Canetas emagrecedoras já foram usadas em 33% dos domicílios brasileiros, aponta pesquisa

Canetas emagrecedoras já foram usadas em 33% dos domicílios brasileiros, aponta pesquisa

O uso de canetas emagrecedoras deixou de ser um fenômeno restrito às classes de maior renda e passou a fazer parte da rotina de milhões de famílias brasileiras. Pesquisa nacional do Instituto Locomotiva mostra que 33% dos domicílios no Brasil declaram ter pelo menos um morador que utiliza ou já utilizou medicamentos como Ozempic, Mounjaro, Wegovy ou similares.

Na primeira onda do levantamento, realizada no final de 2025, esse percentual era de 26%. Na segunda rodada, feita em fevereiro de 2026, o índice subiu para 33%, revelando avanço acelerado da adesão a esses medicamentos no país.

O tema também já alcançou alto nível de conhecimento popular. Apenas 6% dos brasileiros afirmam nunca ter ouvido falar das canetas emagrecedoras. Além disso, 6 em cada 10 dizem conhecer alguém que utiliza ou já utilizou esse tipo de tratamento.

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Uso avança também nas classes CDE

Embora o consumo ainda seja mais frequente entre famílias de maior renda, a pesquisa mostra que as canetas emagrecedoras já chegaram a diferentes perfis sociais. Nos domicílios da classe AB, 39% registram uso dos medicamentos. Nas classes CDE, o percentual já chega a 30%.

Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, os dados mostram que o assunto deixou de ser distante e passou a ocupar o cotidiano das famílias brasileiras.

“As canetas emagrecedoras deixaram de ser um assunto distante e viraram um fenômeno vivido no cotidiano. Quem teve experiência tende a avaliar de forma positiva e a recomendação aparece como termômetro social de confiança”, afirmou.

Menos doces, snacks e delivery

O levantamento também revela que o uso desses medicamentos começa a impactar diretamente os hábitos de consumo. Entre os domicílios com usuários de canetas emagrecedoras, 95% registraram redução no consumo de pelo menos uma categoria de alimentos ou bebidas.

As maiores quedas foram observadas em doces, snacks e salgadinhos, com 70%; bebidas açucaradas, com 50%; massas e outros carboidratos, com 47%; bebidas alcoólicas, com 45%; e alimentos ultraprocessados, com 42%.

O impacto também aparece no setor de alimentação fora do lar. Segundo a pesquisa, 47% dos domicílios relataram diminuição na frequência de ida a restaurantes, enquanto 56% apontaram redução nos pedidos de delivery e fast food.

“O que os dados revelam é que o fenômeno tem uma segunda camada, já que há uma redução no consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas, e, em alguns casos, queda de gasto. Isso significa que a discussão não é só sobre um medicamento, é sobre comportamento. Se o acesso ampliar, o mercado precisa se preparar para um consumidor que compra diferente”, avaliou Meirelles.

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Mercado informal preocupa

Apesar da alta taxa de recomendação, já que 78% dos usuários afirmam que indicariam o produto a familiares, o preço ainda é apontado como o principal limitador de acesso. Mesmo assim, 76% dos entrevistados acreditam que os valores estão se tornando mais acessíveis.

A busca por preços menores, no entanto, tem levado parte dos consumidores ao mercado informal. Cerca de 40% dos usuários admitiram ter adquirido o medicamento sem receita médica, pela internet ou no exterior, cenário que acende alerta para riscos sanitários, uso sem acompanhamento profissional e possível exposição a produtos irregulares.

“Se a barreira de preço for derrubada, o uso tende a crescer com força. E parte dos usuários já tenta encurtar esse caminho recorrendo a compras sem receita, online ou internacionais. A possível quebra de patentes pode acelerar esse movimento, ampliando o acesso e mudando o tamanho do mercado”, afirmou Meirelles.

Impacto para o farmacêutico

Para o farmacêutico, o avanço das canetas emagrecedoras amplia a necessidade de orientação segura, dispensação responsável e acompanhamento do paciente. O crescimento do uso sem receita, especialmente por vias informais, exige atenção redobrada para riscos relacionados à procedência, conservação, dose, indicação clínica e eventos adversos.

Mais do que uma mudança no mercado de medicamentos, os dados mostram uma transformação no comportamento de consumo das famílias brasileiras. O desafio agora é garantir que esse avanço ocorra com informação qualificada, segurança sanitária e participação ativa dos profissionais de saúde.

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