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Eurofarma solicita à Anvisa registro de vacina inédita no País contra chikungunya

Marcus Vinicius Andrade   15 Julho 2026   523   Farmácia Clínica
Eurofarma solicita à Anvisa registro de vacina inédita no País contra chikungunya

Quarta-feira, 15 de julho de 2026

A Eurofarma anunciou uma parceria estratégica com a farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic para trazer ao Brasil a vacina CHIKV VLP, desenvolvida para prevenção da chikungunya. O imunizante já foi submetido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, caso receba aprovação, será comercializado e distribuído exclusivamente pela farmacêutica brasileira em todo o território nacional.

O acordo fortalece a atuação da Eurofarma em doenças de alta relevância epidemiológica e ocorre em um momento em que a chikungunya continua pressionando os sistemas de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 490 mil casos e cerca de 200 mortes foram registrados no mundo em 2025. No Brasil, foram notificados quase 130 mil casos e 120 óbitos no mesmo período.

Vacina utiliza tecnologia VLP

A CHIKV VLP é uma vacina recombinante de dose única produzida com tecnologia de partículas semelhantes ao vírus, conhecidas como virus-like particles (VLP). A plataforma reproduz apenas a estrutura externa do vírus, sem conter material genético, o que impede a infecção celular, a replicação viral e o desenvolvimento da doença.

De acordo com as empresas, os estudos clínicos demonstraram perfil de segurança favorável e elevada capacidade de induzir anticorpos neutralizantes em adolescentes, adultos e idosos, com resposta imunológica observada rapidamente após a aplicação.

Atualmente, o imunizante já possui aprovação regulatória para pessoas a partir de 12 anos nos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Suíça e Canadá, onde é comercializado com o nome VIMKUNYA®.

Estratégia amplia acesso à inovação

Além dos direitos exclusivos de comercialização no Brasil, a Eurofarma terá preferência para futuros registros e distribuição da vacina em outros países da América Latina onde mantém operações.

Segundo João Siffert, vice-presidente de Inovação da Eurofarma, a iniciativa reforça o compromisso da companhia com o acesso da população a tecnologias inovadoras.

"A chikungunya segue avançando no Brasil e gerando impacto significativo sobre pacientes, não só durante a infecção inicial, mas também com efeitos crônicos, impactando os pacientes e sistemas de saúde. Esta vacina usa uma tecnologia moderna e amplamente validada, com perfil de segurança favorável e capacidade de induzir resposta imunológica rápida, contribuindo para fortalecer as iniciativas de prevenção da doença", afirmou.

Paul Chaplin, presidente e CEO da Bavarian Nordic, destacou que a submissão à Anvisa representa um passo importante para ampliar o acesso à vacina em regiões onde a chikungunya é um problema recorrente de saúde pública. Segundo ele, a parceria une a inovação em vacinas da empresa dinamarquesa à experiência da Eurofarma no mercado latino-americano.

Doença segue como desafio para a saúde pública

Identificada em mais de 110 países, a chikungunya expandiu-se nas últimas duas décadas pelas Américas, Ásia, África e Europa. No Brasil, além do elevado número de casos, a doença preocupa pelo potencial de causar dores articulares persistentes, que podem comprometer a qualidade de vida dos pacientes por meses ou até anos.

O Ministério da Saúde mantém um Plano Nacional de Contingência para dengue, chikungunya e zika, baseado em ações de vigilância epidemiológica, controle vetorial, comunicação em saúde e organização da assistência. A incorporação de novas vacinas pode representar um importante reforço às estratégias de prevenção e redução das complicações associadas às arboviroses.

O que muda para o farmacêutico

A possível aprovação da CHIKV VLP amplia a discussão sobre imunização contra arboviroses e reforça o protagonismo do farmacêutico na vacinação, na farmacovigilância e na orientação da população. O profissional deverá acompanhar a avaliação regulatória da Anvisa, conhecer as características da nova tecnologia VLP e estar preparado para atuar na educação em saúde, no manejo seguro dos imunizantes e no fortalecimento das estratégias de prevenção de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

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Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de  Marcus Vinicius Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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