Coronavírus: Governo vai investir 50 milhões em pesquisas farmacêuticas

Pesquisa coronavírus Governo abrirá inscrições na próxima semana

O Governo Federal vai destinar R$ 50 milhões para pesquisas sobre novos métodos de diagnóstico, tratamento e interrupção da transmissão no País do novo coronavírus. A chamada pública será lançada na próxima semana e, tendo em vista a urgência do assunto, terá um período de submissão mais curto que o tradicional. Serão 20 dias de prazo, a contar da data de publicação.

Poderão participar pesquisadores vinculados a instituições científicas, tecnológicas ou de inovação, públicas ou privadas. A chamada pública será lançada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e trará mais detalhes sobre o cronograma de desembolsos. Os recursos virão dos Ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) – R$ 30 milhões – e da Saúde (MS) – R$ 20 milhões.

De acordo com o ministro do MCTIC, Marcos Pontes (foto), o plano vai envolver “pesquisas no desenvolvimento de diagnósticos, vacinas, testes clínicos com pacientes, patogênese do vírus e o sequenciamento e modelagem”. De forma abrangente, a iniciativa englobará pesquisas relacionadas à história natural da doença; desenvolvimento e avaliação de testes, de alternativas terapêuticas e de vacinas contra à Covid-19; avaliação da atenção à saúde nos três níveis de complexidade frente à epidemia; uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) nas ações de prevenção, controle e manejo; adesão e cumprimento das medidas de prevenção e controle; entre outros temas relacionados à doença.

As linhas de pesquisa foram definidas a partir de diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, segundo o MS, alinhadas às prioridades nacionais em discussão entre o ministério e especialistas de todo o País, considerando a necessidade de resposta rápida e de investimentos em estudos mais promissores.

Após a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional dada pela OMS no final de janeiro, os protocolos de pesquisas relacionados ao novo coronavírus submetidos à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) estão sendo analisados em caráter de urgência. Desde então, segundo o Governo, foram submetidos na Plataforma Brasil aproximadamente 100 projetos de pesquisa no Brasil sobre o tema.

Novas vacinas pesquisadas

Segundo a divisão de pesquisa da OMS, há 41 iniciativas de vacinas contra o novo coronavírus em desenvolvimento. No entanto, apenas uma está em fase de testes em humanos, representando uma esperança, ainda que distante, para um futuro controle da proliferação do vírus.

De acordo com informação divulgada pelo jornal O Globo, caso a vacina seja aprovada pelos órgãos competentes, a estimativa é que esteja desenvolvida em um período de dois anos. A substância está sendo criada pela empresa de biotecnologia Moderna em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Atualmente, o medicamento entrou em ensaio clínico de fase um (momento em que é avaliado se o composto não é tóxico ou provoca efeitos colaterais graves).

Leia mais: 41 vacinas sendo pesquisadas contra a doença.

De acordo com o cientista do Instituto do Coração (Incor), Jorge Kalil, que atua no desenvolvimento de vacinas, o ponto forte da vacina que está sendo pesquisada pela organização americana é o fato de que ela apresenta baixo risco de toxicidade.

“Quando existe uma crise como essa pandemia, as pessoas pensam sempre em fazer vacinas que tenham muitas chances de ser seguras para passar rápido pela fase de registro 3”, afirmou o pesquisador ao Globo. No entanto, o especialista alerta que ainda é preciso ser comprovada qual é a chance que a nova vacina terá em ser capaz de produzir uma resposta imune.

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Para o desenvolvimento da vacina, os pesquisadores estão utilizando uma estratégia de produção que, mesmo incerta, funciona de forma mais rápida. A iniciativa consiste no uso de segmentos RNA (material genético do vírus), que são selecionados em laboratório, com o objetivo de preparar o sistema imunológico para agir contra o vírus.

"Essas abordagens como a do RNA são boas porque são rápidas e seguras, mas não costumam ser suficientemente imunogênicas", explica Kalil.

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