Médicos defendem tratamento precoce sem comprovação contra Covid-19

Médicos defendem tratamento precoce sem comprovação contra Covid-19

Nesta terça (23/02), o grupo intitulado Médicos pela Vida - Covid-19 divulgou, pelos jornais do Brasil, como na Folha e no O Globo, um anúncio defendendo o tratamento precoce da doença usando medicamentos como cloroquina, ivermectina, zinco e vitamina D. A informação foi dada pelo próprio site da Folha.

Segundo a Folha, no anúncio, o grupo destacava que a defesa do uso desses medicamentos está ancorada em estudos científicos atualizados. Outros pontos defendidos por eles também foi na informação clara ao paciente e no seu consentimento livre e informado para o uso off-label (quando um medicamento é usado para um fim diferente do descrito na bula) desses medicamentos, que eles conhecem há muito tempo.

Como se sabe, esses medicamentos já foram descartados pela comunidade científica por não apresentarem comprovação da eficácia para combater, prevenir ou tratar a doença. Pelo contrário, evidências mais recentes sinalizam que eles podem ocasionar complicações e alterações maléficas a pacientes em tratamento da Covid-19.

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Essa não é a primeira iniciativa nesse sentido que o grupo lança. Em maio de 2020 eles divulgaram o “Protocolo de Tratamento Pré-Hospitalar Covid-19”, que, entre as suas 39 páginas, defendia o tratamento pré-hospitalar contra o vírus. O documento foi formalmente subscrito por 42 médicos, sob a coordenação de um oftalmologista, Antônio Jordão de Oliveira Neto, e uma especialista em medicina nuclear, Cristiana Altino de Almeida.

A Folha tentou entrar em contato com ambos nas duas ocasiões, entretanto, em nenhuma delas obteve retorno dos coordenadores.

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Visões distintas

O uso desses medicamentos ainda gera controvérsias. Por um lado, o próprio Conselho Federal de Medicina (CFM) não recomenda o uso de medicamentos do chamado ‘kit covid’, como é o caso da cloroquina.  

Porém, reconhece a autonomia do médico para prescrever o uso aos pacientes. O órgão deliberou que cada médico tome a decisão, desde que seja acordado com o paciente e explicando que não há eficácia comprovada para tratar a Covid-19.

Já a presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gulnar Azevedo, lamentou a divulgação do anúncio organizado pelo grupo e reforçou que não há comprovação dos benefícios desses medicamentos contra o coronavírus.

"Lamentamos que ainda existam médicos brasileiros que não reconheçam que já foi comprovado que não há eficácia para esses medicamentos. Pelo contrário, os estudos mostram que pessoas que fizeram o uso podem ter o quadro agravado", diz Azevedo.

Nessa mesma direção, a coordenadora acadêmica do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico e especialista em farmácia clínica e prescrição farmacêutica, Juliana Cardoso, pontuou que, ao longo da pandemia já foi comprovada a ineficácia desses fármacos do ‘kit-covid’ no combate à doença e que esses medicamentos “se mostraram, inclusive, ineficazes ou até mais prejudiciais do que benéficos quando administrados”.

Ela enfatizou os efeitos reversos que esses medicamentos já apresentaram quando utilizados em pacientes de Covid-19 e também alertou para um outro problema que o incentivo ao uso deles proporciona: a automedicação.

“Precisamos pontuar que o uso do ‘Kit Covid-19’ é um incentivo à automedicação. O Brasil é um dos países que mais faz uso de medicamentos sem prescrição, e com esse triste fator precisamos pensar nas inúmeras consequências que essa ação pode causar, intoxicações, interações, danos hepáticos e renais, dentre outros, o que levam ao uso de hospitais, acesso a unidades básicas, gerando um aumento na demanda hospitalar e contribuindo para a superlotação”, alertou a coordenadora.

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