Vacina da Pfizer/Biontech: quatro pessoas tiveram reação alérgica

Vacina da Pfizer/Biontech: quatro pessoas tiveram reação alérgica

Quatro episódios de reação alérgica grave ao imunizante da Pfizer/Biontech contra o novo coronavírus chamaram a atenção das autoridades sanitárias, revelou a BBC. Dois deles ocorram no Reino Unido e dois nos Estados Unidos.

No Alasca, dois profissionais de saúde desenvolveram forte reação alérgica poucos minutos depois de terem recebido a vacina. Um continua internado sob observação, e outro foi liberado logo depois de uma hora. Os episódios têm bastante semelhança com os dois casos de reação alérgica reportados na semana passada no Reino Unido. Mas com uma diferença intrigante, apurou a BBC: um dos profissionais americanos não tinha histórico de alergias graves, como os outros três.

Depois dos casos, os órgãos regulatórios norte-americanos e do Reino Unido advertiram que pessoas com histórico de grave reação alérgica a medicamentos e alimentos não devem tomar a vacina. Mas não houve qualquer veto ao restante da população, inclusive para quem tem histórico de alergia moderada.

No Reino Unido, os dois casos de reação alérgica envolveram profissionais de saúde, ambos com histórico de alergia grave – um a ovo e outro a diversos medicamentos. Vale observar que a vacina da Pfizer/Biontech não contém nenhuma parte do ovo, segundo fontes informaram à BBC. Ambos os casos ocorreram em 8 de dezembro, primeiro dia de vacinação no país.

Também os dois casos de reação alérgica grave ao imunizante nos Estados Unidos envolveram profissionais de saúde que foram imunizados no mesmo local, o Hospital Regional Bartlett, em Juneau, capital do Alasca.

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A primeira, uma mulher de meia-idade, começou a desenvolver erupção na pele, falta de ar e aceleração da frequência cardíaca cerca de dez minutos depois de ser vacinada na terça-feira (15/12). Ela recebeu imediatamente uma injeção de epinefrina, um tratamento tradicional para reações alérgicas.

De acordo com a diretora do departamento de Emergência do hospital, Lindy Jones, essa profissional de saúde não tinha histórico de alergias graves. Ela teve a primeira crise e os sintomas recuaram com a epinefrina, mas depois eles retornaram e ela recebeu esteroides e epinefrina e foi encaminhada para a unidade de terapia intensiva (UTI), conforme apurou o jornal The New York Times. O quadro dela é estável e ela permanece internada sob observação.

No segundo caso – um homem que recebeu a dose na quarta-feira (16/12) – o paciente tinha histórico de alergia grave, mas teve uma reação anafilactoide, e não anafilaxia, afirmou a equipe médica, o que representa um quadro bem menos grave. Os sintomas – inchaço no olho, coceira na garganta e tontura – surgiram cerca de dez minutos depois da aplicação, e recuaram logo que ele recebeu epinefrina. O paciente foi liberado uma hora depois.

De acordo com a porta-voz da Pfizer, Jerica Pitts, a empresa ainda não tinha todos os detalhes dos casos ocorridos no Alasca, mas que está trabalhando com as autoridades locais de saúde. Segundo ela, a vacina vem com informações alertando que o tratamento médico deve estar disponível no caso de uma reação alérgica rara. “Vamos monitorar de perto todos os relatórios de reações alérgicas graves depois da vacinação e atualizar a linguagem do rótulo, se necessário”, declarou Jerica, segundo o New York Times.

Para a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulatório de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, a maioria dos norte-americanos com alergia está segura para receber a vacina e apenas pessoas que já tiveram reações alérgicas graves a vacinas ou ingredientes desta vacina em particular devem evitar tomar a injeção. A lista de ingredientes pode ser checada em inglês no site do governo do Canadá.

Pacientes devem ser monitorados após vacina

Segundo a orientação da FDA, os profissionais de saúde que aplicam a vacina devem monitorar todos os pacientes por 15 minutos, e no caso daqueles com histórico de reação alérgica grave, por 30 minutos. Além disso, as unidades de saúde precisam estar preparadas para adotar um tratamento imediato.

Já a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), órgão regulador britânico de medicamentos e produtos de saúde, afirmou que qualquer pessoa com histórico de anafilaxia ou reações alérgicas graves a um medicamento ou alimento não deve tomar a vacina Pfizer/Biontech.

Os especialistas ouvidos pela BBC descartam que a vacina seja insegura e apontam que qualquer medicamento pode provocar reação adversa. “Se você deseja absolutamente nenhum efeito adverso, então nenhuma vacina ou medicamento será seguro nesse sentido. Todo medicamento eficaz tem efeitos indesejados. Então, ao falarmos que é seguro, falamos do peso dos efeitos indesejados em comparação com o benefício quando muito claramente é a favor do benefício”, explicou à rede britânica de TV o professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Stephen Evans.

“A vacina de RNA (como a da Pfizer/Biontech) para a Covid-19 já foi testada em mais de 70 mil pessoas nos ensaios clínicos de fase 3. Pode ser que ocorra um efeito adverso raro (por exemplo, 1 em 1 milhão) que não foi detectado em fase 3? Sim. Mas o acompanhamento dos vacinados para efeitos adversos continua depois da aprovação. Será a fase 4”, disse à BBC a médica epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, e completou. “Resumindo: até o momento, não há nenhuma indicação que as vacinas de mRNA não sejam seguras. Eu tomaria essa vacina e a aplicaria no meu filho, o meu bem mais precioso”.

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Conforme apurou a BBC, a segurança das vacinas é monitorada muito depois de uma delas ser aprovada para ver se há algum problema de saúde desconhecido. O órgão regulador britânico, por exemplo, tem um programa para registro de problemas pelos pacientes e monitora dados anônimos de consultórios médicos em busca de quaisquer sinais de alerta ligados à vacina.

A Pfizer/Biontech informa que sua vacina reduz os casos de Covid-19 em cerca de 95% das pessoas imunizadas, podendo acarretar efeitos colaterais bastante comuns, incluindo dor no local da injeção, dor de cabeça, calafrios e dores musculares. Isso pode afetar mais de uma em cada dez pessoas. Todos eles são sinais do sistema imunológico entrando em ação e podem ser controlados com paracetamol, por exemplo, de acordo com a BBC.

Segundo a FDA, os estudos com o imunizante da Pfizer/Biontech apontaram até agora que no grupo de pessoas que desenvolveram algum efeito colateral foram registrados: dor no braço (84%), cansaço (63%), dor de cabeça (55%), dor muscular (38%), calafrio (32%) e febre (14%).

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