A Justiça de Minas Gerais determinou que um farmacêutico que atua em hospital público receba adicional de insalubridade em grau máximo, com pagamento retroativo desde a sua admissão. A decisão foi confirmada pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do estado, após análise de laudo pericial que apontou exposição direta e contínua a agentes biológicos.
O profissional atuava como farmacêutico bioquímico em um laboratório de análises clínicas e, mesmo exercendo atividades de risco elevado, recebia apenas o adicional em grau médio.
Rotina hospitalar que raramente aparece
O caso chama atenção porque revela um ponto que costuma passar despercebido fora do ambiente hospitalar. O farmacêutico não está restrito ao laboratório.
Na prática, ele circula por diferentes setores, incluindo pronto-socorro, CTI e áreas de isolamento, realizando coleta de materiais biológicos, transportando amostras e conduzindo análises que sustentam decisões clínicas.
Isso significa contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais e agentes potencialmente infectantes ao longo de toda a jornada. Não é uma exposição eventual. É rotina.
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O que a perícia encontrou
Foi essa rotina que sustentou a decisão judicial.
A perícia técnica identificou que o farmacêutico estava submetido a um nível de risco compatível com grau máximo de insalubridade, considerando tanto a frequência quanto a natureza das atividades desempenhadas.
Além da coleta, havia manipulação direta das amostras e realização de testes para doenças infecciosas, o que amplia o risco de contaminação. A diferença entre grau médio e máximo, nesse caso, não é apenas administrativa. Reflete a realidade da exposição.
Onde entra o farmacêutico hospitalar nisso tudo
Esse tipo de situação evidencia um aspecto central da atuação hospitalar que nem sempre é discutido. O farmacêutico é parte ativa do cuidado, mesmo quando não está diante do paciente.
Ele participa da investigação diagnóstica, valida resultados laboratoriais, acompanha terapias e circula em ambientes críticos onde o risco biológico é constante. E quanto mais complexa a assistência, maior essa exposição.
Em unidades de terapia intensiva, por exemplo, o contato com pacientes infectocontagiosos, antimicrobianos de alto risco e materiais biológicos faz parte do fluxo diário. O mesmo vale para áreas de isolamento e pronto atendimento.
Não é só sobre risco, é sobre preparo
A decisão judicial resolve uma questão trabalhista, mas deixa outra pergunta implícita. Quem está preparado para atuar nesse nível de complexidade?
Lidar com risco biológico exige mais do que conhecimento técnico básico. Envolve protocolos de biossegurança, interpretação clínica, entendimento de terapias e capacidade de atuar em ambientes de alta pressão.
Sem isso, o risco não diminui. Só fica menos visível.
Formação para atuar dentro do hospital de verdade
A Pós-Graduação em Farmácia Hospitalar e Clínica do ICTQ prepara o farmacêutico para esse cenário real, onde a atuação vai muito além da dispensação e entra diretamente na dinâmica do cuidado hospitalar.
O curso aborda desde o acompanhamento farmacoterapêutico até a atuação em ambientes críticos, como CTI e unidades de isolamento, preparando o profissional para lidar com situações que exigem decisão rápida, conhecimento clínico e domínio de protocolos.
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