Vaticano investiu R$ 130 milhões em farmacêuticas que produzem a pílula do dia seguinte

Vaticano investiu R$ 130 milhões em laboratórios que produzem a pílula do dia seguinte

O Vaticano investiu, ao longo de 20 anos, um total de € 20 milhões (R$ 130,4 milhões) em duas indústrias farmacêuticas (as suíças Roche e Novartis) que produzem a pílula do dia seguinte, revelou a revista portuguesa Visão. Papa Francisco modificou procedimentos e determinou investimentos apenas em fundos compatíveis com a doutrina católica.

De acordo com o ex-auditor geral responsável pelas contas da Santa Sé, Libero Milone, em entrevista à rede de TV italiana Rai 3, ao longo de duas décadas (até 2016), o Vaticano apostou em empresas farmacêuticas que produzem, entre outros medicamentos. A polêmica rendeu na imprensa internacional pelo fato de o contraceptivo pílula do dia seguinte ser para uma utilização que vai contra os ideais defendidos pela Igreja.

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Segundo Milone, a Secretaria de Estado do Vaticano possuía ações que somavam cerca de € 20 milhões (R$ 130,4 milhões) das farmacêuticas suíças Novartis e Roche. “Por 20 anos, o Vaticano investiu em indústrias que produziram a pílula do dia seguinte”, revelou à emissora o ex-auditor. No caso da Novartis, sua subsidiária Sandoz é uma das principais produtoras da pílula do dia seguinte.

O investimento teria sido feito através da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), uma espécie de ‘Banco Central’ do Vaticano, responsável por cuidar de seus assuntos econômicos. Após o relatório de Milone com essas informações, as ações teriam sido “imediatamente vendidas” para evitar um possível escândalo. Milone acabou afastado do cargo em 2017, devido a uma suspeita de que estivesse trabalhando como espião.

Milone disse ainda que ele mesmo considerava o financiamento como um “investimento de risco”, uma vez que iam contra a doutrina defendida pela Igreja Católica, acrescentando que chegou a comunicar o caso às altas hierarquias do Vaticano.

Para o ex-auditor geral, o caso comprova que os investimentos vaticanos geralmente eram feitos de maneira descuidada. Milone descarta, porém, que a controversa aplicação seja parte de alguma conspiração ou evidencie caso de má conduta administrativa.

O atual presidente da APSA, Nunzio Galantino, nomeado para o cargo, em 2018, pelo papa Francisco, afirmou ao jornal italiano il Fatto Quotidiano que os investimentos do governo administrativo da Igreja Católica seguiam “critérios éticos”, com a intenção de evitar que sejam realizados em empresas que vão contra os valores defendidos. Na entrevista, ele acrescentou ainda que não teve conhecimento sobre os investimentos nos laboratórios, uma vez que não fazia parte da APSA nessa época.

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Na semana passada, o Papa Francisco emitiu novas regras para combater a corrupção, que faz com que os cardeais e gestores do Vaticano sejam obrigados a declarar se investem apenas em fundos compatíveis com a doutrina católica e que não estão sob investigação criminal, nem têm dinheiro em paraísos fiscais.

Em 2019, como parte das reformas que vinha implementando na Cúria Romana, o papa já tinha renovado os estatutos do Instituto para as Obras de Religião (IOR), especificando os princípios católicos nos quais devem se basear a atuação do órgão. As novas regras estabelecem critérios ‘negativos e positivos’ para a seleção de investimentos financeiros coerentes com a ética católica, selecionando apenas empresas que realizam atividades em conformidade à Doutrina Social da Igreja.

Como funciona a pílula

A pílula do dia seguinte é um contraceptivo de emergência, que deve ser utilizada somente em último caso. Por exemplo, estupro ou falha do preservativo no momento da ejaculação. Ou então quando a pessoa se esquece de tomar a pílula anticoncepcional durante dois, três dias, e só se lembra no momento da relação, explicaram ao blog do doutor Drauzio Varela os médicos Donizetti Ramos dos Santos, do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, e Marta Curado, presidente da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Segundo eles, não se deve fazer da pílula um hábito nem tomar mais que uma dose por mês. O ideal é que a mulher tome a pílula o mais próximo possível da relação sexual desprotegida. Mas ela tem até três dias (72 horas) para fazer isso. Nas primeiras 24 horas, a eficácia da pílula é de 88%, e vai diminuindo conforme os três dias passam. O medicamento é vendido em dose única e em dois comprimidos. É indicado que a mulher tome um comprimido e espere 12 horas para tomar o outro. Entretanto, para não haver esquecimento, ela pode optar por tomar os dois de uma vez.

“A pílula do dia seguinte é composta por progestina sintética, com isso, por retroalimentação negativa no hipotálamo e consequente redução na secreção dos hormônios folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH), a ovulação é inibida, impedindo a gravidez”, acrescenta o farmacêutico e professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rafael Poloni.

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