Nova Diretriz Define Pressão Arterial de 12 por 8 Como Elevada e Alerta para Riscos Cardiovasculares

Relatório divulgado durante a 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) revela que o Brasil possui uma taxa de pacientes hipertensos superior à média global, que varia entre 30% e 40%. Aqui, 42% das pessoas com idades entre 30 e 79 anos sofrem de hipertensão. No entanto, essa prevalência pode ser ainda maior, já que o índice considerado normal anteriormente – igual a 120/80mmHg (em milímetros de mercúrio) ou 12 por 8 (em centímetros de mercúrio) – está sendo revisto pelas novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia. Com isso, a pressão ideal passa a ser de 12 por 7 (ou 120/70 mmHg).

As mudanças foram divulgadas em agosto deste ano, no Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres, no Reino Unido. Com as novas diretrizes, a pressão arterial passa a ser classificada em três categorias, com base na aferição em consultório:

  • Pressão arterial não elevada: abaixo de 120 por 70 milímetros de mercúrio (mmHg) - 12 por 7;
  • Pressão arterial elevada: entre 120 por 70 mmHg e 139 por 89 mmHg - de 12 por 7 a cerca de 14 por 9;
  • Hipertensão arterial: acima de 140 por 90 mmHg - maior que 14 por 9.

Vale lembrar que, anteriormente, os especialistas dividiam os níveis em seis categorias: ótimo (abaixo de 120 por 80 mmHg), normal (entre 120 por 80 e 129 por 84 mmHg), pré-hipertensão (entre 130 por 85 e 139 por 89 mmHg), hipertensão estágio 1 (entre 140 por 90 e 159 por 99 mmHg), hipertensão estágio 2 (entre 160 por 100 e 179 por 109 mmHg) e hipertensão estágio 3 (acima de 180 por 110 mmHg).

O farmacêutico clínico e diretor acadêmico do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Ismael Rosa, aponta que manter níveis elevados de pressão arterial por longos períodos, sem tratamento, aumenta o risco de sérios problemas de saúde, incluindo insuficiência cardíaca, placas de gordura nas coronárias e carótidas, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais.

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Ele vê vantagens nas novas diretrizes e na criação da categoria pressão arterial elevada. Segundo o farmacêutico, quanto mais cedo se alerta o paciente que a pressão arterial não está boa, medidas de mudança de estilo de vida devem ser implementadas e cobradas pelos especialistas. “A maior batalha dos profissionais de saúde é a da conscientização da população. As pessoas precisam aferir com mais frequência a pressão arterial. Para se ter uma ideia, os eventos mais graves de infarto e AVC acontecem naqueles que não se cuidam”, ressalta.

No entanto, e preciso dizer que as novas diretrizes europeias ainda consideram hipertensão arterial para valores acima de 14 por 9. "A mudança da classificação a partir de hipertensão (maior que 14/9) é a mesma que a anterior, ou seja, não mudou.

Conscientização do risco

O tratamento para redução da pressão arterial, segundo a novas diretrizes, deve ser baseado tanto nos níveis de pressão quanto no risco de doenças cardiovasculares. Para pacientes com hipertensão (>140 mmHg), recomenda-se iniciar o tratamento independentemente do risco cardiovascular, usando uma combinação de terapia medicamentosa e ajustes de estilo de vida. Essas mudanças incluem redução de sal, ingestão adequada de potássio, prática regular de exercícios, controle de peso, dieta balanceada e cessação do tabagismo. Essas ações são fundamentais no início do tratamento e devem ser fortemente enfatizadas, mas o uso de medicamentos permanece como a principal recomendação para pacientes hipertensos.

Para indivíduos com pressão arterial elevada (entre 12 por 7 e 14 por 9), é recomendada a avaliação adicional do risco cardiovascular para guiar o tratamento:

  • Pacientes com pressão elevada, mas sem risco alto de doenças cardiovasculares: mudanças no estilo de vida por um período de 6 a 12 meses. Se não houver melhora, a terapia medicamentosa pode ser considerada individualmente.
  • Pacientes com pressão elevada e risco cardiovascular elevado: mudanças de estilo de vida por três meses. Após esse período, a terapia medicamentosa é indicada para aqueles com pressão arterial a partir de 13 por 8.

