Professor do ICTQ alerta para temporada de gripe mais intensa nas farmácias

Professor do ICTQ alerta para temporada de gripe mais intensa nas farmácias

A temporada de gripe chegou mais cedo e com maior intensidade ao Brasil, aumentando a procura por atendimento, testes, vacinas e medicamentos para sintomas respiratórios. Boletins recentes da Fiocruz apontam alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em quase todas as unidades federativas, com circulação simultânea de influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e covid-19.

A alta demanda chega rapidamente às farmácias. Aos primeiros sinais de febre, tosse, dor no corpo, coriza ou congestão nasal, muitos pacientes procuram o farmacêutico antes de buscar uma unidade de saúde. Isso exige preparo para diferenciar quadros respiratórios, orientar vacinação, evitar uso inadequado de medicamentos e reconhecer sinais que exigem encaminhamento imediato.

Ano após ano, o vírus influenza sofre mutações, especialmente por variações antigênicas que alteram suas proteínas de superfície. Por isso, a composição da vacina precisa ser atualizada periodicamente, enquanto diferentes cepas podem circular em momentos distintos e modificar a intensidade da temporada. Especialistas descrevem o período de gripe em 2026 como atípico, com circulação mais precoce do vírus e aumento de casos antes do período historicamente esperado para o pico da doença.

A farmácia, por estar próxima da população, se torna um ponto estratégico de prevenção e cuidado. Mas essa proximidade aumenta também a responsabilidade profissional. Em uma temporada respiratória intensa, uma boa anamnese farmacêutica pode evitar automedicação, uso desnecessário de antibióticos, atraso no atendimento médico e agravamento de pacientes vulneráveis.

Ano exige vigilância clínica mais cuidadosa

O ICTQ ouviu o professor Daniel Jesus, Mestre em Farmacologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Vice-Presidente do Conselho Regional de Farmácia de Goiás e docente com mais de 25 anos dedicados ao ensino de Farmacologia.

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Para ele, a temporada atual exige atenção reforçada na farmácia e nos serviços clínicos farmacêuticos.

“Neste ano, a vigilância clínica precisa ser redobrada. Estamos vendo uma circulação mais intensa e adiantada de vírus respiratórios, especialmente a influenza, o que aumenta o risco de casos mais graves”, afirma.

O professor destaca que o farmacêutico não deve olhar apenas para os sintomas iniciais. Também precisa avaliar fatores de risco, como idade avançada, gravidez, doenças cardíacas, diabetes, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e imunossupressão.

“Um acompanhamento mais próximo e o encaminhamento rápido podem mudar o rumo da doença”, orienta.

Essa leitura é especialmente importante porque a gripe pode começar como um quadro comum, mas evoluir para complicações, sobretudo em crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e pacientes imunossuprimidos.

Gripe, resfriado, rinite, sinusite ou covid?

Um dos desafios da temporada respiratória é que muitos quadros começam de forma parecida. Nariz entupido, tosse, dor de garganta, coriza e mal-estar podem estar presentes em diferentes condições, mas o tratamento e a gravidade não são os mesmos.

Daniel Jesus explica que alguns sinais ajudam o farmacêutico a conduzir melhor a orientação, “A gripe geralmente chega com febre alta, dor no corpo, cansaço extremo e aparece de repente. O resfriado é mais leve, com nariz escorrendo e espirros como principais queixas. A rinite alérgica causa coceira no nariz, espirros em sequência e não tem febre”

A sinusite, por sua vez, costuma trazer dor no rosto, sensação de pressão na cabeça e secreção nasal persistente. Já a covid-19 pode variar bastante, mas ainda pode se manifestar com febre, tosse, dor de garganta e, em alguns casos, perda de olfato ou paladar.

Para o professor, a conversa com o paciente continua sendo indispensável. Antes de sugerir qualquer conduta, o farmacêutico precisa entender início dos sintomas, intensidade, duração, presença de febre, doenças prévias, medicamentos em uso, vacinação recente e sinais de agravamento.

Sinais de alerta exigem encaminhamento

Nem todo quadro gripal pode ser manejado apenas com orientação na farmácia. Alguns sintomas indicam risco de agravamento e exigem atendimento médico imediato.

Os principais sinais de alerta são falta de ar, dificuldade para respirar, saturação baixa, dor ou aperto no peito, confusão mental, sonolência excessiva, desidratação grave e piora rápida do estado geral.

Em crianças, o farmacêutico deve observar sinais como recusa alimentar, prostração, dificuldade respiratória e redução importante da atividade habitual. Em idosos, a confusão mental pode ser uma das primeiras manifestações de gravidade.

“Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente”, reforça Daniel Jesus.

A recomendação é ainda mais importante quando o paciente pertence a grupos de risco. Pessoas com doenças crônicas, gestantes, imunossuprimidos e idosos podem evoluir de forma mais rápida e apresentar complicações como pneumonia, descompensação de doenças de base e SRAG.

“Algo forte para gripe” pode ser perigoso

Durante períodos de alta circulação viral, é comum o paciente chegar à farmácia pedindo “algo forte para gripe”. Essa frase, aparentemente simples, pode esconder diferentes situações: febre alta, automedicação prévia, uso de remédios combinados, expectativa por antibiótico ou risco de interação medicamentosa.

A conduta começa pela anamnese. O farmacêutico deve perguntar quais sintomas o paciente apresenta, há quanto tempo, se houve febre, se há falta de ar, quais medicamentos já foram usados, se existem doenças crônicas e se a pessoa faz uso contínuo de outros tratamentos.

“Muitas vezes, o paciente quer um antibiótico ou anti-inflamatório sem precisar. É importante explicar que a gripe é causada por vírus e que antibióticos não funcionam contra eles”, afirma o professor.

