Indiana Sun Pharma entra na disputa bilionária pela Medley

Indiana Sun Pharma entra na disputa bilionária pela Medley

A venda da Medley, unidade de genéricos da farmacêutica francesa Sanofi no Brasil, entrou em uma fase decisiva no fim de janeiro de 2026, com a entrada de um concorrente estrangeiro de peso: a indiana Sun Pharmaceutical Industries (Sun Pharma), apontada por fontes do mercado como uma das favoritas ao lado da brasileira EMS.

Nos bastidores, o movimento é lido como parte da estratégia global da Sanofi de concentrar capital e gestão em vacinas e medicamentos inovadores, com crescimento sustentado por pesquisa e desenvolvimento, enquanto revisita ativos considerados não centrais.

A disputa também expõe uma assimetria típica de processos de fusões e aquisições (M&A): a diferença entre o preço desejado pelo vendedor e o valor que compradores estratégicos nacionais estão dispostos a pagar. A expectativa inicial atribuída à Sanofi foi levantar cerca de US$ 1 bilhão, algo em torno de R$ 5,4 bilhões, mas propostas de concorrentes brasileiros têm circulado na casa de R$ 2 bilhões, segundo fontes.

A próxima etapa prevê propostas vinculantes entre o fim de fevereiro e o início de março de 2026. Até lá, avançam apresentações, diligências e análises de sinergia industrial e comercial, com o banco Lazard atuando como assessor do processo.

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Por que a Medley vale um choque de forças

A Medley tem atributos que explicam o interesse simultâneo de compradores industriais e de um investidor financeiro como a Vinci Partners: marca consolidada, portfólio amplo no varejo e uma operação com escala. Fontes do mercado indicam Ebitda na faixa de R$ 200 milhões; a empresa fecharia 2025 com receita em torno de R$ 1,3 bilhão.

No plano produtivo, um dado chama atenção porque muda a equação de qualquer comprador: a capacidade anual citada para a operação chega a 300 milhões de unidades, e o desenho previsto de manufatura inclui concentração de 80% da produção na fábrica de Campinas (SP), com 20% permanecendo na unidade da Sanofi em Suzano (SP).

A relevância do ativo cresce quando se olha para o ciclo de patentes e o apetite do varejo por genéricos. Um relatório citado pelo NeoFeed aponta que a expiração de cerca de 1,5 mil patentes nos próximos cinco anos pode impulsionar a oferta de genéricos em 20%, num segmento que movimentou R$ 20,4 bilhões em 2024.

O que muda com um comprador indiano

A entrada da Sun Pharma muda o tom da concorrência porque adiciona uma lógica agressiva de custo e suprimento global ao tabuleiro brasileiro. A empresa já opera no país com vendas e distribuição para varejo e hospitais, atendendo também ao setor público, e mantém estrutura de marketing e atendimento em Barueri (SP), além de operações de garantia da qualidade em Goiânia (GO).

No mercado, a tese é direta: a Índia domina uma parcela relevante da cadeia de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) global e opera com custos industriais inferiores aos brasileiros em diversas classes terapêuticas.

Há, porém, um ponto comum nessa narrativa: custo de produção não resolve, sozinho, as barreiras regulatórias, a logística e a dinâmica de preço do varejo brasileiro. Uma fonte ponderou que ter um ativo industrial local não necessariamente significará ser ainda mais competitivo, sinalizando que o jogo pode ser mais de marca e portfólio do que de compra imediata de parque fabril.

Para as farmacêuticas brasileiras na disputa, a compra pode ser defensiva e ofensiva ao mesmo tempo: defesa de participação num segmento de alto giro e ofensiva em eficiência comercial, com ganho de portfólio e escala. Para a Sun Pharma, a lógica é de entrada rápida em um mercado grande, com uma marca já testada na prescrição e na substituição por equivalência.

Um mercado grande e um regulador que importa

Qualquer leitura sobre a venda da Medley precisa ser ancorada no tamanho do mercado de genéricos no Brasil. A política de genéricos completou 25 anos em 2024, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrava, em janeiro daquele ano, 3.894 medicamentos genéricos, com mais de 800 alternativas terapêuticas.

Dados da Secretaria-Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (SCMED), reunidos pela Anvisa, mostram que 88 empresas comercializaram mais de 2,3 bilhões de unidades de genéricos em 2022. Apesar de responderem por 40,9% do volume de vendas, esses produtos representaram 15,1% do faturamento total do mercado de medicamentos no mesmo ano, o que reforça a pressão permanente por margem e eficiência de cadeia.

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Esse contexto ajuda a entender por que a precificação é o centro do debate. A própria Anvisa destaca que genéricos tendem a ser pelo menos 35% mais baratos do que os medicamentos de referência, o que puxa o consumo, mas também comprime o espaço para erro operacional.

Cronograma, CADE e o risco de alongar o fechamento

Mesmo com propostas vinculantes previstas para o fim de fevereiro e o início de março de 2026, o fechamento não depende apenas do melhor preço. O negócio tende a passar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e projeções setoriais já trabalham com aprovação ao longo de 2026 e assunção formal da nova controladora apenas em janeiro de 2027.

No meio desse caminho, há outra variável que quem trabalha com qualidade e regulatório não deveria subestimar: mudanças de controle afetam governança, estratégia de dossiês, gestão de fornecedores e priorização de portfólio. Em operações de genéricos, onde giro e continuidade de abastecimento são vitais, integração malconduzida vira risco de ruptura.

A Sanofi, por sua vez, tem evitado cravar decisão publicamente, mas reconheceu a movimentação estratégica em torno do ativo. Em resposta reproduzida pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), afirmou que “está avaliando opções estratégicas” para o negócio de genéricos Medley.

Para o setor, o que está em jogo é simples e incômodo: a Medley não é apenas uma marca. É um atalho para escala em um segmento em que quem atrasa perde espaço na gôndola, no balcão e na concorrência por preço.

Capacitação farmacêutica

A disputa por ativos estratégicos como a Medley expõe um ponto que o setor conhece bem: em cenários de consolidação, quem domina gestão industrial, finanças, planejamento de portfólio, qualidade e regulação toma decisões mais rápidas, reduz risco e captura sinergias de verdade.

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