Novo medicamento da Pfizer promete aliviar sintomas da enxaqueca em até duas horas

Novo medicamento da Pfizer promete aliviar sintomas da enxaqueca em até duas horas

A enxaqueca é um problema de saúde que afeta milhões de brasileiros e interfere diretamente na rotina, no trabalho, no sono, na produtividade e na qualidade de vida. Segundo dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, cerca de 34 milhões de pessoas sofrem com a condição no Brasil.

Na prática, muitos desses pacientes procuram primeiro a farmácia em busca de alívio rápido, orientação sobre analgésicos, dúvidas sobre crises recorrentes ou alternativas para controlar sintomas como dor intensa, náusea, sensibilidade à luz e ao som. Isso coloca o farmacêutico em uma posição estratégica: ele precisa saber acolher, orientar, identificar sinais de alerta, combater a automedicação e encaminhar quando necessário.

Esse papel se torna ainda mais importante com a chegada de novas opções terapêuticas. A enxaqueca deixou de ser tratada apenas com analgésicos comuns e medicamentos tradicionais. Nos últimos anos, novas classes foram desenvolvidas especificamente para atuar nos mecanismos da doença, ampliando as possibilidades de tratamento e prevenção.

Foi nesse cenário que a Pfizer obteve aprovação no Brasil para o Nurtec ODT, medicamento orodispersível à base de rimegepanto, indicado para o tratamento e a prevenção de crises de enxaqueca.

Pfizer traz ao Brasil medicamento orodispersível para enxaqueca

A Anvisa aprovou o registro do Nurtec ODT, medicamento da Pfizer indicado para o tratamento agudo e preventivo da enxaqueca. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União e contempla apresentações em cartelas com 2, 8 e 16 comprimidos de 75 mg, com registro válido até maio de 2036.

O medicamento tem como princípio ativo o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado, molécula pertencente à classe dos antagonistas do CGRP, conhecidos como “gepants”. O comprimido é orodispersível, ou seja, dissolve na boca, podendo ser administrado sem água.

Segundo especialistas citados na matéria-base, o diferencial do rimegepanto é unir tratamento da crise e prevenção em uma mesma medicação oral. Diferente de alguns bloqueadores de CGRP já disponíveis no Brasil, em sua maioria injetáveis, o Nurtec ODT chega como uma alternativa em comprimido, com aplicação tanto no momento da crise quanto em uso preventivo, conforme orientação adequada.

publicidade inserida(https://ictq.com.br/pos-graduacao/3318-pos-graduacao-farmacia-clinica-e-atencao-farmaceutica)

Como o rimegepanto age

O rimegepanto atua bloqueando o receptor do CGRP, sigla para peptídeo relacionado ao gene da calcitonina. Essa proteína participa de mecanismos envolvidos na enxaqueca, como transmissão da dor, inflamação neurogênica e alterações vasculares associadas às crises.

Ao bloquear a ação do CGRP, o medicamento pode ajudar a reduzir a dor e outros sintomas da crise, além de contribuir para a prevenção de novos episódios em pacientes com enxaqueca episódica.

Um ponto importante é que o rimegepanto não provoca vasoconstrição, ou seja, não atua estreitando vasos sanguíneos. Esse detalhe é relevante porque alguns medicamentos tradicionais para enxaqueca podem ter limitações de uso em pacientes com risco cardiovascular. Por isso, a chegada de uma opção específica para enxaqueca, com outro mecanismo de ação, amplia a discussão terapêutica.

Estudos mostraram melhora em até duas horas

Em estudo de fase 3 publicado na revista The Lancet, adultos com histórico de enxaqueca receberam uma dose única de 75 mg de rimegepanto ou placebo durante crises de intensidade moderada ou grave.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Após duas horas, 21% dos participantes tratados com rimegepanto ficaram sem dor, contra 11% no grupo placebo. O estudo também mostrou melhora no sintoma mais incômodo relatado pelo paciente, como náusea, sensibilidade à luz ou ao som, em 35% dos casos tratados com o medicamento, frente a 27% no grupo placebo.

Os eventos adversos mais comuns relatados foram náusea e infecção urinária, ambos em baixa frequência. Segundo os pesquisadores, não houve registro de eventos graves relacionados ao medicamento.

Os dados reforçam por que a aprovação chamou atenção. Para pacientes que convivem com crises incapacitantes, uma opção oral, específica e com possibilidade de alívio em até duas horas pode representar mudança importante no manejo da doença.

Nova classe pode mudar o tratamento da enxaqueca

O rimegepanto faz parte dos “gepants”, uma classe mais recente de medicamentos desenvolvidos especificamente para enxaqueca. Outros fármacos da mesma classe, como ubrogepanto e zavegepanto, também são acompanhados com expectativa por especialistas e pacientes, especialmente por já serem conhecidos em outros mercados e por ampliarem as possibilidades de tratamento direcionado ao CGRP.

Antes da aprovação nacional do Nurtec ODT, alguns pacientes brasileiros buscavam acesso ao medicamento por importação, o que tornava o tratamento mais caro e menos acessível. Com o registro no Brasil, a expectativa é que o custo seja reduzido em comparação à importação, ainda que preço e início efetivo da comercialização dependam das etapas de disponibilização no mercado nacional.

