Os fitoterápicos possuem uma boa aceitação entre os brasileiros, mas ainda existe uma distância importante entre conhecer, confiar e efetivamente utilizar esses medicamentos. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Fitoterápicos, Suplementos Alimentares e Promoção da Saúde (Abifisa) mostrou que 80% dos entrevistados dizem saber o que é um fitoterápico, enquanto apenas 14% afirmam utilizá-los com frequência.
O levantamento ouviu mil pessoas nas cinco regiões do Brasil e revela uma aparente contradição. Embora a maioria já tenha algum contato com o tema, somente 20% consegue diferenciar efetivamente os fitoterápicos de produtos naturais ou suplementos alimentares. Além disso, 54% não consegue citar nenhuma marca ou nome de medicamento dessa categoria.
Ao mesmo tempo, três em cada quatro entrevistados consideram os fitoterápicos uma alternativa eficaz e segura para o cuidado com a saúde, enquanto apenas 3% afirmam que não utilizariam esses medicamentos em nenhuma situação.
“Isso significa que 97% dos brasileiros estão, de alguma forma, receptivos a esses produtos, mas ainda não encontraram a confiança, a informação ou a recomendação adequada para concretizar esse consumo”, afirma Laerte Dall’Agnol, presidente da Abifisa.
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População aceita os fitoterápicos, mas ainda não os conhece bem
Os dados mostram que o principal desafio não parece estar apenas na aceitação, mas na compreensão sobre o que realmente é um medicamento fitoterápico.
Fitoterápicos são obtidos exclusivamente a partir de matérias-primas ativas vegetais. Por serem medicamentos, precisam apresentar qualidade, segurança e eficácia para aprovação pela Anvisa.
Essa definição também ajuda a separar categorias frequentemente confundidas pela população. Os suplementos alimentares, por exemplo, não são medicamentos. Sua finalidade é complementar a alimentação de pessoas saudáveis por meio do fornecimento de nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos e, por isso, não podem apresentar indicação de prevenção, tratamento ou cura de doenças.
Chás, suplementos, plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos, portanto, não devem ser tratados como equivalentes apenas porque possuem componentes de origem vegetal.
Essa falta de diferenciação ganha relevância principalmente quando o paciente tenta utilizar esses produtos por conta própria.
Orientação profissional é valorizada por 80% dos entrevistados
Um dos dados mais importantes da pesquisa para a prática clínica é que 80% dos entrevistados reconhecem como indispensável a orientação de um profissional de saúde.
O resultado reforça o espaço do farmacêutico clínico na orientação e no acompanhamento de pacientes que utilizam fitoterápicos.
Embora sejam derivados de matérias-primas vegetais, esses medicamentos não estão livres de contraindicações, efeitos adversos, toxicidade ou interações com outros tratamentos. A decisão de utilizar um fitoterápico, portanto, precisa considerar o histórico de saúde, os medicamentos já utilizados pelo paciente e as características específicas de cada produto.
Esse cuidado faz parte da Atenção Farmacêutica e envolve avaliar o paciente, orientar sobre o uso correto, acompanhar a resposta terapêutica e identificar possíveis problemas relacionados ao tratamento.
A prescrição de fitoterápicos, conforme RDC nº477/2008 e RDC nº586/2013, também exige domínio técnico para que a escolha do produto esteja relacionada às necessidades de cada paciente e seja acompanhada de orientações sobre dose, uso e possíveis riscos.
Fitoterapia pode complementar o cuidado farmacêutico
A boa receptividade encontrada pela pesquisa também abre espaço para uma discussão que vai além de colocar a Fitoterapia como oposição aos medicamentos convencionais.
Na prática clínica, os fitoterápicos podem integrar o cuidado como mais uma possibilidade terapêutica, utilizada de acordo com a condição apresentada pelo paciente e com critérios de segurança, eficácia e acompanhamento profissional.
Entre as aplicações estão o alívio de ansiedade leve e insônia, regulação intestinal, ação expectorante e broncodilatadora, melhora de sintomas relacionados ao climatério e utilização em determinados processos inflamatórios.
Os fitoterápicos podem apresentar boa tolerabilidade, embora também possam causar efeitos adversos e possuam contraindicações.
Para o farmacêutico, portanto, conhecer Fitoterapia não significa simplesmente recomendar produtos de origem vegetal. Significa saber avaliar quando esses medicamentos podem fazer parte do cuidado e, principalmente, identificar situações em que seu uso exige atenção.
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Formação em Fitoterapia amplia a capacidade de cuidado
Para atuar com segurança, conhecer apenas os produtos mais populares não é suficiente. A Fitoterapia exige domínio de farmacologia, características das espécies vegetais, mecanismos de ação, interações, toxicidade, legislação e critérios relacionados à Prescrição Farmacêutica.
Esse conhecimento já faz parte da formação dos alunos dos cursos de Pós-graduação em Farmácia Clínica do ICTQ.
No módulo Fitoterapia e Prescrição de Produtos Fitoterápicos, os alunos estudam legislações e diretrizes de prescrição, metabólitos secundários e sua aplicação na elaboração de fitoterápicos, além da utilização desses medicamentos em condições relacionadas aos sistemas nervoso central, digestório, respiratório, geniturinário e musculoesquelético.
A formação também aborda mecanismos de ação, espécies terapêuticas, efeitos adversos, interações e toxicidade, pontos essenciais para que o farmacêutico clínico consiga incorporar os fitoterápicos ao cuidado de maneira técnica e responsável.
Os resultados da pesquisa ajudam a mostrar por que esse conhecimento ganha espaço na prática clínica. Existe interesse da população, existe confiança nos medicamentos e existe reconhecimento da importância da orientação profissional. Para o farmacêutico, transformar essa receptividade em cuidado seguro depende justamente de qualificação.
Capacitação farmacêutica
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