Ex-servente de pedreiro se torna proprietário de três redes de farmácias

Ex-servente de pedreiro e seringueiro hoje controla três redes de farmácia

O ex-servente de pedreiro e seringueiro José de Oliveira Cruz tornou-se empreendedor e atualmente é proprietário de três redes de farmácias no Acre, totalizando 28 lojas e 420 colaboradores. A meta do grupo para este ano é abrir cinco estabelecimentos e contratar 130 funcionários, conforme revelou o blog de Thais Farias no portal AC 24 Horas.

José de Oliveira Cruz – conhecido desde criança por Edson – desde muito jovem tinha grandes planos de empreender. Aos 16 anos ele se mudou de Tarauacá, interior do Acre, para a capital do Estado em busca de trabalho. Mas a primeira oportunidade surgiu em outra cidade, Xapuri, como seringueiro, junto com o tio.

Algum tempo depois, Cruz partia para Fortaleza do Abunã, Rondônia, para trabalhar em uma pedreira.  “Fiquei nessa pedreira cerca de um mês e meio e voltei para Rio Branco, onde consegui trabalhar como servente de pedreiro”, ele revelou ao AC 24 Horas. Por dois anos e meio continuou trabalhando nessa atividade até que um colega o indicou para uma vaga no comércio.

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O proprietário tinha dois estabelecimentos no mesmo prédio – uma loja que vendia alho, onde Cruz foi trabalhar, e uma farmácia. Quando acabou a safra do alho, ele passou a ajudar na farmácia. “Lá eu passava pano, limpava os medicamentos, organizava tudo. Foi assim que começou minha carreira no segmento farmacêutico. Isso foi há 25 anos, em meados de 1996”, contou.

Cruz foi ganhando a confiança do patrão e acabou designado para gerenciar uma filial da farmácia no bairro do Aeroporto Velho. Em seis meses depois de assumir a gerência do empreendimento, Edson conseguiu comprá-lo do patrão e torná-lo sua primeira farmácia, intitulada Droga Nossa.

Isso foi possível porque o então patrão repassou os medicamentos e o prédio da farmácia para que ele pudesse pagar de forma parcelada. “Fechei o negócio quando tinha 19 anos. Passei cerca de um ano e meio para pagar todo o estoque da farmácia, que deu US$ 1,451 (R$ 7,4 mil, atualizado) na época. Ele queria que eu pagasse em dólar”, revelou Cruz.

Quando Edson conseguiu pagar todo o estoque de medicamento, o ex-patrão lhe ofereceu, por US$ 5 mil (R$ 25 mil), o prédio. “Fui comprando dólar devagar, do mesmo jeito que paguei os medicamentos, e paguei o prédio”. Desta vez, ele conseguiu quitar o valor do prédio em dois anos e meio.

Em sua primeira farmácia, no Aeroporto Velho, Cruz tentou conciliar o comércio de varejo  com a drogaria – sistema herdado do ex-patrão –, mas logo percebeu que farmácia era um modelo de negócio muito mais rentável. “Então desfiz o comércio e evoluí em questão de organização e de produtos para farmácia”. Logo depois, ele abriu outra farmácia, no Centro da cidade, embrião das redes que viria a ter ao longo dos anos.

Depois de se firmar no ramo das farmácias, o empresário decidiu enfrentar um novo desafio. Era o início da Hoje Cosmetics, uma farmácia com perfumaria embutida, algo muito diferente naquele tempo na região. “Até tivemos problema inicial com o público, que não estava acostumado com aquele tipo de serviço e com um preço mais alto”, disse Cruz.

O projeto enfrentou desafios não apenas de assimilação da clientela, mas também financeiro. Com empréstimos e pendências com fornecedores, a empresa ficou com cerca de R$ 4 milhões em dívidas. “Andei muito ‘bambo’ das pernas, mobilizei muito dinheiro porque era um prédio de cinco andares. Tive que me recuperar devagar, mas conseguimos construir a obra aos trancos e barrancos”, explicou Cruz sobre a estrutura da nova empresa.

Apesar dos problemas, os empreendimentos acabaram se tornando referência local. “Depois que a coisa emplacou, a gente incentivou o mercado farmacêutico. Conseguimos superar tudo”, celebrou Cruz.

Ao longo desses mais de 20 anos, o Grupo J-Cruz – que compreende as três redes de farmácia – teve de se reorganizar devido ao surgimento da concorrência. A chegada da Pague Menos a Rio Branco fez com que as farmácias de Cruz se adaptassem.

“Fizemos uma série de mudanças. Tivemos que nos reorganizar e redirecionar nosso modelo de negócios”, afirmou o empresário. Entre as mudanças, a rede Drogaria Popular cedeu lugar a uma franquia nacional, a Ultra Popular, voltada a preços mais baixos, juntando-se às bandeiras Farmácia do Consumidor, que atua em municípios menores, e Hoje Cosmetics.

Com uma folha de pagamento em torno de R$ 1,2 milhão, o Grupo J-Cruz fatura cerca de R$ 130 milhões por ano. De acordo com o empresário, o recolhimento de tributos das suas empresas é um dos maiores do Acre. “A cada trimestre, somamos em média R$ 3,3 milhões de recolhimento de governo federal, estadual e municipal. São mais de R$ 11 milhões por ano”, garantiu.

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Atualmente, com as 28 lojas, o grupo possui 420 colaboradores. Pelo plano traçado por Cruz, a ideia é que, até o final de 2021, sejam abertas cinco lojas, encerrando o ano com 550 colaboradores. O Grupo J-Cruz também conta com uma distribuidora que atende somente as suas lojas. A criação foi intencional, para ter as tabelas distribuidoras de produtos e poder ter um preço mais acessível, segundo o empresário.

Um dos ‘segredos’ de Cruz para crescer e manter a clientela é a proximidade. “Uma orientação minha aos funcionários é: todos os clientes que pedem meu contato no balcão devem receber meu número. É uma relação que continuo desde antigamente”, revelou, lembrando como isso funciona. “Já veio (na loja) a neta de uma cliente de quando comecei no Aeroporto Velho. Atendo até três gerações de uma mesma família”. Outra recomendação do empresário é a paixão pelo trabalho. “É extremamente inspirador gostar do que faz. Aí, não tem como segurar, a pessoa vai crescer”.

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