Esse movimento mostra uma tendência clara: o tratamento da enxaqueca está ficando mais específico, mais individualizado e mais tecnológico. E o farmacêutico precisa acompanhar essa mudança.

O farmacêutico será procurado por esses pacientes

Com a chegada de novos medicamentos, é natural que pacientes procurem a farmácia com dúvidas. Alguns vão perguntar se o Nurtec ODT substitui outros tratamentos. Outros vão querer saber como tomar, se pode usar com outros medicamentos, se serve para qualquer dor de cabeça, se há risco para quem tem hipertensão, se pode usar com antidepressivos, anticoncepcionais, antimicrobianos, fitoterápicos ou suplementos.

O farmacêutico clínico precisa estar preparado. Ele não deve banalizar a enxaqueca como “dor de cabeça comum”, nem estimular automedicação ou uso sem acompanhamento. A orientação deve ser segura, técnica e responsável.

O farmacêutico pode explicar a forma correta de uso, reforçar que o comprimido orodispersível deve ser mantido na embalagem até o momento da administração, orientar sobre armazenamento, alertar sobre possíveis efeitos adversos e avaliar interações medicamentosas relevantes.

Também pode identificar situações que exigem encaminhamento, como dor súbita e muito intensa, alteração neurológica, piora progressiva, crises muito frequentes, uso excessivo de analgésicos, gravidez, histórico cardiovascular importante, sinais de reação alérgica ou falha recorrente no controle dos sintomas.

Acompanhamento farmacêutico evita riscos e melhora o cuidado

A enxaqueca é uma condição que frequentemente leva ao uso repetido de medicamentos. Muitos pacientes alternam analgésicos, anti-inflamatórios, cafeína, triptanos, antieméticos, fitoterápicos e suplementos sem orientação adequada. Isso pode gerar interações, efeitos adversos, uso excessivo de medicamentos e até piora da cefaleia.

Com a chegada de terapias mais específicas, o acompanhamento farmacêutico se torna ainda mais necessário. O farmacêutico pode avaliar o histórico de uso, orientar sobre adesão, reforçar limites de dose, acompanhar frequência das crises, observar efeitos adversos e ajudar o paciente a compreender quando o tratamento está funcionando ou quando precisa ser reavaliado.

No caso do rimegepanto, o conhecimento sobre interações é essencial. A molécula pode interagir com inibidores ou indutores de CYP3A4 e com inibidores potentes de P-gp. Isso exige atenção especial em pacientes polimedicados, principalmente aqueles que usam antifúngicos, antibióticos específicos, medicamentos cardiovasculares, antivirais ou outros fármacos capazes de alterar a exposição ao medicamento.

Esse é exatamente o tipo de situação em que o farmacêutico qualificado faz diferença. Não se trata apenas de dispensar. Trata-se de compreender o tratamento, orientar o paciente e reduzir riscos.

Qualificação necessária para atuar com novas terapias

A aprovação do Nurtec ODT reforça uma realidade da farmácia clínica: novos medicamentos chegam ao mercado, novas classes terapêuticas mudam a prática e o paciente passa a ter dúvidas cada vez mais específicas. O farmacêutico que não acompanha essas atualizações tende a perder espaço em uma área que exige conhecimento técnico e capacidade de orientação.

Para atuar nesse cenário, o profissional precisa dominar atenção farmacêutica, interações medicamentosas, farmacoterapia da dor, fisiopatologia da inflamação, comunicação clínica e acompanhamento farmacoterapêutico.

Nesse ponto que a Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica do ICTQ se conecta às demandas atuais da profissão. A formação prepara o farmacêutico para atuar com mais segurança no cuidado ao paciente, na orientação clínica e na análise do uso de medicamentos em diferentes condições de saúde.

Um curso completo, que aborda desde Metodologias de Atenção Farmacêutica e Interações Medicamentosas até Farmacoterapia e Fisiopatologia da Dor e Inflamação, módulo que aborda fármacos antienxaqueca e outros medicamentos utilizados no combate à dor.

Em um país com milhões de pessoas convivendo com enxaqueca, o farmacêutico bem preparado pode ser decisivo para orientar melhor, reduzir riscos, combater a automedicação e ajudar o paciente a buscar o cuidado adequado.

Conheça o programa completo da pós-graduação, clicando aqui.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

Contatos

WhatsApp: (11) 97216-0740
E-mail: faleconosco@ictq.com.br

HORÁRIOS DE ATENDIMENTO

Segunda a quinta-feira: das 08h às 17h
Sexta-feira: das 08h às 16h (exceto feriados)

Quero me matricular:
CLIQUE AQUI

Endereço

Unidade Sede - Goiás

Rua Engenheiro Portela nº588 - 5º andar - Centro - Anápolis/GO 

CEP: 75.023-085

ictq enfermagem e mec
 

Consulte aqui o cadastro da instituição no Sistema e-MEC

PÓS-GRADUAÇÃO - TURMAS ABERTAS