A Libbs informou a descontinuação do Emgality no Brasil, medicamento utilizado no tratamento da enxaqueca crônica. Segundo comunicado da empresa, a decisão ocorreu por “atualização do portfólio” e atinge as apresentações de 120 mg/mL e 100 mg/mL. A descontinuação foi publicada em 4 de maio de 2026, mas o produto poderá continuar sendo comercializado nas farmácias até o esgotamento dos estoques, desde que respeitados os prazos de validade dos lotes disponíveis.
No caso do Emgality 120 mg/mL, o último lote informado é o D881051D, com validade até 30 de junho de 2027. Já a apresentação de 100 mg/mL tem como último lote o D872256D, com validade até 31 de maio de 2027. A Libbs também comunicou que, a partir de 1º de junho de 2026, não serão realizadas novas adesões ao Programa de Pacientes Emgality, nem incluídos novos CNPJs na base de acesso à operação do programa.
A empresa orienta que pacientes em uso do medicamento busquem avaliação para definição de alternativas terapêuticas. A medida preocupa usuários, especialmente porque o Emgality é um medicamento de alto custo e indicado para uma condição que pode comprometer profundamente a qualidade de vida. Segundo o material-base, pacientes chegaram a criar um abaixo-assinado para tentar reverter a interrupção, manifestando receio de que outras opções não tenham a mesma resposta terapêutica.
Como o Emgality atua
O Emgality tem como princípio ativo o galcanezumabe, um anticorpo monoclonal utilizado no tratamento da enxaqueca. O medicamento atua sobre o CGRP, peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, uma molécula envolvida nos mecanismos da dor e da inflamação neurogênica associados às crises de enxaqueca.
Na prática, terapias dessa classe foram desenvolvidas para reduzir a frequência de crises em pacientes com enxaqueca, especialmente em quadros recorrentes e incapacitantes. A administração costuma ocorrer por via subcutânea, em apresentações como caneta autoinjetora ou seringa preenchida, o que permite uso periódico conforme orientação terapêutica.
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A enxaqueca crônica não deve ser tratada como uma dor de cabeça comum. Ela pode provocar crises frequentes, sensibilidade à luz, náuseas, vômitos, limitação funcional, perda de produtividade e impacto significativo na vida social e profissional. Para muitos pacientes, o acesso a terapias preventivas modernas representa uma tentativa de recuperar rotina, autonomia e qualidade de vida.
Com a descontinuação do Emgality no Brasil, a discussão deixa de ser apenas comercial. Ela passa a envolver continuidade terapêutica, acesso, substituição segura de tratamento e orientação adequada para pacientes que já utilizavam o medicamento.
Descontinuação exige cuidado na transição terapêutica
Quando um medicamento deixa de ser comercializado, especialmente em uma doença crônica, o paciente não pode ficar sem orientação. A interrupção abrupta, a troca por conta própria ou a busca por produtos em canais irregulares pode comprometer o controle da doença e aumentar riscos.
No caso da enxaqueca crônica, alternativas terapêuticas existem, mas a escolha depende do perfil do paciente, histórico de resposta, tolerabilidade, comorbidades, uso de outros medicamentos e características das crises. O material-base cita, por exemplo, outras opções disponíveis no mercado nacional, como Pasurta e Ajovy, também associadas a custos elevados.
Essa transição precisa ser acompanhada com atenção. O paciente pode chegar à farmácia preocupado com a notícia, perguntando se ainda pode usar o produto em estoque, se deve comprar unidades restantes, se existe substituto direto ou se pode trocar por outro medicamento. Nessa hora, a orientação farmacêutica precisa ser técnica, prudente e segura.
O farmacêutico na orientação sobre novas opções terapêuticas
A descontinuação do Emgality reforça a importância do farmacêutico clínico na orientação da população. Em muitos casos, a farmácia é o primeiro serviço de saúde procurado pelo paciente diante de uma dúvida sobre continuidade de tratamento, disponibilidade de medicamento, substituição ou uso correto.
O farmacêutico não deve prescrever medicamentos como esses nem substituir a decisão terapêutica definida para o paciente. No entanto, ele pode orientar sobre o uso seguro do produto ainda disponível, esclarecer informações de validade, armazenamento e administração, alertar sobre riscos de interrupção sem acompanhamento e indicar que o paciente procure o serviço adequado para reavaliação do tratamento.
Esse profissional também pode apresentar ao paciente a existência de alternativas terapêuticas disponíveis no mercado, sem prometer equivalência individual nem orientar troca por conta própria. O papel do farmacêutico é ajudar o paciente a compreender que existem caminhos possíveis, mas que a definição da melhor opção depende de avaliação individualizada.
Além disso, a atuação farmacêutica é fundamental para prevenir problemas comuns nesse tipo de cenário, como automedicação, compra por impulso, busca por produtos importados sem procedência, uso de medicamentos de terceiros ou aquisição em canais clandestinos. Quando um produto de alto custo e difícil acesso sai do mercado, aumenta o risco de o paciente procurar soluções inseguras.
Conhecimento clínico define a qualidade da orientação
Para orientar bem, o farmacêutico precisa dominar mais do que o nome comercial do medicamento. É necessário compreender mecanismo de ação, classe terapêutica, via de administração, cuidados de armazenamento, possíveis reações adversas, interações, perfil do paciente e limites da atuação profissional.
No caso da enxaqueca crônica, o farmacêutico também precisa diferenciar orientação segura de conduta indevida. Ele pode explicar que a continuidade do tratamento deve ser organizada antes do fim dos estoques, que medicamentos ainda dentro do prazo de validade podem ser utilizados conforme orientação já estabelecida e que qualquer mudança terapêutica precisa ser feita com acompanhamento adequado.
Esse tipo de atuação exige preparo técnico e comunicação cuidadosa. O paciente com enxaqueca crônica muitas vezes já passou por longas jornadas terapêuticas, crises incapacitantes e frustrações com tratamentos anteriores. A orientação farmacêutica deve acolher a preocupação sem estimular decisões precipitadas.
Qualificação prepara o farmacêutico para cenários complexos
A retirada de um medicamento do mercado mostra como a rotina do farmacêutico clínico vai além da dispensação. Ele precisa lidar com dúvidas sobre acesso, continuidade terapêutica, alternativas, segurança, uso racional e encaminhamento adequado. Em um cenário de tratamentos cada vez mais especializados, a formação clínica se torna indispensável.
A Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ prepara o farmacêutico para atuar nesse tipo de realidade, desenvolvendo competências em atenção farmacêutica, semiologia farmacêutica, anamnese, interações medicamentosas, farmacocinética clínica, farmacodinâmica, toxicologia clínica, comunicação interpessoal e prescrição farmacêutica dentro dos limites legais da profissão.
Em casos como a descontinuação do Emgality, o farmacêutico qualificado pode ser decisivo para orientar o paciente, reduzir riscos, combater a automedicação e direcionar a busca por continuidade de cuidado de forma segura. Quando um medicamento deixa de estar disponível, informação técnica passa a ser parte essencial da proteção do paciente.
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