Assaí coloca medicamento no carrinho do atacarejo e estreia no varejo farmacêutico

Assaí coloca medicamento no carrinho do atacarejo e estreia no varejo farmacêutico

O Assaí Atacadista inaugura nesta quinta-feira, 16 de julho, sua primeira farmácia com uma aposta direta em um dos mercados que mais movimentam o setor atualmente: o das canetas emagrecedoras. A nova unidade será instalada dentro da loja Anhanguera, na região da Marginal Tietê, em São Paulo, e marca a entrada da companhia no varejo farmacêutico.

A empresa acompanha o avanço dos medicamentos agonistas de GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade, e se prepara para as mudanças que essas terapias podem provocar no comportamento de consumo. Ao mesmo tempo em que as canetas ampliam a demanda nas farmácias, elas também podem reduzir a compra de determinadas categorias de alimentos.

Nesse movimento, o Assaí pretende transformar suas lojas em grandes centros de serviços, reunindo alimentação, medicamentos, saúde, bem-estar, serviços financeiros, canais digitais, produtos de marca própria e eletropostos.

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A estreia ocorre meses após a sanção da legislação que passou a permitir a instalação de farmácias completas em supermercados, desde que sejam cumpridas todas as exigências sanitárias e regulatórias aplicáveis ao setor.

Segundo o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, a iniciativa faz parte da estratégia de aumentar a participação da companhia nos gastos cotidianos dos consumidores.

“A companhia está muito voltada para aumentar a nossa participação nos gastos do cliente”, afirmou.

Rede pode abrir mais de 250 farmácias

O Assaí estima que a operação farmacêutica possa chegar à maior parte das mais de 300 lojas da rede. A previsão inicial é inaugurar aproximadamente 25 farmácias até o fim de 2026, sendo cinco ou seis ainda em julho e outras três em agosto.

De acordo com o diretor de Operações e Novos Negócios, Sérgio Leite, existe potencial para a abertura de mais de 250 unidades no País.

O executivo afirma que o consumo de medicamentos apresenta características semelhantes entre as regiões brasileiras, o que facilitaria a replicação do modelo.

“A molécula usada para tratar pressão alta é a mesma em São Paulo e no Nordeste”, declarou.

A companhia também identificou interesse direto do público. Segundo pesquisa interna citada pelos executivos, 78% dos clientes demonstraram intenção de comprar medicamentos no Assaí.

Estrutura das lojas pode reduzir custos

O grupo recebe cerca de 40 milhões de consumidores por mês. Para a administração, esse fluxo, associado à estrutura já existente nos estabelecimentos, poderá reduzir parte dos custos enfrentados por uma drogaria tradicional.

“O aluguel já está aqui. A despesa de IPTU está aqui. A despesa de segurança está aqui”, afirmou Gomes.

O CEO entende que a entrada no setor farmacêutico representa uma evolução natural do modelo de negócios da companhia.

“Se conseguimos vender alimento barato, também podemos vender medicamento barato”, disse.

Segundo a empresa, a intenção não é construir uma política agressiva de descontos, mas competir por meio da eficiência operacional proporcionada pelo compartilhamento de despesas e estruturas.

“O balcão já está aqui, o funcionário já está aqui, a iluminação já está aqui. Isso nos permite ter uma operação muito eficiente e oferecer preços competitivos”, explicou Leite.

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Medicamentos de uso contínuo serão prioridade

A operação será direcionada principalmente aos medicamentos de uso recorrente, cujas compras costumam ser planejadas pelos pacientes.

“Não imagino a pessoa saindo do hospital e indo ao Assaí comprar um medicamento. A maioria das compras de medicamentos no Brasil já é planejada”, afirmou Gomes.

A primeira unidade será inaugurada com aproximadamente 10 mil SKUs, sigla usada para identificar os diferentes itens mantidos em estoque. Segundo a companhia, o volume será superior ao encontrado em muitas drogarias tradicionais.

A farmácia também começará integrada ao comércio eletrônico. Inicialmente, o consumidor poderá comprar pela internet e retirar os produtos na loja. As entregas em domicílio deverão ser incorporadas em uma segunda etapa.

GLP-1 pode transformar consumo dentro e fora da farmácia

A aposta nas canetas emagrecedoras vai além da venda dos medicamentos. O Assaí avalia que o avanço desses tratamentos pode alterar a forma como os consumidores compram alimentos, produtos de saúde e itens de bem-estar.

Com a popularização das terapias para obesidade e doenças metabólicas, redes alimentares passaram a acompanhar possíveis reduções no consumo de produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas e categorias associadas a refeições de maior volume.

A entrada no varejo farmacêutico permite ao Assaí ocupar as duas pontas dessa transformação. A companhia continuará atendendo às necessidades alimentares dos clientes, mas também poderá participar do crescimento da demanda por medicamentos, produtos para acompanhamento do tratamento e itens relacionados à saúde metabólica.

Farmácia deverá ser mais do que conveniência

O Assaí pretende posicionar suas farmácias como espaços voltados à saúde e ao bem-estar, e não apenas como pontos para compras rápidas.

“Não estamos construindo uma farmácia olhando para o passado. O cliente que está preocupado com a saúde tem de eleger a farmácia do Assaí”, declarou Sérgio Leite.

A entrada de uma das maiores redes de atacarejo do Brasil no setor amplia a concorrência e pode modificar os canais de venda, a distribuição geográfica das farmácias e a relação entre medicamentos e compras de rotina.

Para o farmacêutico, a expansão exige atenção às condições de funcionamento dessas unidades. Mesmo instaladas dentro de supermercados, as farmácias permanecem submetidas às normas sanitárias, à responsabilidade técnica, às regras de armazenamento e dispensação e à presença obrigatória do profissional durante todo o período de funcionamento.

No caso das canetas emagrecedoras, o desafio será ainda maior. A alta procura exige orientação qualificada, avaliação de riscos, cuidado com o uso sem acompanhamento adequado, conservação correta e combate à banalização de medicamentos que possuem indicações, contraindicações e eventos adversos relevantes.

A escala poderá ampliar o acesso, mas a credibilidade dessas novas operações dependerá da autonomia técnica do farmacêutico e da capacidade de transformar a venda em cuidado seguro ao paciente.

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