Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento adequado da hipertensão, o Brasil celebra, em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Nessa data, diversas ações são realizadas para informar a sociedade sobre os riscos da pressão alta e as medidas necessárias para seu controle.
Considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), a hipertensão representa um desafio significativo para a saúde pública no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde (MS), a hipertensão afeta aproximadamente 24% da população brasileira com mais de 18 anos. Essa prevalência aumenta com a idade, atingindo cerca de 47% entre indivíduos com mais de 60 anos e chegando a 60% em pessoas com mais de 75 anos.
Mas o quadro pode ser ainda pior. O Relatório divulgado durante a 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) revela que o Brasil possui uma taxa de pacientes hipertensos superior à média global, que varia entre 30% e 40%. No entanto, essa prevalência (no Brasil e no mundo) pode ser ainda maior, já que o índice considerado normal anteriormente – igual a 120/80mmHg (em milímetros de mercúrio) ou 12 por 8 (em centímetros de mercúrio) – está sendo revisto pelas novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia. Com isso, a pressão ideal passa a ser de 12 por 7 (ou 120/70 mmHg).
As mudanças foram divulgadas no ano passado, no Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres, no Reino Unido. Com as novas diretrizes, a pressão arterial passa a ser classificada em três categorias, com base na aferição em consultório:
- Pressão arterial não elevada: abaixo de 120 por 70 milímetros de mercúrio (mmHg) - 12 por 7;
- Pressão arterial elevada: entre 120 por 70 mmHg e 139 por 89 mmHg - de 12 por 7 a cerca de 14 por 9;
- Hipertensão arterial: acima de 140 por 90 mmHg - maior que 14 por 9.
Vale lembrar que, anteriormente, os especialistas dividiam os níveis em seis categorias: ótimo (abaixo de 120 por 80 mmHg), normal (entre 120 por 80 e 129 por 84 mmHg), pré-hipertensão (entre 130 por 85 e 139 por 89 mmHg), hipertensão estágio 1 (entre 140 por 90 e 159 por 99 mmHg), hipertensão estágio 2 (entre 160 por 100 e 179 por 109 mmHg) e hipertensão estágio 3 (acima de 180 por 110 mmHg).
O farmacêutico clínico e diretor acadêmico do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Ismael Rosa, aponta que manter níveis elevados de pressão arterial por longos períodos, sem tratamento, aumenta o risco de sérios problemas de saúde, incluindo insuficiência cardíaca, placas de gordura nas coronárias e carótidas, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais.
Ele vê vantagens nas novas diretrizes e na criação da categoria pressão arterial elevada. Segundo o farmacêutico, quanto mais cedo se alerta o paciente que a pressão arterial não está boa, medidas de mudança de estilo de vida devem ser implementadas e cobradas pelos especialistas. “A maior batalha dos profissionais de saúde é a da conscientização da população. As pessoas precisam aferir com mais frequência a pressão arterial. Para se ter uma ideia, os eventos mais graves de infarto e AVC acontecem naqueles que não se cuidam”, ressalta.
No entanto, é preciso dizer que as novas diretrizes europeias ainda consideram hipertensão arterial para valores acima de 14 por 9. A mudança da classificação a partir de hipertensão (maior que 14/9) é a mesma que a anterior, ou seja, não mudou.
O que todos já sabem é que a hipertensão é responsável por complicações graves que podem levar à morte. Em 2022, segundo o MS, cerca de 400 mil pessoas morreram no Brasil devido a problemas cardiovasculares, muitos dos quais associados à hipertensão não controlada.
O papel do farmacêutico no controle da hipertensão
Rosa ressalta que o papel do farmacêutico é fundamental. “A condição de saúde da população, muitas vezes, não facilita o acesso ao médico com a frequência necessária. Por isso, as pessoas recorrem à farmácia para fazer a verificação de sua frequência. Ao aferir a pressão e constatar alguma alteração, o farmacêutico deve encaminhar o paciente ao médico, mas é ele quem tem o papel importantíssimo de apoiar e orientar mudanças no estilo de vida e como e quando o paciente deve usar o medicamento, se for o caso”.
O farmacêutico desempenha um papel crucial, já que sua atuação vai além da dispensação de medicamentos, englobando atividades de educação em saúde, acompanhamento farmacoterapêutico e promoção do uso racional de medicamentos.
Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, a automonitorização domiciliar da pressão arterial é uma estratégia eficaz no controle da hipertensão. Nesse contexto, o farmacêutico atua como educador, orientando os pacientes sobre a correta utilização dos aparelhos de medida e a interpretação dos resultados, incentivando um papel mais ativo dos pacientes no controle de sua condição
O médico oncologista, cientista e escritor brasileiro, Drauzio Varella, em entrevista ao ICTQ, destaca a importância do farmacêutico no acompanhamento de pacientes hipertensos: "No caso de uma pressão alta, o paciente vai ao consultório e o médico receita um medicamento para controlar sua pressão. Ele fica um ano e meio sem voltar. Quem irá fazer esse controle? É um farmacêutico, já que todo mês ele vai comprar o medicamento na farmácia ou buscá-lo, gratuitamente, no SUS".
Assistência Farmacêutica no SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece a importância da assistência farmacêutica no manejo de doenças crônicas, incluindo a hipertensão. O Programa Nacional de Assistência Farmacêutica para Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus, instituído pela Portaria 371, de 2002, visa ampliar o acesso aos medicamentos essenciais e promover o uso racional desses medicamentos.
Além disso, o Ministério da Saúde, por meio do Caderno de Atenção Básica 37, estabelece estratégias para o cuidado da pessoa com hipertensão arterial sistêmica, enfatizando a importância da atuação multiprofissional, na qual o farmacêutico tem papel de destaque.
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Apesar dos avanços, ainda existem desafios significativos no controle da hipertensão no Brasil. A adesão ao tratamento é um dos principais obstáculos, muitas vezes comprometida pela falta de sintomas aparentes da doença. Nesse sentido, o farmacêutico tem um papel fundamental na orientação e motivação dos pacientes para a continuidade do tratamento.
A integração do farmacêutico nas equipes de saúde, especialmente na atenção básica, é crucial para o sucesso das estratégias de controle da hipertensão. Sua atuação contribui para a redução da morbimortalidade associada à doença e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Educação e capacitação farmacêutica
A formação contínua e a capacitação dos farmacêuticos são essenciais para a prestação de serviços clínicos de qualidade. Programas de pós-graduação, como o oferecido pelo ICTQ, focam na prestação de serviços clínicos considerando diversos contextos de atenção farmacêutica, com o objetivo de promover o uso racional de medicamentos.
Para quem deseja se capacitar para atuar em Farmácia Clínica, o ICTQ oferece alguns cursos de pós-graduação que devem interessar:
- Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica
- Farmácia Clínica em Unidade de Terapia Intensiva
- Farmácia Clínica em Cardiologia
- Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica
- Farmácia Clínica de Endocrinologia e Metabologia
Saiba mais sobre os cursos de pós-graduação do ICTQ AQUI.
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