“É fundamental uma avaliação criteriosa do quanto a pressão alta já alterou o organismo e se há outras condições que facilitam o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, ou seja, o Risco Cardiovascular Global. Também é necessário instituir uma abordagem individualizada para cada paciente”, destaca Rosa, que complementa: "as novas diretrizes sugerem o uso, cada vez maior, de verificação de pressão arterial além da farmácia e dos consultórios, que trazem informações importantes para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento".

Ele ressalta, ainda, que o papel do farmacêutico é fundamental. “A condição de saúde da população, muitas vezes, não facilita o acesso ao médico com a frequência necessária. Por isso, as pessoas recorrem à farmácia para fazer a verificação de sua frequência. Ao aferir a pressão e constatar alguma alteração, o farmacêutico deve encaminhar o paciente ao médico, mas é ele quem tem o papel importantíssimo de apoiar e orientar mudanças no estilo de vida e como e quando o paciente deve usar o medicamento, se for o caso”.

Como se deve aferir a pressão

Embora a aferição da pressão seja uma prática farmacêutica comum, nunca é demais lembrar que há dois parâmetros de verificação, porque o coração trabalha em dois tempos. O primeiro é a contração para expulsar o sangue. A força é máxima e esse processo é chamado de sístole. O segundo é o relaxamento do coração entre as contrações cardíacas. A força é mínima e esse processo é chamado de diástole. Com estas medidas, são determinadas duas pressões: Máxima: quando o coração se contrai, há a pressão máxima (sistólica). Mínima: quando ele se dilata, há a pressão mínima (diastólica).

Dito isso, vale citar que as novas diretrizes apresentam recomendações práticas para aferir a pressão arterial, tanto no consultório (conhecida como Medicação Ambulatorial da PA ou MAPA) como em casa (chamada Medicação da PA em Casa ou MRPA).

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No consultório

  • A pressão deve ser aferida com o paciente sentado de forma confortável após 5 minutos de repouso;
  • Evitar exercícios físicos e bebidas estimulantes por, pelo menos, 30 minutos antes da aferição;
  • Durante a aferição, o paciente deve estar sentado com as costas apoiadas e pernas descruzadas. O braço deve estar apoiado em um suporte;
  • Realizar três medições com intervalos de 1 a 2 minutos entre cada uma;
  • Aferir a pressão arterial em ambos os braços para verificar possíveis diferenças;
  • A frequência cardíaca deve ser registrada durante a consulta inicial.

Em Casa

  • Realizar duas aferições com intervalo de 1 a 2 minutos entre cada uma;
  • As aferições devem ser feitas duas vezes ao dia (manhã e noite), no mesmo horário, por um mínimo de 3 dias e um máximo de 7 dias;
  • Ao final do período, calcular a média de todas as leituras. Caso a média, após 3 dias, esteja próxima ao limite de tratamento, a aferição deve ser mantida por até 7 dias;
  • Utilizar um medidor validado, em um ambiente silencioso, após 5 minutos de repouso. O braço deve estar apoiado, com as costas encostadas no assento da cadeira.

Se o farmacêutico, ao aferir a pressão de um usuário, detectar que ele está com a pressão alta, ele deverá orientar aquele paciente sobre como proceder para controlar sua pressão em termos de alimentação correta, controle da obesidade, atividade física, a não ingestão de bebidas alcoólicas e a cessação do tabagismo.

“Além disso, o farmacêutico deverá encaminhá-lo ao atendimento médico para que, se necessário, ele receba a prescrição medicamentosa. É preciso também solicitar a esse paciente que retorne à farmácia com a receita médica para receber as devidas orientações com relação ao uso correto do medicamento prescrito”, finaliza Rosa.

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