A Polícia Civil do Estado de São Paulo apreendeu, em 19 de fevereiro de 2026, cerca de 90 mil ampolas e frascos de medicamentos injetáveis associados ao mercado de emagrecimento em uma farmácia de manipulação no Centro de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. Um homem de 26 anos foi preso em flagrante, segundo o relato das autoridades.
De acordo com as reportagens baseadas em informações da investigação, os agentes encontraram aproximadamente 84 mil unidades armazenadas em câmara fria e outras 5,3 mil fora de refrigeração. Também foi apontada ausência de identificação de paciente e de prescrição médica vinculada aos itens apreendidos, exigência relacionada ao caráter individualizado da manipulação magistral.
A ação foi atribuída a equipes da Delegacia de Investigações sobre Crimes Contra o Meio Ambiente (Dicma). Ao comentar o caso, o delegado titular da unidade, Fabio Dal Mas, afirmou que a fiscalização se intensificou diante do aumento da procura por injetáveis para emagrecimento e avaliou que o volume encontrado é incompatível com a rotina regular de uma farmácia que manipula por demanda.
A empresa citada em publicações em redes sociais como vinculada ao material, Octalab Farmácia de Manipulação Ltda. (Octalab), enviou nota afirmando que não houve risco sanitário e que atua dentro das normas. A seguir, o que dizem as duas versões e por que a apreensão elevou o nível de atenção sobre rastreabilidade, estoque e cadeia de frio em produtos estéreis.
O que a polícia afirma
Segundo a apuração publicada pela imprensa local e nacional, a polícia sustenta que o estabelecimento produzia ou mantinha em estoque substâncias de forma irregular e que parte do material estava pronta para distribuição, em caixas refrigeradas, para clínicas de diferentes estados. Uma estimativa citada indica que o valor do estoque poderia ultrapassar R$ 100 milhões, com menção, ainda, à hipótese de origem externa do insumo.
O Diário do Grande ABC registrou que o flagrante, na narrativa policial, teria sido motivado pela existência de medicamentos vencidos dentro do local. A reportagem também informa que foi instaurado inquérito para apurar a regularidade da aquisição e da importação do insumo, além da destinação das doses, com envio de parte do material para perícia para verificar se o conteúdo corresponde ao descrito no rótulo.
A ocorrência foi reportada como envolvendo crimes relacionados a falsificação, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais, conforme noticiado.
O que diz a Octalab
Em nota enviada após a repercussão do caso, a Octalab afirma que o insumo apontado como “vencido” não integra a produção de manipulados e que “não houve, em nenhum momento, risco de utilização de qualquer material irregular ou vencido em produção”. A empresa também declara que frascos vistos fora de refrigeração teriam sido retirados da câmara fria pouco antes, acondicionados em isopor com controle apropriado para transporte, e que a permanência temporária no processo de separação e expedição não comprometeria a integridade quando dentro de critérios técnicos. (Íntegra a seguir.)
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A nota acrescenta que a empresa tem alvará sanitário vigente, responsável técnico habilitado e que atua em conformidade com normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mencionando fiscalização sanitária realizada 10 dias antes, com atestado de normalidade. O texto também aborda fatos envolvendo um sócio-administrador, dizendo que a detenção foi comunicada ao Judiciário e “imediatamente revogada”, e afirma não haver atuação clandestina.
Por que a apreensão virou alerta setorial
Esse mercado, atualmente, mistura alta demanda por terapias injetáveis, pressão por entrega rápida e oportunidades para informalidade, especialmente quando a cadeia de frio e a rastreabilidade viram detalhe operacional, em vez de requisito central de qualidade.
No mesmo período, a própria Anvisa publicou medidas contra lotes falsos de Mounjaro e de botox e listou ações fiscais envolvendo produtos irregulares, citando inclusive um item identificado como “Tizerpartida 15 MG” com alegação de importação sem registro ou autorização da agência. Embora essa lista não seja, por si, prova de vínculo com a ocorrência de Santo André, ela ajuda a dimensionar o nível de preocupação regulatória com falsificação, propaganda irregular e circulação de produtos de origem desconhecida no entorno dessa categoria.
Para o setor, a diferença entre produto manipulado dentro de demanda individualizada e a formação de estoque em larga escala tende a ser o divisor de águas na avaliação de conformidade. Essa foi, inclusive, a linha de argumentação atribuída ao delegado Fabio Dal Mas ao afirmar que, em farmácias de manipulação, “para cada caixa, deve existir uma prescrição correspondente”.
Nota da Octalab (íntegra)
Em atenção às recentes publicações divulgadas em determinados meios de comunicação, a empresa vem prestar esclarecimentos à comunidade farmacêutica, à classe médica e aos seus parceiros institucionais:
O insumo mencionado como “vencido” não faz parte da produção de nenhum manipulado do laboratório. Não houve, em nenhum momento, risco de utilização de qualquer material irregular ou vencido em produção, tampouco qualquer relação com a manipulação de tirzepatida ou de quaisquer outros medicamentos.
Em relação às imagens divulgadas que mostram frascos fora de equipamento de refrigeração, esclarecemos que os referidos medicamentos haviam acabado de ser retirados da câmara fria e estavam devidamente acondicionados em embalagem térmica (isopor) com controle apropriado para transporte, prontos para expedição ao cliente.
O procedimento adotado segue protocolo interno de acondicionamento e transporte, observando parâmetros técnicos de conservação e estabilidade do produto.
A permanência temporária fora do equipamento fixo de refrigeração, durante o processo de separação e expedição, não compromete a integridade do medicamento quando realizada dentro dos critérios técnicos adequados.
A empresa é regularmente constituída, possui alvará sanitário vigente, responsável técnico habilitado e atua em conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e demais legislações sanitárias aplicáveis. Inclusive, houve fiscalização sanitária 10 dias antes e tudo foi atestado dentro da normalidade.
Em relação aos fatos recentemente divulgados envolvendo o sócio-administrador da empresa, esclarecemos que a detenção ocorrida foi submetida imediatamente à apreciação do Poder Judiciário, tanto que ao ser comunicado ao juiz competente, a prisão foi imediatamente revogada.
Não procede qualquer alegação de atuação clandestina. A empresa opera há 24 anos sob fiscalização dos órgãos competentes, com rastreabilidade de insumos, controle de qualidade e protocolos técnicos formalmente estabelecidos.
No que se refere à tirzepatida, a empresa realiza a manipulação e comercialização do medicamento nos estritos limites autorizados pela regulamentação sanitária vigente, mediante prescrição médica e observância integral das normas aplicáveis, não havendo irregularidade em suas operações.
Ao longo de 24 anos de atuação, a empresa construiu uma trajetória sólida pautada em responsabilidade técnica, compromisso sanitário e respeito aos profissionais de saúde e pacientes. Mantemos rigorosos processos de qualidade e não há registro de intercorrências sanitárias relacionadas a falhas operacionais em nossos produtos nesse período.
Seguimos firmes em nosso propósito de oferecer segurança, transparência e conformidade regulatória a médicos, clínicas, hospitais e pacientes que confiam em nosso trabalho.
A empresa permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos técnicos adicionais.
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