Farmacêuticas correm para desenvolver comprimido contra a Covid-19

Corrida da indústria em busca de um medicamento para combater a Covid-19

Depois das vacinas, os laboratórios farmacêuticos estão agora na corrida para desenvolver um tratamento contra a Covid-19 que possa ser tomado diretamente pelo paciente. São vários projetos em andamento, dois deles mais avançados, conforme revelaram a AFP e o Estado de Minas.

Assim como existem antivirais para outros vírus, como o HIV, causador da Aids, e da gripe, a indústria está em busca de um antiviral para combater o novo coronavírus (Sars-CoV-2). No começo da pandemia, o financiamento e as pesquisas se concentraram no desenvolvimento das vacinas, agora o foco está também no tratamento da Covid-19.

Atualmente, há dois projetos relativamente avançados, aprovados em mais de mil pessoas. O primeiro é do laboratório farmacêutico norte-americano Merck, em associação com a empresa de biotecnologia Ridgeback Biotherapeutics. O produto se chama Molnupiravir.

Desenvolvido inicialmente para tratar a gripe, ele foi modificado para que possa ser tomado na forma de comprimido, devendo ser ingerido duas vezes ao dia por cinco dias. O tratamento tem sido bem tolerado pelas poucas centenas de pessoas que já o receberam, segundo revelaram os pesquisadores da empresa.

Exames de várias dezenas delas mostraram que o vírus já não era detectável depois de cinco dias para todos os tratados com Molnupiravir, mas ainda era detectável em 26% do grupo placebo. Os resultados dos testes em outros 1.450 adultos são esperados para o terceiro trimestre.

O segundo projeto está sendo desenvolvido pelo laboratório suíço Roche, em colaboração com a empresa norte-americana Atea Pharmaceuticals. Denominado AT-527, o tratamento está sendo testado com 1.400 participantes na Europa e no Japão, desta vez a partir dos 12 anos. “Esperamos solicitar a aprovação dos reguladores no final do ano e lançar o medicamento em 2022”, disse à AFP o diretor-geral da Atea, Jean-Pierre Sommadossi.

Um terceiro projeto, este menos avançado, é desenvolvido pela Pfizer. Diferentemente dos demais, o tratamento, denominado PF-07321332, foi desenvolvido especificamente contra o Sars-CoV-2. Está sendo testado em cerca de 60 adultos e os resultados são esperados já para o final de junho.

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Tanto a Merck quanto a Roche exigem que o medicamento seja tomado nos cinco dias seguintes ao aparecimento dos sintomas. Isto se deve a que o vírus se replica mais durante a primeira semana. “Quanto antes se tratar com um antiviral, melhor será o resultado”, diz a bioquímica Daria Hazuda, que dirige a pesquisa sobre o medicamento da Merck.

Isso explica o relativo fracasso do Remdesivir, o único antiviral contra a Covid-19 aprovado até agora. Produzido pelo laboratório americano Gilead Sciences, deve ser tomado por via venosa no hospital. Isso significa que os pacientes estarão com a doença em estágio muito avançado para obter algum benefício real, segundo especialistas. Por outro lado, se os comprimidos estiverem disponíveis, o principal desafio será diagnosticar os pacientes precocemente.

Os especialistas ouvidos pela AFP confiam na capacidade dos antivirais para continuar sendo eficazes contra as variantes, assim como contra outros coronavírus, inclusive, potencialmente alguns ainda desconhecidos. Esta é uma vantagem significativa sobre outro tratamento existente, os anticorpos sintéticos.

Além de ser restritivos porque são injetados por via intravenosa, os anticorpos são muito específicos para o vírus que combatem e, portanto, é pouco provável que sejam eficazes contra futuros coronavírus, avaliam os cientistas.

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Pressão pela aprovação das vacinas

Na corrida pela aprovação das vacinas, o gerente-geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, relatou, em entrevista à equipe do documentário A Corrida das Vacinas, da Globoplay, a tensão de ter de analisar os pedidos de uso emergencial dos imunizantes contra a Covid-19, conforme destacou o G1.

Mendes, que também é professor da pós-graduação de Assuntos Regulatórios do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, frisa que a análise emergencial das vacinas contra a Covid-19 é um processo extremamente técnico e complexo, porém esperado e acompanhado com ansiedade por milhões de brasileiros, o que provoca reações nem sempre amistosas na internet. “Aconteceu muito nas redes sociais, gente falando ‘libera’, ‘genocida’, ‘10 dias equivalem a 10 mil mortes’”.

O gerente explica no documentário a função da análise técnica da Anvisa e o motivo de não se poder simplesmente autorizar qualquer vacina para a qual se solicite distribuição no Brasil. “É aquela coisa: a pessoa sai de casa para tomar uma vacina. Ela sabe se realmente aquilo que tão aplicando nela é a vacina? Como se chegou à conclusão de que essa vacina vai funcionar? Alguém precisa fazer isso”.

“A Anvisa precisa verificar minuciosamente todo o processo dos testes clínicos. Desde as fases pré-clínicas até as fases de eficácia. É um trabalho meticuloso, extremamente técnico e que exige que a nossa agência seja soberana, que ela seja autônoma, que ela não sofra pressão política ou ideológica de qualquer tipo”, comenta a pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência Natalia Pasternak.

Mendes, que desde 2003 trabalha na área de medicamentos e estudos clínicos da Anvisa, lembra da rotina estressante deste período. “Quando chegaram os pedidos de uso emergencial, aí que foi o auge. A gente criou um grupo de Whatsapp e foram 24 horas por dia trocando informações. Um ia dormir, outro começava a falar de um dado, de outro, revisando. Foi bem tenso”. “São umas 17 pessoas. Mandavam mensagens toda hora, 3 da manhã”.

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