o farmacêutico tem que fazer a gestão do negócio para que tenha uma visão geral. Segundo ela, a maioria dos farmacêuticos não têm essa visão, porque o quesito gestão não é algo repassado fortemente na graduação. É imprescindível que ele identifique quais são as suas deficiências, para pode agir.

“Você pode achar um farmacêutico que é bom na planilha de excel, mas é raro. Ele precisará contratar alguém que tenha esse domínio, que faça bem esse tipo de análise, para que ele possa cuidar do que ele é bom de fato, porque o tempo hoje é muito importante. Quanto tempo se tem para cuidar do negócio e quanto tempo o farmacêutico tem para aprender excel, por exemplo? Melhor contratar alguém que saiba fazê-lo, saiba gerir, saiba cobrar informação que é mais importante do que parar e começar a fazer uma coisa que nunca fez ou que não tem tanta habilidade”, afirma Giovanna.

De acordo com a professora, existem custos diretos e indiretos em um negócio. Os serviços farmacêuticos, diferentes da venda de um produto, possuem outros tipos de impostos. O setor de serviços tem outra substituição tributária. Além disso, há os custos que são só fixos, como aluguel e mobiliário. O empresário terá de imaginar que investirá no negócio para que dê resultado em longo prazo. Giovanna diz que somente o consultório, sem a venda de um produto, tem um nível de dificuldade maior. O ideal é já ser conhecido no mercado para seguir essa trajetória.

“Eu costumo falar que cada consulta demora em média 30 minutos. Dependendo de quantas horas o consultório ficará aberto, digamos que em uma farmácia de 12 horas, se o farmacêutico não fosse ao banheiro, não almoçasse, não jantasse, não tivesse outras atribuições, seriam 24 consultas. E além disso, tem-se que imaginar, que esse cenário é em médio e não em curto prazos, para conseguir ter um pouco de equilíbrio no que ele imagina que vai trazer retorno para ele. O planejamento dos custos que ele terá é uma planilha bem grandinha que o contador manda para preenchermos todas as informações e impostos também”, detalha Giovanna.

O contador tem que ser peça fundamental, porque existem custos que o farmacêutico nem imagina. Tem a questão do imposto de renda também. A professora ressalta que médicos e dentistas, por exemplo, já têm isso bem mais claro na mente, porque são profissionais que têm o contador como aliado e os farmacêuticos não costumam olhar por esse viés.

Retorno financeiro

Segundo Giovanna, o retorno financeiro do consultório farmacêutico dependerá muito de quanto se investiu, do lugar do consultório. Os êxitos que a professora tem acompanhado tem muito mais a ver com sala de atendimento dentro de farmácias, quando se consegue reverter os clientes, até porque ninguém vai a um consultório farmacêutico, a pessoa vai até a farmácia.

“O consultório farmacêutico não é destino da pessoa, por isso que acaba ficando mais fácil o retorno a partir da localização em uma farmácia comum, em uma drogaria normal. Esse retorno depende do investimento, quem faz pouco investimento, no máximo em dois anos já consegue pagar tudo. Estando o consultório em uma farmácia se ganha a fidelização do cliente e ele continuando a comprar no seu estabelecimento, investindo mais na própria saúde”, afirma a especialista.

Em resumo

O empresário de farmácias e fundador da Avant Fiscal, empresa de inteligência fiscal para farmácias e drogarias, Wagner Tavares, contou que para um bom planejamento financeiro é preciso saber os gastos com despesas e investimentos que serão feitos. A ideia é suprir as necessidades da empresa, mas também gerar melhores resultados e utilizar os recursos financeiros de forma eficiente, fazendo com que não falte dinheiro no fim de cada mês. É preciso se organizar, acima de tudo, com as contas a pagar e receber.

  1. É preciso saber a situação real da empresa, ou seja, qual sua capacidade de investimento e quais as despesas que serão geradas com a operação.
  2. Importante definir qual o objetivo do planejamento financeiro. Controlar gastos e organizar a empresa, são alguns dos objetivos.
  • Plano de ação ou modo de funcionamento: é por meio desse plano que as ações serão descritas nos mínimos detalhes, para que o objetivo seja alcançado.
  1. DRE ou Demonstrativo do Resultado do Exercício é uma forma de medir os resultados operacionais e não operacionais. Por meio do DRE é possível confrontar os indicadores de receitas, despesas, investimentos, custos e provisões apurados.

São custos fixos a serem incluídos no planejamento: locação, energia, água, farmacêutico (mão de obra) e software. Os custos variáveis equivalem a todo e qualquer material utilizado para o atendimento e impostos sobre atendimento.

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Planejamento tributário

No planejamento tributário é fundamental ter o contador como aliado. É dele a missão de conhecer os tributos cobrados, o primeiro passo para não ser surpreendido nos negócios. Segundo a Endeavor, organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo, já não é dúvida para nenhuma empresa que realizar um bom planejamento tributário pode evitar problemas fiscais e ajudar a projetar com mais acerto sua margem de lucro, além de calcular melhor o preço de seus produtos.

Primeiramente, antes de qualquer ação de planejamento, é necessário conhecer quais impostos incidem sobre a atividade de uma empresa, no caso de um consultório farmacêutico, já que podem haver variações, inclusive na classificação dos níveis de Governo.

O planejamento tributário exige uma análise das várias opções de modalidades de tributos federais, estaduais e municipais, de acordo com o porte, o volume de negócios, e a situação econômica da empresa, para que possa ser escolhida a melhor forma de recolher impostos com menos despesas.

“Para o planejamento tributário, o contador é determinante para orientar o farmacêutico. Eu sugiro não fazer sozinho. O sistema tributário brasileiro é um sistema muito complexo. Você precisa de ajuda de um especialista para você não pagar imposto que não deve pagar e não deixar de pagar impostos que têm que ser pagos”, ateste Leite.

Giovanna reforça que planejamento tributário é puramente trabalho de contador. Ela explica que quando se efetua a compra, dependendo do Estado, é possível pagar mais ou menos impostos. Assim, o produto pode ser mais barato ou mais caro. As grandes empresas, sem dúvida, se atentam muito mais a isso, logo o produto delas acaba saindo mais barato, porque compram melhor e em maiores volumes.

“Planejamento tributário é o estudo e gerência do pagamento de impostos de uma empresa com o objetivo de organizar seus tributos da maneira mais barata, reduzindo a carga tributária incidente sem descumprir as leis. No atual cenário em que estamos inseridos, onde as margens de lucro ficam cada vez menores, buscar melhorar a rentabilidade por meio da diminuição do pagamento dos impostos se torna uma obrigação, ou até mesmo a sobrevivência do negócio. Dessa forma, a elisão fiscal se torna obrigatória para quem pretende melhorar os resultados da empresa”, enfatiza Tavares.

Segundo ele, com esse novo cenário pós-pandemia e o sucateamento do atendimento público pelo Estado, o atendimento farmacêutico se torna uma alternativa viável e barata para a população procurar o primeiro atendimento para seus problemas de saúde. Para o empresário desse segmento, é uma forma de aumentar sua receita e rentabilidade, mas, principalmente, de cuidar da saúde da população que busca esse atendimento.

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