A mulher de 42 anos que foi internada em um hospital de Belo Horizonte em estado grave devido a complicações relacionadas ao uso de uma "caneta emagrecedora" vendida de forma ilegal, foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré, segundo divulgado hoje por sua filha.
O que aconteceu
Diagnóstico foi informado pela filha de Kellen Antunes nas redes sociais. "Minha mãe está atualmente diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré. Está em um hospital sendo atendida exclusivamente", divulgou Dhulia Antunes pelo Story do Instagram.
Ela diz que falou à imprensa sobre o quadro da mãe para alertar outras pessoas sobre a procedência e indicação médica do medicamento. "O meu alerta é [sobre] de quem vocês compram, e se vocês estão aptas ou não a tomar", escreveu Dhulia na mesma publicação".
Familiar disse ainda que informações falsas tem circulado sobre o caso de Kellen, que comprou o medicamento de origem paraguaia. "Jamais eu vou falar que a medicação do Paraguai é ruim. Eu não sei (...) Parem de ficar inventando coisas absurdas e culpando a minha mãe. Agora não é hora de achar culpados e agora a gente está focado na recuperação da minha mãe", relatou em uma gravação publicada pelos Stories.
Procurado, hospital em que Kellen está internada, não divulgou informações sobre o quadro da paciente. Em nota, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, responsável pelo hospital João XXIII, afirmou que a instituição "não pode disponibilizar qualquer dado individualizado que diz respeito à privacidade" de seus pacientes.
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Sobre a síndrome de Guillain-Barré
Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune — em que o sistema imunológico começa a atacar partes do corpo. O quadro tem como característica uma piora aguda e progressiva e, depois, uma melhora.
Entre os principais sintomas da síndrome estão dores pelo corpo, fraqueza muscular ou paralisia total dos membros. Também podem ser observadas sensação de dormência e queimação nos pés e pernas que, depois, pode subir até braços e mãos. Outros sinais que podem aparecer são: sonolência, confusão mental, visão dupla, tremores, entre outros (leia mais aqui)
Relembre o caso
A auxiliar administrativa Kellen Antunes foi internada em Belo Horizonte após usar canetas emagrecedoras vindas do Paraguai. Ela deu entrada no hospital em dezembro após usar o medicamento sem prescrição médica.
O quadro da mulher evoluiu para problemas neurológicos após a internação. A suspeita é que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura e os movimentos do corpo, além da fala e o funcionamento de órgãos.
Nenhum medicamento pode ser comercializado no Brasil com orientações ou bula em língua estrangeira, segundo a Anvisa. A venda desses produtos, conforme divulgado em novembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, implica em riscos como dificuldade de compreensão para o paciente e erros de administração.
Casos eventuais de falsificação, adulteração ou produto clandestino fogem à governabilidade brasileira, uma vez que o produto está sob regulação de outros países. Anvisa, em nota
Remédios sem registro no Brasil só podem ser importados de forma excepcional e para uso exclusivamente pessoal, mediante prescrição médica e o cumprimento de requisitos adicionais, conforme a Anvisa. "Porém, nos casos em que a Anvisa publica proibição específica, a importação, por qualquer modalidade, também fica suspensa", esclareceu.
O órgão proibiu a venda de "canetas emagrecedoras" em novembro. Naquele mês, a Anvisa publicou resoluções proibindo a fabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e o uso de alguns medicamentos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. "São medicamentos sem registro sanitário na Agência, ou seja, que não tiveram a qualidade, eficácia e segurança de uso avaliadas no Brasil", divulgou à época.
As proibições se aplicam a cinco produtos. São eles T.G. 5; Lipoless; Lipoless Eticos; Tirzazep Royal Pharmaceuticals; e T.G. Indufar. "As medidas [de proibição] foram motivadas pelo aumento das evidências de propaganda e comercialização irregulares das chamadas canetas emagrecedoras, inclusive na internet, o que é proibido para medicamentos no Brasil, (...) a fim de proteger a saúde da população", informou ainda a agência.
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