O cuidado também vale para medicamentos isentos de prescrição. Descongestionantes podem elevar pressão arterial ou causar palpitações. Anti-inflamatórios exigem cautela em idosos, hipertensos, pacientes renais, cardíacos ou em uso de anticoagulantes. Antigripais combinados podem duplicar substâncias já presentes em outros medicamentos e aumentar risco de eventos adversos.

Grupos de risco merecem orientação individualizada

A escolha de medicamentos para sintomas respiratórios não deve ser automática. Pacientes com hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, asma, DPOC, problemas renais, uso de anticoagulantes e idosos exigem avaliação mais cuidadosa.

“Muitos remédios para sintomas respiratórios podem aumentar a pressão, acelerar o coração, alterar o açúcar no sangue ou interagir com outros medicamentos. Nesses casos, a orientação precisa ser feita sob medida para cada pessoa”, explica o professor.

Esse é um ponto decisivo para a Farmácia Clínica. O mesmo sintoma pode exigir abordagens diferentes conforme o perfil do paciente. Uma congestão nasal em um adulto jovem saudável não tem o mesmo risco que em um idoso hipertenso e cardiopata.

Também é preciso atenção a pacientes que repetem medicamentos por conta própria, usam sobras de tratamentos anteriores ou combinam produtos diferentes sem perceber que contêm os mesmos princípios ativos.

O farmacêutico atua justamente para reduzir esses riscos, orientar o uso racional e identificar quando a automedicação deixa de ser segura.

Vacinação continua sendo a principal proteção

A vacinação contra influenza segue como a principal medida para reduzir casos graves, internações e mortes. Em 2026, a campanha começou em 28 de março, mas a circulação precoce do vírus levou alguns municípios a ampliarem a oferta para todas as pessoas acima de 6 meses.

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Daniel Jesus ressalta que sintomas leves, como coriza ou tosse sem febre, geralmente não impedem a vacinação. A orientação é adiar a dose apenas quando houver febre ou quadro agudo mais intenso.

“O farmacêutico deve reforçar que a vacinação continua sendo a melhor forma de evitar casos graves, internações e mortes por influenza”, afirma.

Outro mito comum é a ideia de que a vacina contra gripe causa a doença. O professor explica que a vacina é inativada e não provoca influenza. Também é importante lembrar que a imunização precisa ser anual, porque os vírus mudam e a proteção diminui com o tempo.

Além disso, a vacinação contra gripe pode ser uma oportunidade para atualizar outras vacinas, conforme idade, condição de saúde e disponibilidade local.

Farmacêutico também combate desinformação

A temporada de gripe costuma vir acompanhada de dúvidas e mitos. Muitos pacientes acreditam que vitamina C substitui vacina, que antibiótico trata gripe, que vento frio causa infecção ou que qualquer coriza impede a imunização.

A educação em saúde é uma das principais responsabilidades do farmacêutico nesse período. A orientação deve ser clara, prática e baseada em evidências.

“A educação é nossa principal arma. Precisamos explicar que a vacina contra a gripe não causa a doença, porque os vírus nela estão inativados. Também é importante deixar claro que a vacina precisa ser atualizada todo ano, já que os vírus mudam”, afirma Daniel Jesus.

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Suplementos, hidratação, repouso e alimentação adequada podem ajudar no cuidado geral, mas não substituem vacinação nem avaliação médica quando há sinais de gravidade.

Em uma temporada com influenza, VSR, rinovírus e covid-19 circulando ao mesmo tempo, a comunicação correta ajuda a proteger pacientes e reduzir pressão sobre os serviços de saúde.

Farmácia se consolida como ponto de cuidado

A farmácia tem se consolidado como espaço de vacinação, triagem, serviços clínicos e orientação em saúde. Durante a temporada de gripe, esse papel fica ainda mais evidente.

Além de dispensar medicamentos, o farmacêutico pode orientar sobre prevenção, uso de máscara em situações de risco, isolamento quando necessário, higiene das mãos, etiqueta respiratória, testes, vacinação e acompanhamento de sintomas.

“Essa realidade amplia muito o papel do farmacêutico na atenção primária à saúde. Além de entregar medicamentos, atuamos na prevenção, vacinação, triagem, educação em saúde e acompanhamento de pacientes”, destaca Daniel Jesus.

Mas a ampliação do papel também aumenta a exigência técnica. O profissional precisa tomar decisões baseadas em evidências, reconhecer sinais de gravidade e promover o uso consciente de medicamentos.

Em períodos de alta demanda respiratória, o diferencial está em transformar conhecimento técnico em orientação segura, humana e resolutiva.

Capacitação fortalece o atendimento ao paciente

O farmacêutico é um dos profissionais de saúde mais acessíveis à população. Em épocas de muitos vírus respiratórios, sua atuação vai além da entrega de medicamentos: envolve prevenção, educação, vacinação, anamnese, prescrição dentro de suas atribuições, acompanhamento e identificação rápida de situações que exigem atendimento especializado.

Para exercer esse papel com segurança, é necessário dominar farmacologia clínica, semiologia farmacêutica, imunização, acompanhamento farmacoterapêutico, sinais de gravidade e uso racional de medicamentos.

A pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ prepara o farmacêutico para prestar um serviço de excelência, desde a anamnese adequada até a prescrição e dispensação da medicação mais apropriada para cada paciente, conforme a Resolução CFF nº 586/2013.

A formação oferece base para que o profissional atue com mais segurança em situações de alta demanda, como a temporada de gripe, orientando pacientes, acompanhando a evolução dos casos e encaminhando quadros mais graves no momento certo.

Conheça o programa completo da pós-graduação, clicando aqui.

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